Prefeitura de SP anuncia urbanização de Paraisópolis com investimento de R$ 2,33 bilhões

Prefeitura de São Paulo publicou edital para obras de moradia, saneamento, mobilidade e novos equipamentos públicos na região
Redação NC News
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A Prefeitura de São Paulo publicou nesta terça-feira (18) o edital do Programa Nova Paraisópolis, projeto que prevê uma grande transformação urbana em Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro, na zona sul da capital. A intervenção tem investimento estimado em R$ 2,33 bilhões e reúne obras de infraestrutura, habitação, saneamento, mobilidade e equipamentos públicos.

O projeto é considerado pela prefeitura uma das maiores intervenções urbanísticas planejadas para a região. Parte importante dos recursos, cerca de R$ 1,67 bilhão, veio do leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs) realizado em agosto de 2025.

O que está previsto para Paraisópolis?

O programa foi dividido em três grandes áreas: infraestrutura urbana, habitação e equipamentos públicos.

Entre as intervenções previstas estão obras de drenagem, saneamento, requalificação de ruas e vielas, arborização, iluminação pública e enterramento da rede aérea.

O planejamento também prevê a requalificação de aproximadamente 40,9 quilômetros de ruas e vielas, além da implantação de redes de água e esgoto para milhares de famílias. A prefeitura também pretende concluir a canalização dos córregos Antonico e Itararé e criar parques lineares na região.

Uma das principais mudanças envolve a mobilidade

Uma das propostas que pode alterar diretamente a rotina de quem vive na região é a extensão da Avenida Hebe Camargo.

A intervenção pretende criar uma ligação mais direta entre a comunidade e a região da Estação São Paulo-Morumbi, do Metrô. Segundo o planejamento apresentado pela prefeitura, o deslocamento entre os pontos poderá cair de cerca de 45 minutos para 15 minutos.

Também estão previstas intervenções em ruas e vielas que atualmente apresentam dificuldades de circulação.

Em alguns pontos, vielas com aproximadamente 60 centímetros de largura poderão ser ampliadas para até três metros, segundo informações divulgadas pela administração municipal.

Projeto prevê novas moradias

A habitação é outro dos principais eixos do programa.

O planejamento prevê a conclusão dos empreendimentos Sanfona e Vila Andrade, que juntos terão 812 unidades habitacionais. Também estão previstas outras 2 mil novas moradias destinadas a famílias que vivem em áreas de risco.

O edital determina que as empresas responsáveis apresentem estratégias para organizar o andamento das obras e o reassentamento das famílias.

A intenção declarada pela prefeitura é manter os moradores dentro do próprio território sempre que possível e reduzir a necessidade de utilização de moradias provisórias.

A questão é especialmente sensível porque moradores e lideranças comunitárias já manifestaram preocupação com possíveis remoções provocadas pelas obras. Em junho, moradores cobraram mais diálogo com o poder público e defenderam que as intervenções sejam realizadas sem expulsar famílias da comunidade.

Região terá UPA 24 horas, escolas e novos equipamentos

O projeto também prevê a criação e ampliação de equipamentos públicos.

Entre eles estão uma UPA 24 horas, um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e melhorias em unidades básicas de saúde.

Na educação, o programa prevê duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental e três Escolas Municipais de Educação Infantil. Também está planejado um Centro Esportivo e Educacional com cerca de 16 mil metros quadrados, incluindo piscina olímpica e quadras poliesportivas.

A região do Grotão e da Praça da Paz deverá receber um polo cultural, esportivo e ambiental, além de um Centro de Oportunidades voltado ao empreendedorismo e à qualificação profissional.

No Jardim Colombo, o projeto prevê ainda um Complexo Multiuso com espaços culturais e esportivos, unidade de educação infantil e praça.

De onde vem o dinheiro?

O principal recurso destinado ao projeto veio da Operação Urbana Consorciada Faria Lima.

Em agosto de 2025, um leilão de CEPACs arrecadou aproximadamente R$ 1,67 bilhão. De acordo com as informações divulgadas sobre o programa, esse dinheiro foi destinado às intervenções em Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro.

O investimento total estimado para a intervenção chega a aproximadamente R$ 2,33 bilhões, com complementação por outras fontes.

Quando as obras começam?

A publicação do edital abre uma nova etapa do programa. A contratação será feita pelo modelo de contratação integrada, no qual a empresa ou consórcio vencedor ficará responsável tanto pela elaboração dos projetos quanto pela execução das obras.

O programa foi dividido em três lotes, considerando áreas como Porto Seguro, Jardim Colombo, Paraisópolis Noroeste e Paraisópolis Sudeste. Os contratos terão vigência prevista de 48 meses após a assinatura.

Portanto, a publicação do edital não significa que todas as obras começarão imediatamente. Primeiro será necessário concluir o processo de contratação e definir as empresas responsáveis pela execução.

O que muda para quem mora na região?

Se todas as intervenções previstas forem executadas, o programa poderá alterar aspectos importantes da vida cotidiana em Paraisópolis e nos bairros próximos.

A proposta envolve desde o acesso ao transporte e ao saneamento até novas moradias, escolas, unidades de saúde, espaços de esporte e áreas verdes.

Ao mesmo tempo, o reassentamento de famílias será um dos pontos que exigirão maior atenção durante a execução do projeto.

A prefeitura afirma que o planejamento deve priorizar a permanência das famílias no território. Para os moradores, porém, a forma como as remoções e as obras serão conduzidas será determinante para avaliar o impacto real da intervenção.

Entenda o contexto

O Programa Nova Paraisópolis foi planejado para enfrentar problemas históricos de infraestrutura, habitação, saneamento e mobilidade em uma região que reúne mais de 120 mil moradores.

A Prefeitura de São Paulo realizou uma consulta pública em junho para receber contribuições da população antes da publicação do edital. O projeto agora entra na fase de contratação das empresas que deverão elaborar os projetos e executar as intervenções.

O desafio será transformar o planejamento em obras efetivas sem perder de vista a rotina das famílias que já vivem no território.

Com investimento estimado em R$ 2,33 bilhões, o programa representa uma mudança de grande escala para Paraisópolis e coloca a comunidade no centro de uma das maiores intervenções urbanísticas previstas atualmente na capital paulista.

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