Mesmo após recuperar popularidade e voltar à liderança nas pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda enfrenta um obstáculo considerado decisivo para a disputa presidencial de 2026: a rejeição histórica ao Partido dos Trabalhadores. Diante da dificuldade de construir uma candidatura unificada, lideranças da direita apostam no antipetismo como principal estratégia para tentar equilibrar a corrida ao Palácio do Planalto.
Nos últimos meses, Lula reverteu parte do desgaste sofrido no início do terceiro mandato, impulsionado por medidas econômicas, aumento de gastos públicos e pela fragmentação da oposição. Ainda assim, levantamentos eleitorais apontam que uma parcela significativa do eleitorado continua rejeitando o PT, cenário que mantém a disputa aberta.
Segundo pesquisas da Genial/Quaest, entre 36% e 42% dos eleitores afirmam não votar no partido, índice que permanece relativamente estável ao longo do ano. Ao mesmo tempo, a rejeição pessoal de Lula chega a cerca de metade do eleitorado em alguns levantamentos.
Corrupção continua no centro da rejeição ao PT
Analistas apontam que o antipetismo permanece fortemente associado aos escândalos de corrupção envolvendo governos petistas, como o Mensalão e a Operação Lava Jato. Para parte do eleitorado, esses episódios continuam influenciando a percepção sobre o partido, apesar das mudanças no cenário político dos últimos anos.
Além disso, críticas à política econômica, ao apoio do governo brasileiro a regimes de esquerda no exterior, à situação fiscal e ao aumento do custo de vida também são exploradas por adversários como argumentos para ampliar a rejeição ao presidente.
Direita enfrenta problemas internos
Apesar do discurso unificado contra o PT, a oposição ainda enfrenta dificuldades para consolidar uma candidatura competitiva.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), considerado o principal nome do campo conservador, perdeu espaço nas pesquisas nos últimos meses e enfrenta desgastes provocados por disputas internas, críticas à coordenação da campanha e investigações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.
Outros nomes também aparecem como alternativas, entre eles o ex-governador Ronaldo Caiado, que apresenta bom desempenho em alguns cenários de segundo turno, mas ainda encontra dificuldades para crescer nas intenções de voto do primeiro turno.
Disputa segue aberta
Especialistas avaliam que a eleição permanece altamente competitiva. Enquanto Lula tenta ampliar apoio entre eleitores independentes, a direita busca transformar a rejeição ao PT em seu principal combustível eleitoral.
Mesmo com vantagem nas pesquisas, o presidente ainda convive com índices elevados de rejeição, enquanto a oposição tenta superar divisões internas para capitalizar o sentimento antipetista que marcou as últimas disputas presidenciais.