Policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), com apoio da Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (SSISPEN), deflagraram nesta segunda-feira (03) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de facilitar a entrada de drogas, celulares e acessórios no sistema prisional do Rio de Janeiro.
A ação cumpre mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e na Região Metropolitana. Até o momento, quatro pessoas foram presas.
Uma delas foi detida em flagrante após os agentes encontrarem uma estufa de maconha na residência. As outras três prisões aconteceram durante o cumprimento das ordens judiciais.
Entre os presos está o policial penal Wagner Jardim Dias, apontado pelos investigadores como um dos envolvidos no esquema.
Investigação aponta movimentação milionária de policial penal
Segundo o delegado Marcio Almeida, assistente da Draco, a investigação financeira identificou uma movimentação considerada incompatível com a renda do policial penal.
De acordo com o delegado, em um período de cinco meses, entre junho e novembro, o agente teria movimentado aproximadamente R$ 2 milhões em transações consideradas suspeitas.
“Pela investigação financeira, a gente verificou que havia uma movimentação completamente atípica desse policial, que movimentou no prazo de cinco meses, de junho a novembro, uma quantia elevada, aproximadamente R$ 2 milhões, com diversos depósitos e pessoas envolvidas”, afirmou Marcio Almeida.
Ainda segundo o delegado, os investigadores agora tentam identificar os vínculos entre os envolvidos e descobrir quem seriam os beneficiários dos valores movimentados.
Como funcionava o esquema dentro do sistema prisional
A investigação começou após uma tentativa frustrada de introdução de drogas e celulares em uma unidade prisional do estado.
A partir desse episódio, os agentes iniciaram um trabalho de inteligência com análise de imagens, cruzamento de dados, diligências e investigação financeira.
As apurações indicam que o grupo tinha uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação coordenada para abastecer integrantes de facções criminosas que já estavam presos.
Entre os materiais que seriam introduzidos no sistema penitenciário estavam aparelhos celulares, acessórios e entorpecentes, itens utilizados para manter a comunicação e a articulação de atividades criminosas de dentro das unidades.
Alvo teria feito transferências sem justificativa
Outro ponto identificado pelos investigadores foi a movimentação financeira de um dos principais alvos da operação.
Segundo a Draco, o suspeito realizou mais de R$ 259 mil em transferências em um curto período, sem justificativa econômica aparente e em valores considerados incompatíveis com sua capacidade financeira.
O conjunto de informações reunidas durante a investigação foi apresentado à Justiça, que autorizou as medidas cautelares cumpridas nesta segunda-feira.
O que acontece agora
Com a operação, a polícia busca aprofundar a identificação dos participantes do esquema, esclarecer a relação entre os envolvidos e descobrir se outras pessoas podem ter participado da entrada ilegal de materiais no sistema prisional fluminense.
A investigação continua em andamento.
Entenda o contexto
A entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos em presídios é um dos principais desafios das forças de segurança. Mesmo com revistas e fiscalização, organizações criminosas tentam criar formas de manter comunicação e influência dentro das unidades prisionais.
No caso investigado pela Draco, os agentes apontam que o esquema teria envolvido pessoas com diferentes funções, desde a movimentação financeira até a tentativa de introdução dos materiais proibidos.
A partir das prisões e apreensões realizadas nesta operação, a polícia pretende identificar toda a cadeia de envolvidos e entender como funcionava a logística usada pelo grupo.