Bárbara Borges, ex-paquita e atriz, lamenta ficar fora da turnê “O Último Voo da Nave”, de Xuxa, e assume publicamente o distanciamento da apresentadora.
Ausência sentida em meio à volta da nave
A manifestação de Bárbara ocorre nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro, às vésperas da estreia da turnê que retoma o universo da nave espacial e das paquitas. A ausência de uma das ex-assistentes de palco mais lembradas da fase infantil de Xuxa expõe fissuras num grupo que, por décadas, alimenta a nostalgia de gerações de fãs.
Bárbara diz que não foi convidada para subir ao palco e atribui a situação às divergências que surgem depois de suas declarações em defesa da ex-diretora Marlene Mattos, alvo de críticas renovadas após o documentário “Para Sempre Paquitas”. Ela reconhece que a posição tem custo alto para sua trajetória ligada à apresentadora. “Pago um preço alto”, afirma, ao comentar as consequências do distanciamento.

Defesa de Marlene e racha entre ex-paquitas
O documentário “Para Sempre Paquitas” reacende histórias de bastidores e relatos duros sobre a rotina de trabalho com Xuxa e sua equipe. Nesse ambiente, a decisão de Bárbara de se posicionar em defesa de Marlene Mattos contraria a leitura de parte das ex-paquitas que veem na ex-diretora um símbolo de uma gestão rígida e de episódios traumáticos.
Bárbara, que constrói carreira posterior em novelas e realities, prefere preservar a própria experiência. Mesmo admitindo que a relação com Xuxa muda de patamar depois do documentário e das entrevistas, ela insiste que não guarda ressentimento. Diz compreender a decisão da apresentadora e reforça que não pretende alimentar uma disputa pública com a antiga chefe.
O clima, porém, é de afastamento. Um dia antes, Andréa Sorvetão, outra ex-paquita, já havia tornado público que também está fora do último show de Xuxa, nesse caso por divergências políticas. As duas ausências em sequência escancaram que o reencontro da nave não consegue reunir todas as figuras emblemáticas que o público associa ao auge do programa.
Impacto na turnê e no mercado da nostalgia
A turnê “O Último Voo da Nave” se apoia justamente na força da memória afetiva. A promessa de ver Xuxa cercada pelas ex-paquitas movimenta fãs adultos, dispostos a reviver a infância, e estimula um mercado aquecido de produtos, especiais e eventos que orbitam o universo da apresentadora.
Quando integrantes conhecidas ficam de fora por divergências pessoais, políticas ou por leituras diferentes do passado, a narrativa de reencontro total se quebra. Parte do público tende a sentir falta de rostos como o de Bárbara Borges no palco. Outra parte, movida pela curiosidade, volta os olhos para os bastidores e fortalece o interesse midiático em torno da turnê, dos desentendimentos e das versões conflitantes sobre o legado de Xuxa e sua equipe.
Para produtores e plataformas, o conflito vira conteúdo. O afastamento de Bárbara se soma a depoimentos de outras ex-paquitas e alimenta novas pautas, podcasts, entrevistas e possíveis desdobramentos audiovisuais sobre o período em que a nave dominava a televisão aberta.
Escolha de imagem e custo profissional
Para Bárbara, o movimento tem duas faces. De um lado, ela perde a chance de ligar sua imagem a um produto de grande visibilidade, em uma turnê que desperta atenção nacional e renova contratos de publicidade e presença em eventos ligados à marca Xuxa. De outro, assume um posicionamento que considera coerente com sua história pessoal, mesmo sabendo que isso a afasta de oportunidades imediatas.
Ao admitir que “pago um preço alto”, a atriz indica que o distanciamento não é apenas emocional. A ausência da turnê, em um momento em que a memória da nave volta ao centro do entretenimento, impacta diretamente seu capital simbólico como ex-paquita e também seu trânsito num segmento de shows, convenções e projetos que exploram a nostalgia televisiva.
Aos 24 de julho de 2026, data de referência das declarações, Bárbara segue ativa em trabalhos como atriz e figura pública, distante do convívio profissional com Xuxa, mas ainda muito identificada com o passado na nave. O sobrenome artístico continua inevitavelmente associado ao título de ex-paquita, à passagem por novelas como “Senhora do Destino” e às buscas sobre sua vida pessoal, como a relação com o ator Iran Malfitano, o casamento, os filhos e a idade.
Relações em aberto e futuro da memória da nave
O afastamento entre Xuxa e parte de suas ex-assistentes joga luz sobre uma disputa de narrativas: quem conta a história da nave e de que forma. Documentários recentes, relatos em entrevistas e o silêncio ou a adesão de algumas ex-paquitas à turnê ganham peso na construção da memória pública sobre um dos maiores fenômenos da TV brasileira.
Nos próximos meses, a tendência é que novas falas surjam, seja em defesa da apresentadora, seja em apoio a quem relata episódios de autoritarismo nos bastidores. A maneira como Xuxa lida com as ausências, e como nomes como Bárbara Borges administram esse “preço alto”, deve influenciar futuras produções sobre o grupo, de séries documentais a livros de memórias.
Se o reencontro total da nave parece improvável hoje, a história ainda está em curso. A turnê segue, as ausências se tornam parte da narrativa, e o público acompanha, em tempo real, a disputa por um passado que até pouco tempo parecia apenas um capítulo doce da infância diante da TV.