Zema critica juros, apostas e governo durante visita à 25 de Março em SP

Candidato do Novo à Presidência conversou com comerciantes e defendeu mudanças nas relações de trabalho, redução da burocracia e uma postura mais ativa do Brasil nas negociações internacionais.
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O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, esteve na manhã desta sexta-feira (21) na tradicional Rua 25 de Março, no Centro Histórico de São Paulo, onde conversou com comerciantes e ouviu reclamações sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.

Durante a visita, Zema voltou a criticar as apostas esportivas, afirmou que os jogos estão retirando dinheiro do comércio e defendeu mudanças na política econômica brasileira. O candidato também falou sobre juros, informalidade, relações trabalhistas, comércio com a China e a atuação do Brasil no cenário internacional.

Zema diz que apostas retiram dinheiro do comércio

Ao comentar as conversas que teve com comerciantes da 25 de Março, Zema afirmou que recebeu relatos que, segundo ele, reforçam sua crítica às apostas esportivas.

O candidato disse que as bets estariam retirando recursos do comércio, da indústria e da geração de empregos. Também defendeu a proibição das apostas e citou uma estimativa de mais de R$ 60 bilhões por ano movimentados nesse contexto.

“As bets estão retirando dinheiro do comércio, da indústria, da geração de empregos”, afirmou Zema.

O candidato também relacionou as dificuldades do comércio aos juros elevados. Segundo ele, manter estoques no Brasil custa cerca de 20% ao ano, enquanto citou uma comparação de aproximadamente 6% em outros países.

Juros altos e burocracia entram no discurso

Para Zema, os preços elevados dos produtos brasileiros também estão relacionados ao custo do crédito.

O candidato atribuiu os juros altos ao que chamou de “gastança do governo federal” e listou outros problemas que, em sua avaliação, prejudicam a competitividade do país: carga tributária, logística, condições das estradas, insegurança jurídica e complexidade das leis trabalhistas.

Zema também afirmou que o Brasil atravessa um processo de desindustrialização e criticou o governo federal pela condução da economia.

Proposta de flexibilização trabalhista

Questionado sobre sua proposta de flexibilizar contratos de trabalho e permitir maior negociação direta entre empregados e empresários, Zema afirmou que pretende simplificar as regras e ampliar a formalização.

O candidato argumentou que empregador e trabalhador são adultos capazes de negociar suas relações de trabalho e criticou o que considera uma visão de que o empresário é necessariamente um explorador e o empregado, alguém incapaz de decidir.

Segundo Zema, a legislação atual pode incentivar a informalidade. Ele citou como exemplo trabalhadores que desejam ampliar a jornada para aumentar a renda e acabam recorrendo a trabalhos informais por causa das limitações existentes.

“O que eu quero é simplificar, é tornar mais inclusivo o mercado de trabalho”, disse.

O candidato também citou estudantes que procuram trabalhos aos fins de semana e, segundo ele, encontram dificuldades para conseguir contratos formais.

Zema promete negociar diretamente com outros países

Durante a conversa, o candidato também falou sobre sua atuação como eventual presidente nas relações comerciais internacionais.

Zema afirmou que pretende manter relações comerciais com diferentes países e defendeu uma postura que, segundo ele, não coloque o Brasil automaticamente ao lado da China ou dos Estados Unidos.

Ao falar sobre os BRICS, declarou que o grupo não deveria ser tratado como um bloco econômico e defendeu que o Brasil busque relações comerciais amplas. Também afirmou que pretende aproximar o país da OCDE, que classificou como uma espécie de certificação de seriedade e compromisso.

O candidato ainda criticou a política externa do atual governo e afirmou que pretende negociar diretamente com outros países quando houver problemas que possam afetar a economia brasileira.

“Quando você quer resolver um problema, você vai atrás. Você não fica no seu gabinete aguardando ele ser solucionado.”

Comércio da 25 de Março e produtos chineses

A escolha da 25 de Março para a visita também levou Zema a falar sobre a relação do comércio brasileiro com fornecedores chineses.

O candidato foi questionado sobre o impacto de uma eventual mudança na relação do Brasil com os BRICS e sobre o comércio de produtos chineses na região.

Zema afirmou que pretende melhorar as relações comerciais com a China, Índia e outros países, mas defendeu que o Brasil mantenha independência em sua política externa.

“Bota de chumbo” para o setor produtivo

Ao falar diretamente aos empresários e comerciantes, Zema resumiu sua proposta econômica com uma metáfora.

Segundo o candidato, o empreendedor brasileiro carrega diariamente uma “bota de chumbo”, enquanto empresas de outros países enfrentariam custos menores para produzir.

“Eu quero reduzir o peso da bota de chumbo que todo empreendedor brasileiro calça diariamente na hora que sai de casa.”

Na avaliação de Zema, a redução da burocracia, da carga regulatória e dos custos para empresas seria fundamental para aumentar a competitividade brasileira.

O candidato também defendeu medidas mais duras contra a criminalidade e afirmou que sua proposta é criar um ambiente em que empresas que produzem e geram empregos tenham menos obstáculos por parte do governo.

“Se você trabalha, se você produz, se você gera empregos, o governo não vai te atrapalhar. Agora, se você é bandido, você vai ver comigo.”

Entenda o contexto

A visita de Romeu Zema à 25 de Março ocorreu em meio à pré-campanha para as eleições presidenciais de 2026. O candidato aproveitou o contato com comerciantes para apresentar propostas relacionadas à economia, trabalho, segurança, comércio exterior e relações internacionais.

Entre os principais pontos apresentados estão a flexibilização das relações trabalhistas, redução da burocracia para empresas, combate à informalidade, críticas aos juros elevados e mudanças na política externa.

As declarações sobre economia, trabalho e relações internacionais fazem parte das propostas e avaliações apresentadas pelo próprio candidato durante a visita.

 

 

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