As estações da Linha 5-Lilás do metrô de São Paulo ganharam um novo aliado para melhorar a limpeza dos espaços de circulação dos passageiros. Robôs autônomos começaram a atuar na higienização das estações Capão Redondo, Campo Limpo e Santa Cruz, trazendo uma mudança no processo de manutenção dos ambientes.
A tecnologia adotada pela Motiva reduziu de forma significativa o tempo necessário para a limpeza das plataformas e também diminuiu o consumo de água. Antes, uma operação levava cerca de 3h30 e utilizava aproximadamente 980 litros de água. Com os novos equipamentos, o serviço passou a ser feito em cerca de 40 minutos, usando apenas 15 litros por operação.
Na prática, a mudança representa uma economia de 98,47% no volume de água utilizado, além de reduzir desperdícios de produtos e tornar o processo mais eficiente.
Como funcionam os robôs de limpeza da Linha 5-Lilás?
Os equipamentos utilizados pela concessionária contam com inteligência artificial e sistemas avançados de navegação para realizar a limpeza de plataformas e mezaninos.
Antes de iniciar o trabalho, os robôs fazem um mapeamento das áreas onde irão atuar. Sensores identificam obstáculos, calculam trajetos e ajustam automaticamente as rotas para evitar interferências durante a operação.
Segundo Taila Roberta de Souza Lopes, analista de atendimento da Linha 5-Lilás, a tecnologia foi adotada justamente para dar mais agilidade e continuidade ao processo de limpeza em espaços de grande circulação.
“As nossas áreas, as nossas dependências, elas são muito grandes e hoje, com o uso da tecnologia, nós temos o ganho de manter o nosso processo contínuo nas atividades de limpeza aqui das estações. Então, foi um marco muito importante para a gente, não só trazendo a tecnologia, mas garantindo os processos”, afirma Taila.
A segurança também é apontada como um dos principais benefícios da tecnologia. Os equipamentos possuem sensores capazes de identificar obstáculos e pessoas durante o deslocamento.
“O benefício maior para nós, ele é a segurança. Então, ele tem sensores onde ele identifica obstáculos e pessoas, garantindo ali toda a circulação das pessoas, sem que ocorra algum tipo de acidente”, destaca a analista de atendimento da Linha 5-Lilás.
Os robôs também permitem que as equipes selecionem manualmente as áreas que serão higienizadas. Para isso, os espaços são previamente mapeados pelo equipamento.
“Nós temos também a questão do mapeamento das áreas. Então, todas as áreas são mapeadas, onde a gente pode selecionar manualmente qual é a área que o robô vai fazer”, complementa Taila.
Ao todo, dois robôs estão em funcionamento:
- um atende as estações Capão Redondo e Campo Limpo;
- outro atua na estação Santa Cruz.
Tecnologia já é comum em estações na China
A experiência internacional também ajudou a inspirar a adoção da tecnologia. Taila esteve na China e acompanhou de perto o uso de robôs em espaços de grande circulação.
Segundo ela, os equipamentos já fazem parte da rotina de locais como estações de trem e shoppings.
“O robô lá é muito comum. Então, nas áreas muito similares à nossa, como estações de trens, shoppings, a circulação de robô lá é normal.”
Durante a viagem, a analista também participou de uma feira voltada à área de higiene e tecnologia. A experiência serviu para conhecer soluções que podem ser adaptadas aos processos realizados nas estações brasileiras.
“A principal [experiência] da China foi uma feira de higiene, pensando em tecnologias. Então, para que a gente possa trazer alguns estudos que possam implementar nos nossos processos aqui, otimizando e garantindo qualidade e produtividade nas nossas operações”, finaliza Taila Roberta de Souza Lopes, analista de atendimento da Linha 5-Lilás.
Robôs trabalham sem atrapalhar passageiros
Nesta primeira fase, os equipamentos são utilizados fora do horário comercial, justamente para evitar impactos na circulação dos clientes.
A operação é acompanhada em tempo real por equipes treinadas, que monitoram o funcionamento dos robôs e podem agir rapidamente caso seja necessário algum ajuste.
A expectativa é que, futuramente, o uso da tecnologia possa ser ampliado para outros períodos de menor movimento nas estações.
Tecnologia muda rotina das equipes de limpeza
A chegada dos robôs não substitui o trabalho das equipes responsáveis pela conservação das estações.
Segundo a concessionária, a tecnologia permite que os profissionais concentrem esforços em tarefas mais específicas, como limpezas técnicas, áreas de difícil acesso e atividades que exigem maior atenção.
Com isso, o objetivo é unir automação e trabalho humano para aumentar a qualidade do serviço oferecido aos passageiros.
Sustentabilidade ganha espaço na operação do metrô
Além de acelerar a limpeza, a iniciativa faz parte de uma estratégia de modernização dos processos da Linha 5-Lilás, com foco no uso mais eficiente dos recursos.
A redução no consumo de água é um dos principais impactos da novidade, especialmente em um cenário de busca por soluções mais sustentáveis em grandes sistemas de transporte.
A tecnologia também ajuda a manter os ambientes mais organizados e confortáveis ao longo do dia, contribuindo para uma experiência melhor para quem utiliza o transporte público.
Entenda o contexto
A Linha 5-Lilás é uma das principais ligações do transporte metroviário da zona sul de São Paulo e atende diariamente milhares de passageiros.
Com o aumento da demanda e a necessidade de manter estações sempre conservadas, empresas responsáveis pela operação têm buscado novas soluções tecnológicas para melhorar processos internos.
O uso de robôs autônomos faz parte de uma tendência de automação em serviços urbanos, utilizando inteligência artificial e sensores para executar tarefas repetitivas com mais precisão.
A experiência acompanhada na China também mostra como esse tipo de tecnologia já vem sendo incorporado à rotina de espaços de grande circulação.
Com os resultados obtidos nessa fase inicial, a expectativa é que a tecnologia possa ser expandida para outros pontos da operação.