Senasp lidera operação contra golpe do falso advogado no Pará com R$1 milhão em prejuízos

Forças policiais do Pará e Ceará desarticulam esquema fraudulento que causou grandes perdas financeiras.
Redação NC News
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A Operação Data Venia desarticula um grupo criminoso que aplica o golpe do falso advogado contra moradores do Pará, com prejuízo superior a R$ 1 milhão. A força-tarefa, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com as polícias civis do Pará e do Ceará, cumpre dezenas de mandados e mira uma quadrilha que atua em ao menos cinco estados.

Rede interestadual e prejuízo milionário

A ofensiva tem como foco suspeitos que viviam principalmente no Ceará, mas exploravam vítimas no Pará e em outros estados. Policiais civis cumprem 54 mandados de prisão preventiva e 60 de busca e apreensão domiciliar em Fortaleza, Maracanaú, Caucaia, Morada Nova, Juazeiro do Norte, Brejo Santo e Farias Brito.

Até agora, 37 pessoas são presas. A investigação aponta que centenas de vítimas caem no golpe, muitas vezes depois de anos acompanhando processos judiciais legítimos. O prejuízo no Pará, já comprovado, passa de R$ 1 milhão e ainda pode crescer com a análise do material apreendido.

A estrutura criminosa identificada é complexa, com divisão de tarefas, uso de tecnologia e atuação simultânea em diferentes estados. A Polícia Civil do Pará rastreia conexões da quadrilha também em Mato Grosso, Amazonas e Amapá, o que confirma o caráter interestadual do esquema.

Engenharia social e linguagem jurídica como armas

A investigação é conduzida pela Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Pará, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), e suporte operacional da Polícia Civil do Ceará.

Os golpistas usam engenharia social, uma técnica que explora a confiança e a vulnerabilidade das pessoas para obter dinheiro e dados. Eles se passam por advogados ou funcionários de escritórios de advocacia em aplicativos de mensagens, com fotos, logotipos e nomes que soam verossímeis.

Para dar credibilidade, consultam dados públicos de processos reais, disponíveis em sites de tribunais, e citam números de ações, nomes de juízes e detalhes de decisões. A abordagem costuma começar com a promessa de liberação de valores supostamente bloqueados na Justiça, como indenizações, atrasados de benefícios ou acordos judiciais.

Depois de conquistar a confiança da vítima, o grupo passa a exigir pagamentos por supostas custas judiciais, impostos ou taxas cartorárias. As cobranças são feitas por PIX ou transferência bancária. Os valores variam, mas muitos atingem a economia inteira de famílias, especialmente idosos e pessoas endividadas.

A diretora estadual de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Pará, delegada Vanessa Lee, resume o objetivo da operação: “A desarticulação do grupo criminoso visa estancar os prejuízos de centenas de vítimas que tiveram suas economias lesadas sob falsas promessas de liberações judiciais. As investigações prosseguem para analisar os dispositivos apreendidos, identificar outros envolvidos e mapear o destino dos recursos ilícitos”.

Histórico de crimes e penas pesadas no horizonte

Durante as diligências, os investigadores encontram indícios de que parte dos suspeitos já responde por crimes como tráfico de drogas e roubo. Esse histórico pesa na decisão de pedir prisões preventivas e outras medidas cautelares mais duras.

Os alvos da Data Venia podem responder por estelionato eletrônico, associação criminosa ou organização criminosa, além de lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas ultrapassam 22 anos de reclusão quando há concurso de crimes. A expectativa das autoridades é que, com a análise de celulares, computadores e documentos recolhidos, novos inquéritos sejam abertos para identificar mandantes, operadores financeiros e possíveis ramificações.

Para o sistema de Justiça, a operação tem um efeito simbólico importante. O golpe se apoia na credibilidade de advogados e do próprio Judiciário, o que corrói a confiança da população. Ao atingir um grupo com atuação articulada e reincidente, a polícia tenta dar resposta a uma modalidade de fraude que cresce na esteira da digitalização dos processos.

Resposta coordenada e alerta à população

A Operação Data Venia reforça o papel da Senasp como articuladora de ações integradas de segurança pública. O Ciberlab oferece suporte técnico, cruzamento de dados e inteligência cibernética, enquanto as polícias civis executam as diligências em campo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública aproveita a ofensiva para reforçar orientações preventivas. A recomendação é desconfiar de qualquer pedido de pagamento antecipado, via PIX ou transferência, para liberar valores supostamente vinculados a processos judiciais. Especialistas em segurança pública lembram que depósitos judiciais e liberações de valores seguem caminhos oficiais, nunca condicionados a transferências para contas de terceiros.

A orientação básica é confirmar sempre a informação diretamente com o advogado ou escritório responsável, por canais já conhecidos, como telefones oficiais ou sites institucionais. Em caso de suspeita, a vítima deve registrar boletim de ocorrência, preservar prints de conversas, comprovantes de transferência e números de telefone usados pelos golpistas.

O avanço de operações como a Data Venia tende a pressionar quadrilhas digitais a mudar de estratégia, mas também estimula uma reação do Estado. A aposta do governo federal e das polícias é ampliar cursos, ferramentas e capacitações em crimes cibernéticos, inclusive na modalidade de ensino a distância oferecida pela própria Senasp, para que delegacias em todo o país consigam identificar e bloquear novos golpes com mais rapidez.

Enquanto os 37 presos começam a enfrentar as primeiras audiências de custódia, a equipe da delegada Vanessa Lee mergulha no conteúdo de celulares, computadores e documentos. A expectativa é que novos alvos sejam identificados e que o rastro do dinheiro leve não só a contas de laranjas, mas ao núcleo financeiro da quadrilha. O sucesso dessa etapa vai definir se o golpe do falso advogado perde força de forma duradoura ou apenas migra de plataforma e discurso.

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