INSS: PF cumpre 18 mandados contra familiares de Weverton Rocha na Operação Sem Desconto

A PF investiga fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo familiares do senador no INSS.
Redação NC News
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A Polícia Federal deflagra hoje nova fase da Operação Sem Desconto e cumpre 18 mandados de busca e apreensão contra familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz, em Brasília e no Maranhão. A ofensiva mira supostos esquemas de lavagem de dinheiro ligados a fraudes em descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Operação avança sobre núcleo político e familiar

Os mandados são autorizados pelo Supremo Tribunal Federal e atingem diretamente o entorno do senador, que ocupa a vice-liderança do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Investigadores veem Weverton como peça central na sustentação política e financeira do grupo acusado de drenar recursos de beneficiários da Previdência.

Documentos da PF atribuem ao parlamentar o papel de “sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como principal operador do esquema. Segundo a corporação, o senador “era um dos líderes da organização criminosa que fraudou beneficiários do INSS” e “exercia um papel de apoio político ao grupo investigado por fraudes em descontos associativos sobre aposentadorias e pensões do INSS”.

A nova fase aprofunda a investigação sobre a etapa de lavagem de dinheiro. A PF afirma que “as investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”.

Do desconto indevido à suspeita de lavagem

A Sem Desconto nasce para investigar irregularidades em descontos de mensalidades associativas lançadas sem autorização sobre aposentadorias e pensões do INSS. Beneficiários descobriram valores abatidos de forma automática, vinculados a entidades das quais nunca tinham ouvido falar. O esquema, segundo a PF, se apoiava em convênios e cadastros manipulados para alcançar um universo amplo de segurados.

O caso ganha peso político desde o início. A repercussão das fraudes em massa provoca a queda do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, também do PDT, e abre uma frente de desgaste para o partido em Brasília. A partir dali, as apurações deixam de mirar apenas entidades associativas e passam a seguir o rastro do dinheiro.

O foco se desloca para as estruturas montadas para movimentar os valores arrecadados nos descontos indevidos. Segundo a PF, o grupo usa empresas de fachada, contas de laranjas e operações em espécie para embaralhar a origem dos recursos. O elo com o mundo político apareceria justamente nesse ponto, com o suposto suporte de Weverton Rocha ao enriquecimento de Careca do INSS.

Pressão sobre o governo e incerteza no Senado

O avanço da operação sobre parentes do senador e sobre o advogado Willer Tomaz aumenta a tensão no Congresso e no Planalto. Weverton é um dos articuladores da base governista e participa de negociações sensíveis em votações econômicas e de costumes. Um enfraquecimento político pode dificultar a coordenação de projetos de interesse direto do governo.

Aliados admitem, em reservado, preocupação com o efeito acumulado das sucessivas fases da Sem Desconto. A primeira ofensiva contra o senador ocorre meses atrás, quando a PF cumpre mandado de busca e apreensão em sua residência. Na ocasião, ele afirma, em nota, ter recebido “com surpresa a busca em sua residência, com serenidade e se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso à íntegra da decisão”.

Até agora, nem o gabinete de Weverton Rocha nem a defesa de Willer Tomaz comentam a nova ação. No meio político, cresce a expectativa por um pronunciamento mais detalhado e por uma estratégia jurídica estruturada, capaz de conter o dano de imagem para o senador e para o PDT.

Impacto sobre beneficiários e futuro da Previdência

O avanço da Sem Desconto também atinge milhões de segurados do INSS, direta ou indiretamente. O caso expõe falhas graves no controle de consignados e descontos associativos, justamente em um sistema que lida com a renda de aposentados e pensionistas em situação de vulnerabilidade.

Especialistas que acompanham o tema apontam que a investigação tende a acelerar mudanças nas regras de autorização e conferência de descontos em folha. A pressão sobre a Previdência e sobre órgãos de controle pode resultar em sistemas de validação mais rígidos, comunicação obrigatória por múltiplos canais e sanções mais duras a entidades e instituições financeiras envolvidas.

No campo institucional, a operação reforça o protagonismo da PF e do STF no enfrentamento a esquemas que misturam política, empresas e benefícios sociais. O grau de sofisticação da suposta rede criminosa, com uso de laranjas e empresas interpostas, indica um caminho longo até a completa identificação dos beneficiários das fraudes e a eventual recuperação dos recursos.

Próximas etapas da investigação podem incluir novas quebras de sigilo bancário e fiscal, denúncias formais à Justiça e pedidos de medidas cautelares, como afastamento de funções ou restrições de contato entre investigados. A depender do que emergir das buscas de hoje, o caso tende a alimentar o debate sobre responsabilidade de parlamentares na supervisão de políticas sociais e sobre os limites da influência política em órgãos da Previdência.

O desfecho ainda é aberto. A PF trabalha para mapear toda a cadeia do dinheiro desviado; o STF, para calibrar a resposta judicial; e o governo, para conter o impacto político de ter um vice-líder do Senado no centro de uma investigação que põe em xeque a proteção de aposentados e pensionistas no país.

 

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