O número de casos de hepatite A registrados no estado de São Paulo voltou a preocupar as autoridades de saúde. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 1.880 casos, quantidade que já supera todo o total registrado ao longo de 2025, quando houve 1.663 notificações da doença. Os dados acendem um alerta para o avanço da infecção e para a necessidade de reforçar medidas de prevenção.
O aumento representa uma mudança no cenário epidemiológico observado nos últimos anos e levou a Secretaria Estadual da Saúde a intensificar o monitoramento da doença, especialmente durante o mês de conscientização sobre as hepatites virais.
O que explica o aumento dos casos?
A hepatite A é uma infecção viral que atinge o fígado e costuma ser transmitida principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados, além do contato com pessoas infectadas em condições inadequadas de higiene. Em determinados grupos, também pode ocorrer transmissão durante relações sexuais desprotegidas.
Especialistas destacam que fatores como baixa cobertura vacinal em determinados públicos, circulação do vírus e falhas nos cuidados de higiene podem contribuir para o crescimento das notificações.
Quais são os sintomas?
Em muitos casos, especialmente entre crianças, a hepatite A pode não provocar sintomas. Quando eles aparecem, os sinais mais comuns são febre, cansaço, enjoo, vômitos, dor abdominal, perda de apetite, urina escura e o amarelamento da pele e dos olhos, conhecido como icterícia. Embora a maioria dos pacientes se recupere completamente, a doença pode evoluir para quadros mais graves, principalmente em adultos e em pessoas que já apresentam outras condições de saúde.
Como evitar a hepatite A?
As autoridades de saúde reforçam que a prevenção depende de medidas simples do dia a dia, como lavar as mãos com frequência, consumir água tratada, higienizar corretamente frutas, verduras e legumes e manter cuidados durante o preparo dos alimentos.
Também é recomendada a utilização de preservativo nas relações sexuais, já que o vírus pode ser transmitido em algumas práticas. Além disso, a vacinação continua sendo uma das principais formas de proteção. A vacina faz parte do calendário infantil e também pode ser indicada para grupos específicos, conforme avaliação dos serviços de saúde.
Estado acompanha avanço da doença
Além do crescimento das notificações, o governo paulista passou a ampliar o acompanhamento das doenças transmitidas por água e alimentos por meio de ferramentas de monitoramento epidemiológico.
O objetivo é identificar rapidamente regiões com maior concentração de casos e orientar ações de prevenção e assistência à população.
Entenda o contexto
A hepatite A é uma doença conhecida há décadas, mas o número de registros voltou a crescer em São Paulo nos últimos anos. Em 2025, o estado já havia apresentado uma alta importante em comparação com o período anterior. Agora, em apenas seis meses de 2026, o total de casos ultrapassou todo o registrado no ano passado.
As autoridades reforçam que a melhor forma de reduzir a circulação do vírus continua sendo a combinação de vacinação, saneamento, higiene e diagnóstico precoce, especialmente diante do aumento das notificações observado neste ano.