Os principais candidatos e representantes das chapas que disputam o governo de São Paulo em 2026 participaram nesta quarta-feira (19) de uma reunião com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador José Antonio Encinas Manfré. O encontro terminou com a adesão de cinco candidaturas ao chamado “Compromisso pela Democracia”, mas também com uma recusa que chamou atenção.
A representante da chapa do PSTU, Renata França, decidiu não assinar o documento. Ela entregou uma carta ao presidente do TRE-SP explicando as razões da decisão e afirmou concordar com o combate à desinformação e com o respeito ao resultado das urnas, mas criticou o que considera desigualdade entre os candidatos durante a campanha.
O que é o compromisso proposto pelo TRE-SP?
O documento apresentado pela Justiça Eleitoral tem como objetivo reduzir os efeitos da disseminação de informações falsas que possam atingir a democracia, o processo eleitoral ou a própria Justiça Eleitoral.
A proposta também busca estimular um ambiente de campanha baseado na divulgação de informações corretas e no respeito ao resultado das urnas.
Entre os candidatos e representantes que aderiram estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), Márcio França (PSB), que representa a chapa de Fernando Haddad (PT), Vivian Mendes (UP), Edjane Lima (Agir) e uma representante da candidatura de Fabiana Medrado (PCB).
Por que o PSTU decidiu não assinar?
A divergência apresentada pelo PSTU não foi, segundo Renata França, em relação ao combate à desinformação ou ao respeito ao resultado eleitoral.
A crítica está relacionada às condições de disputa entre as candidaturas.
Renata questionou principalmente a desigualdade no acesso à televisão, ao rádio e aos debates eleitorais. Para o partido, esses fatores interferem diretamente na capacidade de cada candidatura de apresentar suas propostas aos eleitores.
A representante formalizou a posição em uma carta entregue ao presidente do TRE-SP.
O que disseram os candidatos?
Tarcísio de Freitas afirmou que apoiará a iniciativa da Justiça Eleitoral e se comprometeu a defender a democracia e a divulgação de informações corretas durante a campanha.
O governador também destacou a dimensão da eleição em São Paulo e o trabalho de preparação realizado pela Justiça Eleitoral para organizar a votação no maior colégio eleitoral do país.
Márcio França também defendeu a importância da Justiça Eleitoral e chamou atenção para o uso da estrutura pública durante a campanha.
Segundo ele, servidores públicos precisam ter cuidado para não utilizar o horário e a estrutura do Estado em benefício eleitoral de uma candidatura, situação que, na avaliação dele, poderia desequilibrar a disputa.
Vivian Mendes afirmou que a UP assinaria o compromisso e relacionou a adesão à defesa da democracia. A candidata também declarou preocupação com questões relacionadas à soberania brasileira e disse que a legenda pretende combater a desinformação durante a campanha.
Edjane Lima, do Agir, também afirmou que não pretende propagar informações falsas nem estimular a polarização durante a disputa. Entre as prioridades apresentadas por ela estão saúde, educação, segurança e defesa das mulheres.
Por que a desinformação preocupa nas eleições de 2026?
A disseminação de informações falsas se tornou um dos principais desafios das eleições brasileiras, principalmente com o avanço das redes sociais e das ferramentas capazes de produzir conteúdos manipulados.
Nesse cenário, a Justiça Eleitoral busca reforçar a responsabilidade de candidatos e partidos na divulgação de informações durante a campanha.
O compromisso apresentado pelo TRE-SP faz parte dessa tentativa de reduzir o impacto de conteúdos que possam comprometer a confiança dos eleitores no processo eleitoral ou nas instituições responsáveis pela organização das eleições.
O que acontece agora?
A eleição para o governo de São Paulo ainda terá pela frente uma campanha marcada por disputas políticas, debates e confronto de propostas.
A assinatura do compromisso representa uma adesão pública de parte das candidaturas às diretrizes apresentadas pelo TRE-SP, enquanto a decisão do PSTU mostra que também existem críticas sobre as condições em que os candidatos participarão da disputa.
A tendência é que questões como acesso aos meios de comunicação, participação em debates, uso da estrutura pública e combate à desinformação ganhem ainda mais espaço conforme a eleição se aproxime.
ENTENDA O CONTEXTO
O TRE-SP apresentou aos candidatos ao governo paulista um compromisso voltado à defesa da democracia e ao combate à desinformação nas eleições de 2026. Cinco candidaturas aderiram à iniciativa, enquanto o PSTU optou por não assinar.
A legenda afirma concordar com o combate às informações falsas e com o respeito ao resultado das urnas, mas questiona a desigualdade existente entre as candidaturas, principalmente no acesso à televisão, ao rádio e aos debates.
O episódio mostra que, além da disputa política entre os candidatos, as regras e as condições de participação na campanha também devem entrar no centro das discussões eleitorais em São Paulo.