Vice de Pablo Marçal é alvo da PF por suspeita de desviar R$ 750 mil do fundo eleitoral

Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, é investigado por suposto esquema que teria usado empresas intermediárias, transferências e até a conta do filho adolescente para movimentar recursos
Redação NC News
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A Polícia Federal investiga Leonardo Avalanche, presidente do PRTB e candidato a vice na chapa presidencial de Pablo Marçal, por suspeita de participação em um esquema que teria desviado R$ 750 mil do fundo eleitoral durante as eleições municipais de 2024.

A apuração começou a partir de uma denúncia anônima e ganhou novos contornos depois da quebra dos sigilos bancários dos investigados. Segundo relatórios parciais da PF enviados à Justiça de São Paulo, os investigadores identificaram transferências entre empresas, saques em dinheiro e movimentações envolvendo familiares de Avalanche.

Um dos pontos que mais chamou a atenção da investigação foi a movimentação da conta do filho de Avalanche, que tinha 13 anos na época. De acordo com a PF, o adolescente movimentou R$ 751 mil em oito meses analisados pelos investigadores, incluindo valores posteriormente transferidos aos pais.

A investigação ainda não foi concluída. Até o momento, a PF encaminhou apenas relatórios parciais à Justiça, e os envolvidos são investigados, não condenados.

Como o dinheiro teria circulado

Segundo a investigação, o PRTB transferiu R$ 750 mil para o escritório de advocacia de Samuel Alves de Azevedo, secretário-geral do partido, no início de setembro de 2024.

A partir daí, os investigadores identificaram uma série de movimentações que levantaram suspeitas sobre a utilização de empresas como intermediárias.

Segundo a investigação, o PRTB transferiu R$ 750 mil para escritório de advocacia | Foto: Reprodução

Entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, aproximadamente R$ 501 mil teriam chegado a contas ligadas a Avalanche e seus familiares por meio de duas empresas apontadas pela PF como suspeitas: JFX Consultoria e Superstar Corporate Ltda.

A movimentação chamou atenção porque parte dos recursos não seguiu diretamente do escritório de advocacia para os familiares do dirigente partidário.

O dinheiro que voltou para o escritório

Em setembro de 2024, o escritório de Samuel Azevedo fez duas transferências para Ana Cláudia Ferreira de Faria Alves, mulher de Avalanche, que totalizaram R$ 100 mil.

Pouco mais de um mês depois, nos dias 11, 12 e 14 de outubro, ela devolveu o mesmo valor ao escritório em três transferências.

Para a PF, a devolução pode ter ocorrido depois que os envolvidos perceberam que uma transferência direta entre a conta do escritório e a mulher de Avalanche poderia chamar atenção.

Dez dias depois, porém, Ana Cláudia recebeu R$ 150 mil da Superstar Corporate Ltda., uma das empresas que aparecem na investigação.

Conta de adolescente entra no radar

Outro ponto considerado relevante pelos investigadores envolve o filho de Avalanche. Segundo a PF, a Superstar Corporate transferiu R$ 100 mil para o adolescente, que tinha 13 anos naquele momento.

A análise bancária apontou que o garoto movimentou R$ 751 mil durante os oito meses abrangidos pela quebra de sigilo. Parte dos valores teria circulado posteriormente entre a conta do adolescente e as contas dos próprios pais.

A movimentação fez com que a PF levantasse a hipótese de que a conta poderia ter sido utilizada para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

A investigação também identificou uma instituição financeira considerada incomum pelos policiais nas operações envolvendo a família de Avalanche: a Cooperativa de Livre Admissão e dos Advogados Ltda.

Leonardo Avalanche é pré-candidato à vice-presidente da República | Foto: Reprodução

Empresas também são investigadas

A Superstar Corporate Ltda., responsável por parte das transferências identificadas, tinha como endereço cadastrado uma rua residencial no bairro de Americanópolis, na periferia de São Paulo.

O sócio da empresa à época, Cristiano Silva Coelho, tinha endereço registrado em Vilhena, em Rondônia.

Outra empresa que entrou no radar dos investigadores foi a JFX Consultoria, criada em abril de 2024, poucos meses antes das eleições municipais. A empresa teria realizado R$ 160 mil em transações com pessoas investigadas.

A suspeita da PF é que a companhia tenha sido utilizada para intermediar pagamentos e dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

Também foram encontrados repasses da empresa de Adevando Junior, então tesoureiro do PRTB, para familiares de Avalanche. Entre eles estão dois pagamentos de R$ 50 mil, um destinado à esposa do dirigente e outro ao filho.

Avalanche será ouvido pela Polícia Federal

Leonardo Avalanche afirmou que colabora com as investigações e que confia na apuração das autoridades.

Em manifestação sobre o caso, o presidente do PRTB disse que não poderia comentar detalhes específicos da investigação fora dos autos.

“Não me é possível comentar aspectos específicos do caso fora dos autos.”

Avalanche afirmou ainda que pretende prestar eventuais esclarecimentos perante a autoridade policial e no momento processual considerado adequado.

O dirigente foi intimado a prestar depoimento nas próximas semanas.

Pablo Marçal também foi procurado por meio de sua assessoria, mas não respondeu.

Quem é Leonardo Avalanche?

O nome de Leonardo Avalanche ganhou projeção nacional em 2024, quando ele esteve à frente do PRTB durante a candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo.

A campanha de Marçal terminou no primeiro turno, mas colocou o partido no centro da disputa eleitoral e aumentou a exposição de seu presidente. Desde então, Avalanche passou a enfrentar uma série de problemas judiciais.

Leonardo Avalanche, presidente do PRTB e investigado pela Polícia Federal | Foto: Reprodução

No início de 2026, ele se tornou réu na Justiça Eleitoral de São Paulo em um processo no qual o Ministério Público o acusa de violência política e associação criminosa.

Segundo a acusação, Avalanche teria participado de uma articulação para fraudar uma eleição interna do partido que resultou em sua chegada à presidência da legenda, com suposto uso de documentos falsos e filiações retroativas.

Ele também foi acusado de perseguir integrantes de um grupo político adversário dentro do próprio partido.

Presidente do PRTB já foi associado ao PCC

Outro episódio que colocou Avalanche no centro das atenções ocorreu em 2024, quando uma gravação divulgada publicamente mostrou o dirigente afirmando ter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na ocasião, Avalanche afirmou não reconhecer a própria voz na gravação.

A suposta ligação com a facção também aparece mencionada em acusações apresentadas contra o dirigente.

É importante ressaltar que uma acusação ou menção em investigação não equivale a uma condenação. As suspeitas ainda precisam ser analisadas pela Justiça.

De candidato a vice de Marçal

Avalanche chegou a lançar o próprio nome para disputar a Presidência da República em 2026.

No entanto, acabou conduzindo a entrada de Pablo Marçal na chapa presidencial do PRTB no período final para o registro das candidaturas.

A composição ocorre em um momento especialmente delicado para Marçal.

O empresário está inelegível até 2032, após condenação do TRE-SP por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral também determinou que a campanha de Marçal não tenha acesso aos recursos do fundo eleitoral e partidário e não participe de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão enquanto a situação jurídica da candidatura é analisada.

Um patrimônio de quase meio bilhão

Além da posição de destaque dentro do PRTB, Avalanche aparece entre os candidatos mais ricos das eleições de 2026.

Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, ele informou possuir R$ 495 milhões em patrimônio.

Desse total, aproximadamente R$ 491 milhões estão declarados em criptomoedas.

O salto patrimonial chama atenção quando comparado à declaração apresentada por Avalanche em 2018. Naquele ano, quando concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados por Goiás, ele havia informado R$ 380 mil em bens.

Em oito anos, portanto, a diferença declarada chega a centenas de milhões de reais.

Com o patrimônio informado em 2026, Avalanche aparece entre os cinco candidatos mais ricos da eleição.

Entenda o contexto

A investigação da Polícia Federal sobre Leonardo Avalanche começou após uma denúncia anônima apontar um possível desvio de recursos do fundo eleitoral do PRTB durante as eleições municipais de 2024.

O partido teria repassado R$ 750 mil ao escritório de seu secretário-geral, Samuel Alves de Azevedo, e, a partir daí, os investigadores identificaram transferências envolvendo empresas e familiares de Avalanche. A quebra de sigilo também revelou movimentações na conta do filho do dirigente, que tinha 13 anos na época.

A PF suspeita que empresas intermediárias e contas de familiares possam ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro. A investigação ainda está em andamento e não representa, por si só, uma conclusão de culpa.

Paralelamente, Avalanche enfrenta outros processos e acusações na Justiça Eleitoral e se tornou uma das figuras centrais do PRTB após conduzir a candidatura de Pablo Marçal. Agora, além da disputa política, o dirigente terá de prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre as movimentações financeiras que estão sob investigação.

 

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