Debate em Minas é marcado por ausência de favoritos e ataques a Cleitinho e Kalil

Sem Cleitinho Azevedo, Alexandre Kalil e Patrus Ananias, encontro teve ataques aos candidatos ausentes e embates entre Mateus Simões, Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe
Redação NC News
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Por: André Santos

O debate realizado nesta sexta-feira (18), em Belo Horizonte, pela TV Alterosa, em parceria com o Estado de Minas e o Portal Uai, foi marcado pela ausência de três candidatos que aparecem entre os nomes mais citados na disputa pelo governo de Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT). Com apenas três dos candidatos convidados no estúdio, o encontro foi marcado por críticas aos adversários que não compareceram e por embates entre Mateus Simões (PSD), Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL).

Cleitinho informou que não participaria do debate. Kalil justificou a ausência pela recuperação de uma infecção intestinal, enquanto Patrus alegou compromissos de agenda. A ausência dos três permitiu que os candidatos presentes direcionassem parte dos questionamentos aos adversários que não estavam no estúdio.

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Entenda o que aconteceu

A ausência de Kalil foi um dos primeiros assuntos explorados durante o debate. Ao fazer uma pergunta a Mateus Simões, Gabriel Azevedo dirigiu-se à cadeira vazia destinada ao candidato do PDT e fez uma provocação relacionada à justificativa apresentada por Kalil para não comparecer.

Gabriel afirmou que Kalil “tremia” em debates e usou a expressão “borrou as calças” para ironizar o adversário. A fala foi registrada por outros veículos que acompanharam o encontro.

A provocação ganhou novo capítulo no último bloco, quando Gabriel colocou sobre a cadeira destinada a Kalil uma placa com a frase “Kalil eu sei que você treme”. A expressão faz referência a um grito tradicional de torcidas de futebol e também à ligação de Kalil com o Atlético-MG, clube que ele já presidiu. A apresentadora Carolina Saraiva chegou a advertir Gabriel, lembrando que as regras do debate não permitiam a exibição de papéis.

Simões direciona críticas a Cleitinho

Mateus Simões também aproveitou a ausência de Cleitinho para questionar as escolhas feitas pelo senador na formação de sua chapa e de seu grupo político.

O governador citou o candidato a vice de Cleitinho, Luís Eduardo Falcão, afirmando que ele responde a uma CPI relacionada a supostas fraudes na área da saúde quando era prefeito de Patos de Minas.

Simões também criticou o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, que foi indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre fraudes no INSS. Segundo a PF, Pettersen é suspeito de ter recebido R$ 14,7 milhões em propina. O deputado nega as acusações.

As críticas de Simões fazem parte de uma estratégia que o governador já vinha adotando antes do debate. Em entrevista concedida dois dias antes, ele havia cobrado a participação de Cleitinho nos encontros eleitorais e questionado as alianças do senador.

Roscoe critica ausência de Patrus

Flávio Roscoe também utilizou o espaço para criticar um dos candidatos ausentes. O alvo foi Patrus Ananias.

O candidato do PL afirmou que a ausência do petista impedia o confronto direto de propostas e associou a decisão de não comparecer aos debates à necessidade de explicar o governo de Fernando Pimentel, também do PT, que comandou Minas Gerais entre 2015 e 2018.

Roscoe voltou a mencionar Patrus ao discutir questões relacionadas às negociações de Minas Gerais com a União e ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

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Meio ambiente e segurança entram no debate

Depois das provocações dirigidas aos ausentes, parte do encontro ficou concentrada nos candidatos presentes.

Mateus Simões e Gabriel Azevedo protagonizaram embates sobre temas relacionados à gestão ambiental e à segurança pública.

Os dois também trocaram críticas sobre a administração do estado e apresentaram visões diferentes para áreas consideradas estratégicas na campanha ao Palácio Tiradentes.

Ausências voltam a ser tema após o debate

Depois do encerramento do encontro, os três candidatos presentes voltaram a falar sobre os adversários que não participaram.

Mateus Simões criticou principalmente Patrus Ananias e questionou a participação de integrantes do governo Fernando Pimentel em uma eventual administração petista.

“Como que o Patrus vai explicar como é que ele está levando de volta para o governo o pessoal que destruiu o estado. Ele tem que explicar. O Pimentel vai fazer parte do governo dele? Ele vai trazer os secretários do Pimentel de volta?”, questionou o governador.

Gabriel Azevedo também cobrou a presença de Patrus nos debates. O candidato do MDB questionou se o petista estaria sendo utilizado como candidato ao governo para fortalecer a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Alguém te forçou a ser um banquinho, ou a ser apenas um palanque para um candidato à presidência? O senhor tem que vir explicar os motivos de não vir aos debates”, afirmou Gabriel.

Flávio Roscoe, por sua vez, criticou as ausências de Cleitinho, Kalil e Patrus. Para o candidato do PL, a participação nos debates permite que os eleitores comparem propostas e posições.

“Eu acho um desrespeito ao eleitor, que perde a possibilidade de ver as propostas sendo confrontadas”, declarou Roscoe.

Entenda o contexto

A ausência dos três candidatos ocorre em uma disputa na qual Cleitinho aparece na liderança das pesquisas mais recentes. Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro apontou o senador com 37% das intenções de voto, enquanto Patrus Ananias tinha 13%, Alexandre Kalil, 11%, e Mateus Simões, 4%. A pesquisa ouviu 1.204 eleitores entre 8 e 10 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.

O debate desta sexta-feira foi mais um episódio de uma campanha marcada por discussões sobre a situação fiscal de Minas, o Propag, segurança pública, infraestrutura e alianças políticas. Em agosto, no primeiro debate televisionado da eleição, realizado pela Band, cinco candidatos participaram e Patrus foi o único ausente.

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