Os Correios acumularam um prejuízo de aproximadamente R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados de um balanço prévio obtido pelo g1. O resultado mantém a estatal em uma situação financeira delicada e reforça o desafio enfrentado pela empresa para recuperar as contas.
O valor ainda não representa o balanço semestral oficial. As demonstrações financeiras estão em fase de consolidação e deverão ser divulgadas posteriormente pelos Correios, após aprovação pelas instâncias responsáveis.
Mesmo assim, os números preliminares mostram que a empresa continua registrando perdas expressivas. Somente no segundo trimestre, o prejuízo teria ficado em aproximadamente R$ 2,2 bilhões. Nos primeiros três meses do ano, os Correios já haviam registrado resultado negativo de R$ 3,158 bilhões.
Receitas ficam praticamente estáveis
Um dos principais pontos do balanço prévio é que a receita da estatal praticamente não apresentou crescimento na comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre janeiro e junho de 2026, os Correios teriam registrado aproximadamente R$ 8,16 bilhões em receitas, contra cerca de R$ 8,18 bilhões no primeiro semestre de 2025.
Ou seja, mesmo com a redução de algumas despesas, a empresa não conseguiu ampliar de maneira significativa o dinheiro que entra em caixa.
Ao mesmo tempo, as despesas totais recuaram de aproximadamente R$ 13,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões, uma redução de cerca de R$ 1,1 bilhão.
A queda, porém, não foi suficiente para evitar o resultado negativo bilionário.
Despesas financeiras disparam
Um dos fatores que chamam atenção nos números é o forte aumento das despesas financeiras.
Segundo o balancete prévio, essa conta passou de aproximadamente R$ 590 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 1,6 bilhão nos primeiros seis meses de 2026, uma alta de 179%.
A categoria inclui despesas relacionadas a juros e multas de operações financeiras, contratos e empréstimos.
O aumento ocorre depois de os Correios contratarem uma operação de crédito de R$ 12 bilhões no fim de 2025, em meio ao processo de recuperação financeira da empresa.
Resultado vem após rombo recorde em 2025
A situação financeira dos Correios já vinha preocupando antes mesmo dos números de 2026.
Em 2025, a estatal encerrou o ano com prejuízo de aproximadamente R$ 8,5 bilhões, considerado o pior resultado da história da empresa.
No primeiro trimestre de 2026, o prejuízo chegou a R$ 3,158 bilhões, praticamente o dobro dos R$ 1,725 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
A sequência de resultados negativos fez com que a estatal adotasse medidas para tentar reduzir custos e melhorar sua situação financeira.

Logística apresenta crescimento
Apesar do cenário negativo, alguns setores apresentaram desempenho melhor.
A receita relacionada aos serviços de logística teria passado de aproximadamente R$ 205 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 423 milhões no mesmo período de 2026.
O crescimento mostra uma tentativa da estatal de fortalecer áreas consideradas estratégicas diante das mudanças no mercado de entregas e do avanço do comércio eletrônico.
As encomendas internacionais, por outro lado, representaram cerca de R$ 355 milhões em receitas no semestre.
Empresa tenta reduzir despesas
Os Correios vêm adotando uma série de medidas para tentar conter o avanço das perdas.
Entre as iniciativas estão programas de demissão voluntária, renegociação de contratos, venda de imóveis, negociação de dívidas com fornecedores e mudanças no modelo de negócios.
A empresa também busca reorganizar sua estrutura financeira e operacional para tentar voltar a apresentar resultados sustentáveis.
No primeiro trimestre, por exemplo, as despesas com pessoal ficaram em aproximadamente R$ 2,7 bilhões, abaixo dos R$ 2,8 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Balanço oficial ainda será divulgado
Apesar da dimensão do resultado, é importante destacar que o valor de R$ 5,4 bilhões ainda é preliminar.
Os Correios informaram que as demonstrações financeiras do primeiro semestre estão sendo consolidadas e ainda precisam passar pelas instâncias competentes antes da divulgação oficial.
Por isso, o resultado final poderá sofrer ajustes em relação aos números apresentados no balancete prévio.
O cenário, porém, já mostra que a estatal permanece diante de um dos períodos financeiros mais desafiadores de sua história.