Oficializado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (05), o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) protagonizou em março um dos bate-bocas mais violentos já vistos na CPMI do INSS. A sessão, que deveria focar em desvios de aposentadorias, virou palco para xingamentos de “estuprador”, “bandido” e ameaças de cassação.
Toda a confusão começou de forma calculada. Antes de iniciar a leitura do relatório final da investigação, Gaspar decidiu provocar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia votado contra a prorrogação da comissão alegando inconstitucionalidade.
Para alfinetar o decano, o deputado resgatou uma fala polêmica de Luís Roberto Barroso, dita em 2018 durante uma áspera discussão com Gilmar Mendes na Suprema Corte.
A ‘poesia’ que incendiou a oposição
Gaspar chamou as ofensas de Barroso de “poesia” e leu o trecho na íntegra no microfone, reabrindo feridas entre a base governista e a oposição. A fala original disparada contra Mendes dizia:
“Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia. A vida, para vossa excelência, é ofender as pessoas. É bílis, é ódio, mau sentimento, mal secreto. É uma coisa horrível”.
A leitura arrancou aplausos imediatos da oposição, mas causou revolta generalizada entre os parlamentares alinhados ao governo.
O embate explosivo com Lindbergh Farias
Indignado com a cena, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) interrompeu a sessão aos gritos, questionando em voz alta se a comissão havia virado um “circo”. A fala irritou o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), que ameaçou expulsar o petista sob a justificativa de que ele estava chamando os colegas de “palhaços”.
O que era uma discussão política rapidamente desceu o nível para ataques pessoais criminais diretos entre Gaspar e Lindbergh:
- O ataque: Lindbergh Farias disparou os gritos e chamou Alfredo Gaspar de “estuprador”.
- O revide: Gaspar não recuou e retrucou a ofensa chamando o parlamentar petista de “bandido”.
Defesa e Conselho de Ética
Com os ânimos contidos pela presidência da mesa, Gaspar conseguiu finalmente ler o seu relatório, que propõe o indiciamento criminal de mais de 200 pessoas ligadas às fraudes nas pensões e aposentadorias.
Logo após a leitura, ele usou o tempo para se defender publicamente da acusação de estupro feita pelo adversário. O deputado alegou que o crime sexual em questão foi cometido por um primo e afirmou que a paternidade da criança gerada já foi reconhecida na Justiça há cinco anos.
Gaspar prometeu levar o caso às últimas consequências para punir o petista.
“A verdade sempre aparece, o bem sempre vence. Claro que vou processar. Já entrei no Conselho de Ética”, cravou o deputado alagoano e candidato a vice-presidente.
Agora, o relatório explosivo vai a voto. No entanto, os governistas já articulam a criação e aprovação de um documento paralelo para tentar derrubar o parecer oficial e esvaziar o poder da oposição na reta final dos trabalhos.