Pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (REDE), elevou o tom das críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao comentar o cenário político que antecede os próximos embates eleitorais.
Em entrevista ao NC News, nesta sexta-feira (24), durante convenção estadual do PDT ela afirmou que prefeitos paulistas têm relatado dificuldades de diálogo com o governo estadual e acusou Tarcísio de “terceirizar” a relação com os municípios.
A fala se deu em resposta às declarações de Tarcísio e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes que afirmaram que São Paulo, estado e cidade, receberam pouco suporte do Governo Federal em áreas prioritárias, como o meio ambiente.
Segundo Marina, durante uma recente viagem ao interior de São Paulo, ouviu de diversos prefeitos que é mais fácil manter contato com o governo federal do que com a administração estadual.
A ministra também criticou as privatizações promovidas pelo governo paulista, como a da Sabesp e das linhas de trens metropolitanos, e afirmou que sua equipe está preparada para discutir propostas e enfrentar os debates políticos que virão.
Outro ponto central da entrevista foi o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Marina afirmou que São Paulo será o estado mais afetado pelas medidas e responsabilizou Tarcísio por, segundo ela, não assumir protagonismo diante dos impactos econômicos.
“Dos prejuízos bilionários provocados pelo tarifaço, mais de 4 bilhões de dólares serão sentidos em São Paulo”, afirmou a ministra, citando setores como o de calçados, café solúvel, etanol e biodiesel entre os mais prejudicados.
Marina ainda criticou a postura do presidente norte-americano, Donald Trump, ao afirmar que as medidas favorecem a exportação de matérias-primas brasileiras, enquanto a industrialização e a geração de empregos permaneceriam nos Estados Unidos.
Ao encerrar a entrevista, a ministra defendeu que o governo estadual deveria assumir maior protagonismo na defesa da economia paulista e afirmou que a população precisa escolher gestores que tratem os problemas do estado “como problemas do governo”, sem transferir responsabilidades.