Governo critica reação de Durigan e Boulos após declarações de Milei

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que declarações de Dario Durigan e Guilherme Boulos acabaram ampliando a crise diplomática com a Argentina e defendem que a resposta oficial deveria ficar concentrada no Itamaraty.
Redação NC News
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As reações de integrantes da base governista aos ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Alexandre de Moraes e instituições brasileiras provocaram desconforto dentro do próprio governo. Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares do presidente passaram a criticar declarações públicas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Segundo integrantes do governo, a estratégia definida após o episódio era responder à crise exclusivamente pela via diplomática, por meio do Ministério das Relações Exteriores. A avaliação é que manifestações individuais de aliados acabam elevando ainda mais a temperatura da crise e desviando o foco da resposta institucional.

O que provocou o desconforto?
A tensão começou depois que Javier Milei participou de um evento político em São Paulo, no último fim de semana, onde fez duras críticas ao presidente Lula, chamou o petista de “presidiário”, atacou o ministro Alexandre de Moraes e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. As declarações desencadearam uma forte reação diplomática do governo brasileiro.

Apesar da posição oficial já ter sido adotada pelo Itamaraty, integrantes do governo consideram que algumas respostas públicas acabaram extrapolando a estratégia inicialmente definida.

Durigan chamou Milei de “palhaço”
Durante entrevista nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou Milei como “palhaço” e rebateu as críticas do argentino à economia brasileira.

Na mesma entrevista, o ministro afirmou que a oposição busca apoio externo por não conseguir respaldo suficiente dentro do país e voltou a defender os indicadores econômicos do Brasil, comparando-os aos da Argentina.

Nos bastidores, porém, auxiliares de Lula avaliam que esse tipo de manifestação pessoal contribui para aumentar o desgaste diplomático.

Boulos também entrou na discussão
O deputado Guilherme Boulos também fez críticas públicas ao presidente argentino nas redes sociais após o discurso realizado em São Paulo.

Embora integrantes do governo reconheçam que as manifestações refletem a indignação de aliados, a avaliação predominante é que o momento exigia uma resposta institucional, conduzida exclusivamente pela diplomacia brasileira, evitando uma escalada verbal entre autoridades dos dois países.

Itamaraty lidera resposta oficial
A reação oficial do governo brasileiro ficou a cargo do Ministério das Relações Exteriores.

Após os ataques de Milei, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil para prestar esclarecimentos e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, um gesto diplomático considerado de forte insatisfação entre os dois países.

Para integrantes do governo, esse tipo de medida tem mais peso político e diplomático do que respostas individuais dadas por ministros ou parlamentares.

O que pode acontecer agora?
A expectativa no governo é de que a condução da crise permaneça nas mãos do Itamaraty, evitando novas manifestações que possam ampliar o desgaste entre Brasília e Buenos Aires.

Até o momento, não há indicação de ruptura nas relações diplomáticas entre os países, mas o episódio é considerado um dos momentos de maior tensão recente entre Brasil e Argentina.

ENTENDA O CONTEXTO
A crise começou após Javier Milei viajar ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o discurso, o presidente argentino fez ataques ao presidente Lula, ao ministro Alexandre de Moraes e às instituições brasileiras.

O governo respondeu por meio do Itamaraty, adotando medidas diplomáticas consideradas duras. Nos bastidores, porém, integrantes do Planalto passaram a defender que apenas a diplomacia conduza a reação oficial, evitando que declarações individuais de aliados ampliem ainda mais o conflito entre os dois países

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