Com 15 casos de sarampo confirmados no Estado de São Paulo neste ano, o Ministério da Saúde e o governo paulista ampliam a vacinação contra sarampo e gripe a partir desta segunda-feira. A ofensiva inclui a distribuição de mais de 7,2 milhões de doses da tríplice viral e o início de uma campanha de multivacinação para atualizar cadernetas de crianças e adolescentes.
Campanha mira crianças, adolescentes e adultos até 59 anos
A nova etapa concentra esforços em dois públicos. De um lado, crianças e adolescentes de até 15 anos entram na campanha de multivacinação, com foco em regularizar qualquer atraso no calendário. De outro, em cidades como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a orientação se estende a pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico de doses.
Na prática, qualquer morador dessas faixas etárias pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A indicação vale inclusive para quem não lembra se já tomou a vacina ou perdeu o cartão. Profissionais das UBS conferem a situação de cada paciente e aplicam as doses necessárias.
O Ministério da Saúde afirma que “a atualização da caderneta evita o retorno de enfermidades” que já estavam controladas. A cobertura da primeira dose da tríplice viral no Brasil alcança 92,9% em 2025, mas especialistas veem queda recente na procura, especialmente entre crianças pequenas, o que abre espaço para a volta do sarampo.
Boatos derrubam cobertura; Anvisa reforça segurança
Médicos da rede pública e privada relatam que parte das famílias adia ou recusa vacinas por causa de boatos e desinformação nas redes sociais. As dúvidas vão de supostos efeitos graves à crença de que doenças erradicadas não voltariam a circular. A combinação de menor cobertura com maior circulação de vírus cria o cenário ideal para novos surtos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenta conter o estrago. O órgão reitera que “as vacinas passam por testes e são seguras”. Antes de chegar às salas de vacinação, cada lote passa por análises de qualidade, eficácia e possíveis efeitos adversos. No caso da vacina contra a gripe, o imunizante usa apenas fragmentos do vírus, incapazes de provocar a doença.
O reforço contra a gripe também ganha espaço na atual estratégia. Pessoas com mais de seis meses têm acesso às doses nas UBS, com formulação que protege contra as principais cepas em circulação neste inverno, incluindo o vírus H3N2. A meta é reduzir internações respiratórias e evitar pressão extra sobre prontos-socorros e UTIs.
Rede básica vira linha de frente contra novos surtos
A intensificação da vacinação muda a rotina da atenção básica em São Paulo. Secretarias municipais reorganizam equipes, ampliam horários em algumas unidades e negociam parcerias com escolas, creches e postos volantes em bairros com menor cobertura. O foco é chegar a quem se afastou do sistema de saúde nos últimos anos.
O impacto se espalha pela rede educacional. Escolas e creches recebem orientações para estimular pais e responsáveis a levarem as crianças às UBS, muitas vezes pedindo a apresentação da caderneta atualizada em matrículas ou reuniões. A aposta é usar esses espaços como multiplicadores de informação confiável sobre sarampo, caxumba, rubéola e gripe.
Em cidades com casos recentes, como Guarulhos e São Bernardo do Campo, equipes de vigilância acompanham de perto qualquer suspeita de sarampo. A cada novo paciente com febre alta e manchas na pele, a recomendação é investigar rapidamente, isolar quando necessário e vacinar contatos próximos que estejam com doses atrasadas.
O que muda para a população a partir de hoje
O reforço da tríplice viral e da vacina da gripe altera a rotina de milhões de paulistas. Crianças e adolescentes até 15 anos são chamados a atualizar todo o calendário. Adultos de 6 meses a 59 anos, sobretudo nas cidades com maior risco, ganham a chance de regularizar a proteção contra o sarampo sem burocracia.
Para o sistema de saúde, a conta é clara: cada dose aplicada hoje significa menos risco de internações, sequelas e mortes amanhã. Sarampo é altamente contagioso e pode causar complicações graves, como pneumonia e inflamação no cérebro. A gripe, em suas formas mais severas, também lota hospitais, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
Governos federal, estadual e municipais planejam manter a campanha de multivacinação ao longo do ano, com monitoramento constante da cobertura em cada faixa etária. Se a adesão ficar abaixo do esperado, técnicos já admitem a necessidade de novas ondas de mobilização, busca ativa em áreas vulneráveis e possíveis ações específicas em escolas.
Se os paulistas responderem ao chamado e levarem a caderneta às UBS ainda neste inverno, a expectativa é interromper a cadeia de transmissão do sarampo e manter a gripe sob controle. O resultado pode servir de modelo para outros Estados que enfrentam a mesma combinação de baixa cobertura vacinal e avanço da desinformação.