Os Correios abriram um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) após a primeira etapa da iniciativa registrar adesão abaixo da meta estabelecida pela estatal. As inscrições começaram nesta quinta-feira (20) e seguem até 30 de setembro.
O novo programa faz parte do processo de reestruturação financeira dos Correios e oferece incentivos para empregados que optarem voluntariamente pelo desligamento. A medida busca adequar o quadro de funcionários às mudanças previstas na operação da empresa.
Primeiro programa ficou abaixo da meta
A primeira fase do PDV, apresentada no fim de 2025 e executada ao longo deste ano, tinha como objetivo alcançar aproximadamente 10 mil desligamentos.
No entanto, apenas 3.181 empregados aderiram ao programa, o equivalente a cerca de 31% do público-alvo. Com a baixa adesão, os Correios passaram a estudar medidas complementares para reduzir o número de funcionários e os custos permanentes da estatal.
A economia estimada com o primeiro programa ficou em torno de 40% do valor inicialmente projetado. A estatal calculava uma economia anual de aproximadamente R$ 2,1 bilhões quando o impacto do programa estivesse totalmente incorporado.
Quem pode aderir
O novo programa é direcionado a empregados que estejam lotados, desde janeiro de 2025, em unidades que já foram afetadas ou que ainda serão incluídas no processo de otimização da rede e reestruturação dos Correios.
A adesão não significa desligamento automático. Os pedidos passam por uma análise para verificar se o funcionário atende aos requisitos previstos no regulamento e se o desligamento é compatível com as necessidades operacionais e a disponibilidade financeira da empresa.
Quanto os funcionários podem receber
O incentivo financeiro varia conforme as características de cada empregado, considerando fatores como tempo de serviço, idade e adicionais relacionados à aposentadoria e incorporação.
Os valores ficam entre R$ 24,4 mil e R$ 459 mil, pagos em parcela única. Segundo as regras divulgadas, o pagamento é feito até o décimo dia do mês seguinte ao desligamento e não há incidência de Imposto de Renda nem recolhimento de FGTS sobre o incentivo.
Crise financeira pressiona estatal
O novo PDV ocorre em meio a uma grave crise financeira enfrentada pelos Correios.
A estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. Somente no primeiro trimestre de 2026, o resultado negativo chegou a aproximadamente R$ 3,1 bilhões, valor 82,35% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Para enfrentar a situação, os Correios adotaram um plano de reestruturação que inclui, além dos programas de desligamento, a venda de imóveis sem uso operacional e mudanças na organização da rede.
A empresa também captou R$ 12 bilhões em crédito com um grupo de bancos para reforçar a liquidez e regularizar compromissos financeiros.
Reestruturação prevê redução do quadro
O planejamento dos Correios prevê uma redução significativa do quadro de funcionários nos próximos anos. A estratégia considera 10 mil desligamentos em 2026 e outros 5 mil em 2027, como parte do processo de reorganização da estatal.