Marinho propõe que 49 senadores possam levar pedido de impeachment ao plenário

Projeto apresentado no Senado cria prazos para análise de denúncias contra ministros do STF e prevê recurso ao plenário em caso de arquivamento
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, apresentou nesta sexta-feira (18) o Projeto de Resolução 54/2026, que propõe mudanças no rito de análise de denúncias por crime de responsabilidade contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. A proposta estabelece prazos para que a Presidência do Senado analise os pedidos e cria a possibilidade de recurso ao plenário.

VEJA TAMBÉM:

Após problema em viagem aérea, equipe de Zequinha Marinho nega desaparecimento do senador

Como funcionaria

Atualmente, segundo o Poder360, o Regimento Interno do Senado não estabelece um prazo específico para que o presidente da Casa decida sobre o recebimento ou indeferimento de uma denúncia desse tipo. O projeto de Marinho pretende estabelecer esse prazo em 30 dias úteis.

Pela proposta, o pedido só poderia ser indeferido em quatro situações:

  • quando o denunciante não tiver legitimidade;
  • se o denunciado tiver deixado definitivamente o cargo;
    quando não forem cumpridos os requisitos formais previstos em lei;
  • se os fatos relatados, mesmo considerados verdadeiros, não configurarem crime de responsabilidade.

Caso o presidente do Senado não tome uma decisão dentro dos 30 dias úteis, a análise passaria automaticamente para a Mesa do Senado. O colegiado teria outros 30 dias úteis para decidir, por maioria simples, se recebe ou indefere o pedido.

E onde entram os 49 senadores?

Se o pedido fosse indeferido pelo presidente do Senado ou pela Mesa, 9 senadores poderiam apresentar um recurso ao plenário, no prazo de 30 dias úteis após a publicação da decisão.

O recurso teria de ser incluído na Ordem do Dia em até cinco sessões deliberativas ordinárias. Para que fosse aprovado, seriam necessários 49 votos, equivalentes a três quintos dos 81 senadores.

Se alcançasse esse número, a denúncia seria considerada recebida e seguiria para as próximas etapas do processo.

Ou seja: os 49 votos não representam, por si só, a aprovação de um impeachment. Pela proposta, eles permitiriam que uma denúncia anteriormente indeferida fosse considerada recebida e tivesse prosseguimento.

Próxima etapa

Depois do recebimento da denúncia, o projeto prevê a instalação de uma comissão especial. Segundo o texto apresentado, essa comissão teria até 120 dias, a partir de sua instalação, para concluir as deliberações e atos de sua competência previstos no Regimento do Senado e na Lei do Impeachment.

LEIA TAMBÉM:

Rogério Marinho acusa Moraes de usar inquérito para pressionar Mendonça e convoca reação no 7 de Setembro

O que diz Marinho

Na justificativa do projeto, Marinho afirma que a ausência de prazo para a análise inicial permite que pedidos permaneçam sem apreciação por tempo indeterminado. Segundo o senador, a proposta busca tornar o procedimento mais previsível e evitar tanto a paralisação indefinida quanto a banalização dos pedidos de impeachment.

Entenda o contexto

A proposta surge em meio à pressão de setores da oposição no Senado pela análise de pedidos de impeachment contra ministros do STF. O projeto, porém, ainda não altera o rito atual: trata-se de uma proposta de resolução que precisa tramitar e ser analisada pelo Senado.

O texto apresentado por Marinho busca justamente criar mecanismos para que uma decisão sobre o recebimento de uma denúncia não fique indefinidamente concentrada na Presidência da Casa.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:

iPhone 18 Pro chega ao Brasil nesta sexta-feira; veja preços, novidades e prazo de entrega

Corinthians perde em casa, Memphis desperdiça pênalti e Timão cai na Libertadores

Quem foi Anne Frank? A história da adolescente judia que virou símbolo da perseguição nazista e foi chamada de “vitimista”

Carregar Comentários