Fim da escala 6×1 avança no Senado: veja o que pode mudar na jornada, nas folgas e no salário

Relatório mantém proposta aprovada pela Câmara, prevê dois dias de descanso remunerado e redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais; texto ainda precisa passar pelo Senado antes de entrar em vigor.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A rotina de quem trabalha seis dias para folgar apenas um pode estar perto de mudar. A proposta que acaba com a chamada escala 6×1 avançou no Senado e já tem relatório pronto para ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O texto, relatado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), mantém a versão aprovada pela Câmara dos Deputados e estabelece uma mudança gradual na jornada de trabalho. A ideia é garantir dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução de salário, e diminuir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

Mas atenção: a escala 6×1 ainda não acabou.

A proposta precisa avançar no Senado e, caso seja aprovada, ainda seguirá as etapas necessárias para entrar efetivamente em vigor.

O que muda para o trabalhador?

Na prática, a principal mudança é a passagem do modelo 6×1 para 5×2.

Hoje, a legislação permite uma jornada de até 44 horas semanais, com pelo menos um dia de descanso semanal. A proposta estabelece que o trabalhador passe a ter dois dias de repouso remunerado a cada semana, preferencialmente com um deles aos domingos.

O objetivo é reduzir o tempo dedicado ao trabalho sem diminuir a remuneração.

Ou seja: a proposta não prevê corte de salário para compensar a redução da jornada.

 

A mudança não acontece de uma vez. É justamente aqui que está um dos principais detalhes da proposta.

A redução da jornada será gradual.

Depois de dois meses da publicação da eventual emenda constitucional, passariam a valer os dois dias de descanso remunerado por semana. Nesse primeiro momento, a jornada máxima seria reduzida de 44 para 42 horas semanais.

Depois de mais um ano, a jornada chegaria definitivamente às 40 horas semanais.

Como ficaria a transição?

Hoje: até 44 horas por semana e escala 6×1.

Primeira etapa: dois dias de descanso remunerado e jornada máxima de 42 horas.

Etapa definitiva: jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso.

E o salário, diminui?
Não.

O texto em discussão prevê a redução da jornada sem redução salarial. Isso significa que a mudança não poderia ser usada para simplesmente cortar o salário do trabalhador porque ele passou a trabalhar menos horas.

Na prática, portanto, a proposta busca fazer com que o trabalhador tenha mais tempo livre sem perder a remuneração.

Quem pode ser afetado?

A proposta trata principalmente dos trabalhadores submetidos ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT.

O impacto pode ser especialmente relevante em setores nos quais a escala 6×1 é comum, como comércio, restaurantes, hotéis e outros serviços. O próprio Senado destaca que a jornada de até 44 horas semanais é atualmente comum nesses segmentos.

Leia também:

Omar apresenta relatório pelo fim da escala 6×1 e reduz a jornada semanal dos trabalhadores sem redução salarial

Por que a proposta está avançando agora?

A discussão ganhou novo impulso no Congresso depois que a Câmara aprovou a PEC em maio.

O texto chegou ao Senado estabelecendo 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção do salário, com uma transição de 14 meses.

No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhou a proposta para a CCJ, onde Omar Aziz assumiu a relatoria. O senador apresentou o parecer mantendo o texto da Câmara e rejeitando mudanças sugeridas por outros parlamentares.

A estratégia é evitar que alterações no Senado obriguem a PEC a retornar para uma nova análise da Câmara.

O que falta para virar realidade?

Ainda falta bastante.  O primeiro passo agora é a análise da proposta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A votação está prevista para 2 de setembro.

Se passar pela CCJ, a PEC ainda precisará ser votada no Plenário do Senado em dois turnos.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários 49 votos favoráveis em cada turno no Senado.

E as empresas?

A mudança também provoca um debate importante entre trabalhadores e empregadores.

Entidades empresariais afirmam que a redução da jornada e a criação de um segundo dia de descanso remunerado podem aumentar custos, principalmente em setores que dependem de escalas e funcionamento contínuo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, estima que a mudança pode elevar os custos das empresas e defende uma discussão mais ampla sobre os impactos econômicos da medida.

Do outro lado, defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o tempo disponível para descanso, família e atividades pessoais.

O debate, portanto, não é apenas sobre um dia a mais de folga. Envolve salário, produtividade, custos empresariais e a própria organização do mercado de trabalho.

Veja também:

 

Encontro no Palácio da Alvorada entre Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre abriu caminho para avanço de propostas como fim da escala 6×1 e fim da taxa das blusinhas antes das eleições

Entenda o contexto

A escala 6×1 significa trabalhar seis dias consecutivos para ter um dia de descanso.

A proposta em discussão no Senado pretende substituir esse modelo por uma jornada 5×2, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado.

O texto aprovado pela Câmara estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, mas prevê uma transição: primeiro, a jornada cai para 42 horas e, depois, chega às 40 horas.

Nada disso está valendo ainda.

O que existe neste momento é uma proposta que avançou no Congresso e está pronta para uma nova etapa de votação.

Se for aprovada em todas as fases, a mudança poderá alterar de forma significativa a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros.

E é justamente por isso que a próxima votação no Senado pode ser decisiva.

Mais lidas NC News:

Nova crise na família Bolsonaro? Eduardo ataca Michelle e coloca campanha de Flávio em risco
Juiz que prendeu Deolane é ameaçado durante audiência com integrantes de facção em SP

Carregar Comentários