Lula e Flávio Bolsonaro mobilizam aliados para virar senadores em 2026

Lula e Bolsonaro intensificam articulações para garantir vagas no Senado nas próximas eleições, movimentando aliados estratégicos.
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra de vez na disputa pelo Senado ao gravar um vídeo em que chama o deputado Paulo Pimenta de “meu querido futuro senador” pelo Rio Grande do Sul, enquanto o senador Flávio Bolsonaro anuncia em Brasília a candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal, mesmo com a ausência da ex-primeira-dama no evento do PL.

Lula reforça Pimenta e aposta em palanque forte no RS

No vídeo divulgado nas redes sociais de Paulo Pimenta, Lula não economiza elogios ao aliado gaúcho. O presidente resgata a trajetória compartilhada na militância e transforma o gesto em demonstração explícita de confiança política.

“A gente não escolhe pai, a gente não escolhe mãe, a gente não escolhe irmão, a gente escolhe companheiro, e eu escolhi você para ser meu companheiro”, afirma Lula, num recado que mira o eleitorado gaúcho e, ao mesmo tempo, envia sinal à base petista sobre quem é o nome do Planalto para o Senado no Estado.

Na mensagem, o presidente diz que Pimenta “tem tudo para vencer” e “tem tudo para ser senador”, reforçando a ideia de favoritismo e tentando nacionalizar a disputa. O deputado responde publicamente, agradece o apoio e promete levar ao Senado o “compromisso com o Rio Grande do Sul e o Brasil”.

O movimento também amarra alianças locais. Pimenta reafirma apoio à chapa de Juliana Brizola para o governo gaúcho e de Edegar Pretto como vice, buscando alinhar o projeto estadual à agenda do governo federal. A costura indica tentativa de reconstruir influência petista num Estado historicamente competitivo e fragmentado.

Michelle é lançada à distância e PL expõe fragilidade no DF

Em Brasília, o PL realiza um evento para anunciar candidaturas pelo Distrito Federal e transformar a imagem de Michelle Bolsonaro em trunfo eleitoral. A principal estrela, porém, não aparece. Flávio Bolsonaro explica que a madrasta teve uma crise de enxaqueca e está em tratamento.

“A senadora Bia Kicis, nossa senadora pelo Distrito Federal, vamos precisar muito dela aqui, gente, para a gente resgatar a nossa democracia, junto com a Michelle Bolsonaro, que é a nossa outra candidata ao Senado”, diz Flávio, tentando apresentar um front conservador unificado com duas candidatas ao Senado pelo DF.

Sem Michelle no palco, uma nota assinada por ela é lida para o público. “Sou pré-candidato ao Senado Federal e vou ajudar a edificar a nossa nação, porque governar é cuidar. O meu marido escolheu o Flávio para estar à frente dessa multidão e nós vamos caminhar juntos e a passos largos para impedir que o mal seja audacioso e continue a castigar o nosso povo”, afirma a ex-primeira-dama no texto.

Michelle agradece ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pelo incentivo e cita a “chapa majoritária do DF, com Flávio, Celina, Bia e eu”, que, se “Deus assim o permitir”, será vencedora. Bia Kicis divulga ainda que Michelle disputará com o número 222, um símbolo importante para mobilizar o eleitorado fiel à família Bolsonaro.

A governadora do DF, Celina Leão, acompanha parte do evento, mas deixa o local antes da chegada de Flávio. Mais tarde, relata que tentou levar Michelle ao encontro. “Eu ia buscá-la, mas ela tomou anestesia e estava muito sonolenta. Ela não conseguiu nem gravar um vídeo, que ela queria gravar”, diz Celina, em relato que reforça o quadro de saúde delicado no dia da convenção.

Atritos públicos, divergências no Ceará e disputa interna no PL

A confirmação da candidatura de Michelle encerra uma sequência de idas e vindas provocadas por conflitos com o próprio Flávio Bolsonaro. Em junho, a ex-primeira-dama divulgou vídeo em que diz ter sido “humilhada e desrespeitada” pelo senador em meio à montagem da chapa do PL no Ceará.

Os bastidores envolvem a exclusão de uma aliada de Michelle, Priscila Costa, das negociações locais e a defesa aberta da ex-primeira-dama por uma aliança com Eduardo Girão, do Novo, para o governo cearense. O PL, no entanto, fecha apoio ao tucano Ciro Gomes, crítico frequente de Jair Bolsonaro, o que aprofunda a fissura interna.

Pressionado, Flávio passa a atuar para esfriar a crise. Em um dos vídeos publicados a Michelle, afirma nunca ter desrespeitado mulheres. “Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, declara. Em outra gravação, pede desculpas e reconhece que a briga “é explorada pelos adversários políticos”.

A candidatura de Michelle, costurada nesse ambiente de desconfiança e reconciliação forçada, nasce sob escrutínio. O PL tenta transformar a disputa numa espécie de referendo sobre o bolsonarismo, mas precisa administrar egos, divergências regionais e a concorrência direta com Bia Kicis, que já ocupa uma cadeira no Senado pelo DF.

RS e DF em disputa: quem ganha com os novos palanques

No Rio Grande do Sul, o apoio explícito de Lula tende a inflar a campanha de Paulo Pimenta, que ganha selo de candidato oficial do Planalto ao Senado. A chancela presidencial aumenta tempo de exposição, amplia espaço em palanques e pode atrair eleitores identificados com a agenda econômica e social do governo.

O cálculo político é claro: fortalecer a bancada governista no Senado para reduzir resistências a projetos sensíveis, do orçamento a indicações para os tribunais superiores. Adversários de Pimenta, especialmente no campo de centro e direita gaúcha, passam a enfrentar um concorrente com acesso direto à máquina federal e à imagem de Lula, ainda influente no eleitorado de baixa renda.

No Distrito Federal, a equação é mais complexa. Michelle chega à condição de favorita natural entre bolsonaristas, mas não lidera todas as pesquisas. Levantamento da Paraná Pesquisas, divulgado em 20 de julho, mostra a ex-primeira-dama atrás de Leila do Vôlei nas intenções de voto para o Senado no DF, o que acende alerta no PL.

A presença simultânea de Michelle e Bia Kicis na mesma corrida tende a segmentar o voto conservador, enquanto Leila trabalha para ocupar um espaço de centro competitivo. A campanha de Michelle precisa lidar com a fragilidade exposta por questões de saúde, as marcas da briga com Flávio e a necessidade de se apresentar para além do sobrenome Bolsonaro.

Os dois movimentos — o vídeo de Lula para Pimenta e o lançamento de Michelle à distância — antecipam a centralidade do Senado nas eleições que se aproximam. O resultado das urnas no RS e no DF ajuda a definir o peso de governo e oposição na próxima legislatura, em um Congresso cada vez mais fragmentado.

Nos próximos meses, PT e PL testam suas estratégias nas ruas e nas redes. Pimenta tenta consolidar a imagem de representante direto de Lula no Senado. Michelle e Flávio correm para superar conflitos internos, reorganizar o campo bolsonarista no DF e transformar o número 222 em senha de uma nova arrancada conservadora.

 

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