O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), voltou a negar qualquer participação nas fraudes envolvendo descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração foi feita na tarde desta sexta-feira (24), durante a convenção estadual do PDT, em São Paulo, em entrevista ao NC News.
Ao ser questionado sobre as investigações, Lupi foi enfático ao afirmar que não há qualquer prova que o relacione ao esquema.
“Você tem alguma prova de envolvimento meu? Foram 47 pessoas indiciadas e o meu nome não está lá. Eu não tenho envolvimento nenhum em nada. E eu desafio alguém a provar que eu tenho envolvimento em qualquer irregularidade.”
Na sequência, o ex-ministro ressaltou sua trajetória política e voltou a defender sua conduta.
“Nunca fiz isso. Tenho 46 anos de vida pública, sem um processo a responder.”
As declarações ocorrem poucos dias depois de Lupi prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no INSS. Na comissão, ele também negou qualquer participação no esquema e afirmou que desconhecia a dimensão das irregularidades enquanto comandava o Ministério da Previdência. (Senado Federal)
O que investiga a CPMI do INSS
A CPMI apura um esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O foco da comissão é identificar como entidades realizaram cobranças sem autorização dos beneficiários e apontar eventuais responsabilidades de agentes públicos e privados.
Lupi ocupava o comando do Ministério da Previdência quando a investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União ganhou repercussão nacional. Após o avanço do caso, ele deixou o cargo em maio deste ano. (CNN Brasil)
Durante seu depoimento ao colegiado, o ex-ministro reiterou que não participou das irregularidades e afirmou que nunca teve conhecimento da real dimensão das fraudes enquanto esteve à frente da pasta. (Senado Federal)
Oposição ampliou pedidos contra Lupi
Antes do depoimento, parlamentares da oposição apresentaram requerimentos para ampliar as investigações envolvendo o ex-ministro e outras autoridades ligadas ao caso. A estratégia fazia parte da ofensiva da oposição na CPMI para aprofundar a apuração das responsabilidades políticas e administrativas relacionadas ao esquema de descontos ilegais. (CNN Brasil)
Até o momento, Lupi não figura entre os indiciados nas investigações mencionadas por ele durante a entrevista.
Lupi também comenta cenário eleitoral em São Paulo
Durante a convenção estadual do PDT, Lupi também comentou o cenário político para as eleições em São Paulo e demonstrou confiança na chapa apoiada pelo partido.
“Eu estou muito otimista. Acho que o Haddad é um homem muito preparado para ser governador de São Paulo.”
O ex-ministro também elogiou as candidaturas ao Senado e destacou a aliança formada com Márcio França.
“As duas senadoras são extremamente capazes. Acho que essa é uma chapa, junto com o Márcio França, para ganhar e fazer uma nova São Paulo, crescendo economicamente, gerando emprego, gerando renda e tendo a importância que ela merece.”
Entenda o contexto
As investigações sobre as fraudes no INSS apuram um esquema de descontos associativos considerados irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. A CPMI foi criada para esclarecer como o esquema funcionava, identificar os responsáveis e apontar eventuais falhas de fiscalização. Carlos Lupi, que comandava o Ministério da Previdência quando o caso veio à tona, prestou depoimento à comissão e nega qualquer envolvimento nas irregularidades, posição que voltou a reafirmar durante entrevista concedida ao NC News nesta sexta-feira. (Senado Federal)