A BYD oficializou a Mako, nova picape média eletrificada da marca que será produzida em Camaçari (BA). O modelo terá sistema híbrido plug-in flex e chega ao mercado brasileiro com a missão de disputar espaço com picapes como Fiat Toro e Ram Rampage.
A previsão é que o lançamento comercial ocorra no último trimestre de 2026, com preços estimados entre R$ 180 mil e R$ 200 mil. A estratégia coloca a Mako no centro de uma disputa que deve ganhar força com a chegada de novos modelos eletrificados ao segmento.
Picape nasce brasileira com foco em preço competitivo
A Mako entra em um segmento que ainda tem poucas opções no Brasil: o de picapes médias com algum grau de eletrificação e preço próximo ao das caminhonetes mais populares.
A produção nacional, em Camaçari, na Bahia, deve ajudar a BYD a controlar custos logísticos e tributários e a adotar uma estratégia de preço mais agressiva. O projeto também amplia a transformação do polo automotivo baiano, que passou a receber investimentos da montadora chinesa.
O lançamento está previsto para ocorrer antes da Volkswagen Tukan, cuja chegada ao mercado é esperada para 2027. Com isso, a BYD pretende conquistar espaço antes que uma das principais concorrentes eletrificadas entre oficialmente na disputa.
Híbrida plug-in flex pode rodar até 100 km no modo elétrico
A BYD Mako utiliza como base a arquitetura do Song Plus, SUV da própria fabricante. Segundo informações ligadas ao desenvolvimento do projeto, a picape compartilha elementos estruturais e de interior com o utilitário esportivo.
A expectativa é que o conjunto mecânico seja semelhante ao utilizado pelo Song Pro, combinando um motor 1.5 aspirado flex com um propulsor elétrico. A configuração projetada entrega cerca de 219 cv de potência e 30,6 kgfm de torque.
A bateria prevista tem 18,3 kWh, com recarga externa em corrente alternada de até 6,6 kW. A autonomia exclusivamente elétrica deve ficar próxima de 100 km, dependendo da configuração definitiva e das condições de uso.
O sistema híbrido plug-in também permite abastecimento com etanol ou gasolina, característica especialmente importante para o mercado brasileiro. Em trajetos urbanos curtos, o motorista poderá utilizar predominantemente o modo elétrico, reduzindo a necessidade de abastecimento do tanque.
A possibilidade de recarga em casa ou em pontos públicos também diferencia a Mako das picapes convencionais, que continuam dependentes exclusivamente de combustíveis líquidos.
Interior inspirado nos SUVs da BYD
Por dentro, a Mako segue a linguagem visual adotada pela BYD em seus SUVs mais recentes. A cabine deve contar com duas telas de alta definição, uma destinada ao painel de instrumentos e outra à central multimídia.
A central terá integração com serviços do Google, ampliando as possibilidades de navegação, comandos por voz e utilização de aplicativos.
O acabamento também deve se aproximar do padrão utilizado pela família Song, com materiais de melhor qualidade nas áreas de contato e uma apresentação mais próxima à de um SUV do que à de uma picape tradicional.
A estratégia da BYD pode incluir diferentes configurações do sistema híbrido e da bateria, permitindo trabalhar com faixas distintas de preço e autonomia.

Mako entra na disputa com Toro e Rampage
Em dimensões, a Mako deverá ficar próxima das principais picapes intermediárias vendidas no Brasil. A projeção aponta para aproximadamente 5 metros de comprimento e entre-eixos próximo de 3 metros.
Essas medidas permitem oferecer espaço interno generoso e uma caçamba compatível com o segmento, sem abandonar completamente a utilização urbana.
O posicionamento de preço também será determinante. Caso a Mako realmente chegue entre R$ 180 mil e R$ 200 mil, ficará próxima de versões de Fiat Toro e Ram Rampage, mas com uma diferença importante: o sistema híbrido plug-in flex.
A tecnologia pode representar uma vantagem para consumidores que utilizam a picape diariamente na cidade e têm acesso a pontos de recarga, enquanto o motor a combustão oferece maior flexibilidade para viagens longas.

BYD e Volkswagen disputam a nova geração das picapes
A apresentação da Mako em amarelo, pouco depois de a Volkswagen revelar a Tukan na mesma tonalidade, chamou atenção no mercado. A coincidência de cores ganhou interpretação simbólica em meio à disputa entre as duas fabricantes.
Mais importante que a provocação estética, porém, é a corrida tecnológica. A BYD quer chegar ao mercado com uma picape produzida no Brasil, híbrida plug-in e flex, enquanto a Volkswagen prepara sua própria entrada no segmento eletrificado.
A chegada de novos modelos pode pressionar fabricantes tradicionais a acelerar projetos de eletrificação. Para consumidores, a disputa tende a significar mais opções de motorização, equipamentos e preços.
O desafio da BYD agora é transformar a promessa em produto. A empresa ainda precisará concluir a preparação da produção em Camaçari, definir versões e preços, ampliar a disponibilidade nas concessionárias e garantir uma estrutura de pós-venda capaz de sustentar a expansão da tecnologia híbrida no país.
Se conseguir cumprir esse cronograma, a Mako poderá se tornar um dos principais lançamentos da BYD no Brasil em 2026 e colocar a eletrificação definitivamente no centro da disputa entre as picapes médias.