A Justiça decidiu manter preso o sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, investigado pela morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva nesta quarta-feira (22), durante audiência de custódia realizada em Belo Horizonte.
A decisão foi tomada pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia da capital. Segundo o magistrado, a prisão cautelar é necessária para garantir a ordem pública enquanto a investigação continua.
O processo tramita sob segredo de Justiça, medida determinada para restringir o acesso às informações e preservar a intimidade dos envolvidos durante a apuração.
Sargento chega ao Fórum de BH escoltado pela Polícia Militar
Por volta das 8h desta quarta-feira (22), viaturas da Polícia Militar chegaram ao Fórum de Belo Horizonte levando o sargento Eduardo Abner para a audiência de custódia.
Após a análise do caso, a Justiça decidiu que ele permanecerá detido. O militar havia sido preso em flagrante após a morte da esposa, que também integrava a corporação.
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Capitã da PM chegou morta ao hospital com várias lesões
A morte de Michele Leão Azevedo passou a ser investigada depois que a capitã foi levada pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste de Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20).
Segundo o registro policial, a policial chegou à unidade já sem sinais vitais. Durante o atendimento, a equipe médica identificou diversos ferimentos que levantaram suspeitas, incluindo traumatismo craniano, um corte profundo na cabeça, hematomas pelo corpo, lesões nos membros inferiores e marcas que poderiam ser compatíveis com agressões.
A médica responsável pelo atendimento acionou a Polícia Militar após considerar que os ferimentos não eram compatíveis com uma morte natural.
Versão apresentada pelo marido é investigada pela polícia
Em depoimento, o sargento afirmou que ele e a esposa haviam participado de uma confraternização no apartamento onde moravam e consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
O militar relatou ainda que o casal mantinha práticas sexuais consensuais envolvendo agressões e disse que Michele teria sofrido uma queda da escada durante a tarde, batido a cabeça e ido descansar. Segundo a versão dele, a policial só foi encontrada sem reação horas depois, quando ele decidiu levá-la ao hospital.
A hipótese apresentada pelo sargento é analisada pela Polícia Civil junto com os demais elementos reunidos na investigação.
Perícia encontrou objetos e vestígios no apartamento do casal
Durante os trabalhos periciais no imóvel onde o casal vivia, investigadores encontraram um cabo de madeira quebrado descartado no lixo externo do prédio. O objeto foi recolhido e será analisado para verificar se tem relação com as lesões encontradas no corpo da capitã.
Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a localização de roupas de cama retiradas do quarto e colocadas ainda molhadas dentro da máquina de lavar.
O celular do sargento e o veículo utilizado para levar Michele ao hospital também foram apreendidos para exames periciais.
Mãe de Michele relatou suspeitas de relacionamento abusivo
Durante depoimento à polícia, a mãe da capitã afirmou que a filha vivia um relacionamento marcado por abuso psicológico, manipulação emocional e humilhações.
Segundo o relato, Michele teria tentado encerrar o casamento em algumas oportunidades, mas o companheiro não aceitava a separação.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e analisando os materiais recolhidos. Laudos periciais e exames toxicológicos devem ser fundamentais para esclarecer as circunstâncias da morte da capitã Michele Leão Azevedo.