Raízen: conheça a gigante dos postos Shell que teve conta bloqueada pela justiça

Empresa criada por Cosan e Shell atua na produção de açúcar e etanol, distribuição de combustíveis e transição energética; recuperação extrajudicial busca reorganizar as finanças
Redação NC News
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A Raízen, uma das maiores empresas do setor de energia do Brasil, entrou no centro das atenções após anunciar um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e reorganizar sua estrutura financeira.

Apesar da crise, a companhia informou que as operações seguem normalmente. A empresa é responsável pela distribuição e comercialização da marca Shell no Brasil, além de atuar em diferentes etapas da cadeia de produção de açúcar, etanol, combustíveis e energia.

A recuperação extrajudicial é uma tentativa de reestruturar os compromissos financeiros por meio de um acordo com credores, antes de uma eventual recuperação judicial.

Como surgiu a Raízen

A Raízen foi criada em 2011, a partir de uma joint venture entre a Cosan e a Shell. O negócio uniu a experiência da Cosan na produção de açúcar e etanol à operação de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil.

Cosan e Shell estão diretamente conectadas à Raízen, que teve conta bloqueada

A operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2012. Na época, a companhia foi avaliada em aproximadamente US$ 12 bilhões, com participação dividida igualmente entre as duas empresas.

O nome Raízen surgiu da combinação das palavras “raiz” e “energia”, em referência às origens da companhia no setor sucroenergético e à sua atuação no mercado de energia.

O que a Raízen faz

A empresa possui uma operação integrada e atua em diferentes áreas. A Raízen produz açúcar, etanol de primeira e segunda geração, bioeletricidade e biogás.

A companhia também investe no etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar, como bagaço e palha.

Raízen produz açúcar, etanol de primeira e segunda geração, bioeletricidade e biogás.

Postos Shell, aviação e logística

A empresa é responsável pela distribuição e comercialização da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai. No Brasil, sua operação abastece postos de combustíveis, aeroportos e grandes clientes corporativos dos setores de transporte, agronegócio, mineração e indústria.

A companhia também administra as lojas de conveniência Shell Select e Shell Café, presentes em postos da rede.

A Raízen também fornece combustível para companhias aéreas e para a aviação executiva.

Sua estrutura logística inclui 68 bases de abastecimento em aeroportos e mais de 70 terminais de distribuição de combustíveis, segundo informações divulgadas pela própria companhia. A empresa também oferece soluções para clientes corporativos, incluindo ferramentas de gestão e controle de abastecimento de frotas.

Postos Shell são administrados pela Raízen

Expansão internacional

A operação internacional da Raízen ganhou força em 2018, quando a companhia adquiriu ativos de refino e distribuição da Shell na Argentina.

A empresa passou a atuar também no Paraguai, ampliando sua presença no mercado sul-americano. Atualmente, a companhia informa contar com mais de 46 mil funcionários e aproximadamente 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar.

As ações da companhia são negociadas na B3 pelo código RAIZ4, referente a ações preferenciais. Os papéis acumulam forte desvalorização nos últimos anos em meio à pressão financeira enfrentada pela empresa.

Segundo os dados apresentados no levantamento, as ações acumulam queda de 70,11% no período considerado. Em 2026, a baixa chega a 35,80%. O valor de mercado da companhia estava estimado em aproximadamente R$ 5,38 bilhões.

Por que a empresa entrou em recuperação extrajudicial?

O pedido ocorre em meio ao aumento da pressão financeira sobre a Raízen.

A empresa busca negociar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas e reorganizar seus compromissos com credores.

A recuperação extrajudicial permite que a companhia negocie um plano diretamente com determinados grupos de credores e, posteriormente, busque a homologação da Justiça.

A estratégia tem como objetivo preservar as operações da empresa enquanto sua estrutura financeira é reorganizada.

Quem controla a Cosan?

A Raízen nasceu da parceria entre Cosan e Shell, mas a Cosan é controlada pelo empresário Rubens Ometto e sua família por meio da holding Aguassanta. A Cosan também possui ações negociadas na B3 e conta com investidores minoritários.

No ano passado, a Aguassanta Participações firmou acordos com os fundos BTG Pactual e Perfin para realizar um aporte de capital na Cosan.

 

Cosan fez parte da base da Raízen

A operação teve como objetivo contribuir para a redução do endividamento do grupo. Pelo acordo, a Aguassanta manteve os direitos de voto na companhia. Segundo estimativas da Forbes citadas no levantamento, Rubens Ometto possui fortuna de aproximadamente US$ 1,5 bilhão.

Entenda o contexto

A crise financeira da Raízen ocorre em meio a outro episódio que colocou a companhia no radar da Justiça. O juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Criminal de São Paulo, determinou inicialmente o bloqueio e o sequestro de bens e contas de pessoas e empresas investigadas em um caso de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas.

A decisão alcançou a Raízen e outros investigados e determinou o bloqueio solidário de mais de R$ 10 bilhões. Segundo a investigação, a empresa entrou no caso após uma transferência de R$ 120 mil feita em 2023 por uma companhia apontada como ligada ao grupo investigado. A Polícia Federal apura se a utilização da conta da Raízen poderia ter sido usada para dar aparência de legalidade à movimentação dos recursos.

A Raízen nega qualquer relação com os crimes investigados e afirma que os R$ 120 mil correspondem à quitação regular de uma operação comercial. A defesa também questionou a proporcionalidade da decisão, argumentando que uma operação de R$ 120 mil não poderia justificar o bloqueio de patrimônio superior a R$ 10 bilhões.

Posteriormente, após a manifestação da companhia, uma nova decisão determinou a revogação do bloqueio de cerca de R$ 10 bilhões. Portanto, a medida cautelar inicialmente determinada não permanece, neste momento, nos mesmos termos.

O episódio, porém, acrescenta uma nova frente de pressão sobre a companhia justamente quando a Raízen tenta reorganizar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas por meio de recuperação extrajudicial. A empresa afirma que suas operações continuam normalmente enquanto negocia a reestruturação financeira.

Nota da Raízen

A Raízen enviou uma nota para a NC News sobre o bloqueio de contas

A Raízen esclarece que não tem qualquer relação com os fatos sob investigação da Policia Federal. A companhia adotou as medidas judiciais cabíveis, esclarecendo e documentando os fatos para que a decisão fosse revista. Com isso, foi proferida nova decisão, determinando a revogação da ordem do bloqueio de cerca de R$ 10 bilhões.

A Companhia reforça que atua de forma ética, transparente, responsável e não compactua com qualquer prática ilegal ou indevida.

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