Anuário de Segurança Pública mostra queda de mortes violentas e alerta para feminicídios

Levantamento mostra queda de 8,2% nas mortes violentas intencionais em 2025, enquanto feminicídios atingem recorde e policiais matam mais de 6,6 mil pessoas
Redação NC News
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O Brasil registrou uma redução de 8,2% nas mortes violentas intencionais em 2025. O número representa uma melhora no cenário geral da violência, mas o novo retrato da segurança pública brasileira também revela problemas que continuam avançando.

O país registrou 1.571 feminicídios no ano passado, o maior número da série histórica. Ao mesmo tempo, 6.602 pessoas foram mortas por policiais, o maior patamar de letalidade policial em 14 anos.

Os dados fazem parte da edição mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). O levantamento reúne informações oficiais sobre crimes, violência e atuação das forças de segurança em todo o país.

O que os números mostram sobre a violência no Brasil?

Apesar da queda nas mortes violentas intencionais, o cenário ainda é desigual entre as regiões brasileiras.

Os estados do Norte e do Nordeste concentram algumas das maiores taxas de violência do país. O Amapá, por exemplo, terminou 2025 com a maior taxa de mortes violentas, de 42,5 casos para cada 100 mil habitantes.

O resultado mostra que a redução nacional da violência não significa que todos os estados tenham avançado da mesma maneira. Em algumas regiões, os índices permanecem elevados e exigem políticas específicas de prevenção e combate ao crime.

Feminicídio chega ao maior número da série histórica

Um dos principais alertas do levantamento está relacionado à violência contra as mulheres.  O número representa um aumento de 4% em relação ao ano anterior e é o maior registrado desde o início da série histórica.

Além das mortes, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio. Na prática, foram quase três tentativas para cada feminicídio consumado.

Os números também ajudam a dimensionar uma sequência de violências que pode anteceder o assassinato. Para cada feminicídio registrado em 2025, foram contabilizados cerca de 502 casos de ameaça, 182 agressões físicas e 79 crimes de perseguição contra mulheres.

O levantamento reforça a importância de identificar sinais de violência antes que o caso evolua para um desfecho fatal. Ameaças, agressões e perseguições podem indicar situações de risco que precisam ser enfrentadas pelas autoridades e pela rede de proteção.

Polícia matou mais de 6,6 mil pessoas

Outro dado que chama atenção é o crescimento da letalidade policial.

As forças policiais brasileiras mataram 6.602 pessoas ao longo de 2025. O número representa uma média de aproximadamente 18 mortes por dia e coloca o país no maior patamar de letalidade policial dos últimos 14 anos.

O aumento aconteceu mesmo em um cenário de queda das mortes violentas intencionais no país. Em 15 estados, houve crescimento no número de pessoas mortas por policiais.

O dado mostra um dos principais desafios da segurança pública brasileira: reduzir a violência e, ao mesmo tempo, garantir que a atuação das forças policiais aconteça dentro dos limites legais e com respeito aos direitos fundamentais.

Quanto o Brasil gastou com segurança pública?

O levantamento também analisou os investimentos na área.União, estados e municípios desembolsaram R$ 163,1 bilhões em segurança pública durante 2025. O valor representa um crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior e é o maior da série histórica iniciada em 2016.

A maior parte dos recursos veio dos estados, responsáveis por 80,5% das despesas. Os governos estaduais aumentaram os gastos em 6,2%, enquanto a União reduziu as despesas em 17,7%. Os municípios também registraram queda, de 2,9%.

Na prática, os números mostram que o financiamento da segurança pública continua concentrado nos governos estaduais, que são responsáveis pela manutenção de estruturas como as polícias Civil e Militar e os serviços de perícia.

O que os dados revelam sobre o cenário brasileiro?

O retrato apresentado pelo Anuário mostra um país que conseguiu reduzir a violência letal em termos gerais, mas que ainda enfrenta desafios importantes.

A queda das mortes violentas é um sinal positivo. Por outro lado, o crescimento dos feminicídios e da letalidade policial revela que a melhora nos indicadores nacionais não acontece de maneira uniforme.

O cenário também mostra que investir mais dinheiro na segurança pública, por si só, não resolve todos os problemas. A discussão envolve prevenção, investigação, inteligência, combate ao crime organizado, proteção das mulheres e controle da atuação policial.

Os dados servem como uma fotografia do cenário de 2025 e ajudam a orientar o debate sobre quais políticas públicas precisam ser fortalecidas nos próximos anos.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado a partir de informações fornecidas por órgãos oficiais, incluindo secretarias estaduais de segurança e forças policiais. O documento reúne indicadores de diferentes áreas para apresentar um panorama nacional da violência e das políticas de segurança pública.

A edição divulgada em 2026 mostra uma situação contraditória: enquanto o Brasil registra queda nas mortes violentas intencionais, alguns dos principais indicadores relacionados à violência contra as mulheres e à atuação policial apresentam resultados preocupantes.

O desafio agora é transformar os dados em políticas públicas capazes de manter a redução dos crimes violentos sem deixar de enfrentar problemas como o feminicídio e a letalidade policial.

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