Condenado a mais de 25 anos de prisão por um assalto à casa de um promotor em Bertioga, no litoral de São Paulo, Alexsandro Cantuária de Souza tenta provar na Justiça que foi confundido com um dos criminosos. A defesa apresentou laudos papiloscópicos que, segundo os advogados, não foram considerados no processo original e mostram que nenhuma das 133 impressões digitais recolhidas nas cenas do crime pertencia a ele.
Condenação foi baseada em reconhecimento
Alexsandro foi acusado de participar do assalto ocorrido em junho de 2020. Segundo a reportagem, o reconhecimento pelas vítimas teve papel central na acusação. Elas haviam descrito um dos criminosos como um homem de olhos verdes e com marcas de acne.
A defesa afirma que o reconhecimento ocorreu por meio do WhatsApp e que Alexsandro acabou sendo apontado principalmente pelas características físicas.
Laudo encontrou digital de outro homem
Durante a perícia, foram recolhidas 133 impressões digitais em diferentes locais relacionados ao crime. Um laudo apontou que nenhuma delas pertencia a Alexsandro.
Outro documento identificou uma impressão digital atribuída a Felipe Benício Ramos na porta do veículo de uma das vítimas. Segundo a reportagem, esse resultado foi encaminhado à polícia, mas não foi anexado aos autos na época da ação penal. Felipe Benício, por meio da defesa, também afirma ser inocente.
Defesa apresenta novos elementos
Além das digitais, a defesa de Alexsandro cita registros de telefonia que indicariam que o celular usado por ele permaneceu no Guarujá no período do assalto, enquanto o crime ocorreu em Bertioga.
Os advogados também afirmam que não foram encontrados contatos entre Alexsandro e os demais acusados pela participação no roubo.
O Ministério Público, porém, se opõe à revisão criminal e sustenta que o reconhecimento feito pelas vítimas e outros elementos reunidos no processo sustentam a condenação.
Caso agora será analisado pela Justiça
A defesa conseguiu obter os laudos por meio de uma Ação de Justificação Criminal, homologada pela Justiça em julho de 2026. Agora, os documentos serão analisados no processo de revisão criminal.
Alexsandro permanece preso e tenta reverter a condenação. A família afirma que as três filhas do comerciante estão há mais de um ano sem conviver com o pai.