O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que o vazamento de informações sigilosas pode acabar prejudicando a investigação que apura suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração foi dada nesta segunda-feira (24), durante uma manifestação de Haddad sobre as críticas feitas pela defesa de Lulinha à divulgação de informações relacionadas ao inquérito da Polícia Federal.
O caso ganhou um novo capítulo depois que o advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, pediu que fossem investigadas as circunstâncias dos vazamentos. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou que a Polícia Federal apure como informações protegidas por sigilo chegaram ao conhecimento público.
Para Haddad, a preocupação não está apenas na divulgação das informações, mas nas consequências que uma eventual irregularidade pode provocar dentro da própria investigação.
Haddad vê risco de questionamentos no processo
Segundo o candidato, autoridades precisam respeitar as regras estabelecidas para a investigação, inclusive quando o caso envolve uma figura politicamente relevante.
“Se você quiser se valer da sua autoridade para quebrar um sigilo definido pela Justiça, você vai acabar incidindo num erro”, afirmou Haddad.
Na avaliação do petista, uma eventual violação de sigilo pode acabar sendo utilizada posteriormente para questionar a validade de atos praticados durante a apuração.

A preocupação, portanto, é que um procedimento irregular hoje possa produzir consequências jurídicas no futuro.
“Você pode ter até dividendos políticos de curto prazo, mas não vai fazer justiça no médio e longo prazo”, disse.
Caso envolve filho mais velho de Lula
O inquérito da Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha. A investigação está sob sigilo, o que tornou a divulgação de informações do caso um ponto adicional de discussão.
A defesa de Lulinha questionou justamente a exposição de informações que deveriam permanecer protegidas.
Após o pedido, André Mendonça determinou que a própria Polícia Federal investigue a origem dos vazamentos.

A apuração sobre os vazamentos é diferente da investigação que envolve as suspeitas atribuídas a Lulinha. São, portanto, duas questões que precisam ser separadas: uma busca esclarecer os fatos relacionados ao filho do presidente; a outra tenta descobrir como informações sigilosas chegaram ao público.
Haddad defende liberdade para investigadores
Durante a declaração, Haddad também afirmou que o governo federal não deve interferir no trabalho das autoridades responsáveis pelas investigações.
Para o candidato, ministros, superintendentes e delegados precisam ter autonomia para conduzir as apurações de acordo com as provas reunidas.
A posição apresentada por Haddad é que o resultado final deve ser respeitado independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado pela investigação.
“O que importa é fazer justiça. Doa a quem doer, seja qual for o resultado”, declarou.
O Caso Lulinha

Entenda o contexto
A investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ganhou atenção política após informações sigilosas do inquérito da Polícia Federal chegarem ao conhecimento público. A defesa do filho mais velho de Lula questionou os vazamentos e pediu que sua origem fosse investigada.
O ministro André Mendonça, do STF, determinou a apuração sobre como esses dados deixaram o ambiente protegido do processo. Fernando Haddad afirmou que a divulgação irregular de informações pode acabar prejudicando a própria investigação, caso atos praticados fora das regras sejam posteriormente utilizados para questionar a validade do processo.
A apuração sobre os vazamentos, porém, não significa conclusão sobre as suspeitas investigadas contra Lulinha, que ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes com base nas provas reunidas.