Orçamento de 2027 prevê superávit de R$ 83,4 bilhões mas resultado efetivo é menor

Governo estima saldo positivo acima da meta fiscal após excluir despesas previstas em lei; resultado primário efetivo é de R$ 18,6 bilhões
Redação NC News
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O governo federal enviou ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027) com uma estimativa de superávit primário de R$ 83,4 bilhões para o próximo ano. O valor considerado para o cumprimento da meta fiscal corresponde a 0,56% do Produto Interno Bruto (PIB) e fica cerca de R$ 10,2 bilhões acima da meta estabelecida para 2027.

A proposta, porém, apresenta uma diferença importante entre o resultado usado para a meta fiscal e o resultado primário efetivo. Quando são consideradas todas as despesas, incluindo aquelas que podem ser retiradas do cálculo conforme as regras fiscais, o superávit projetado cai para R$ 18,6 bilhões, equivalente a 0,13% do PIB.

O projeto prevê ainda receitas líquidas de R$ 2,849 trilhões e despesas totais estimadas em aproximadamente R$ 2,83 trilhões. A proposta agora será analisada pelo Congresso Nacional e poderá sofrer alterações durante a tramitação.

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 Entenda O Que Está Previsto No Orçamento

O Orçamento da União define a previsão de receitas e despesas do governo federal para o próximo ano. A proposta apresentada pelo Executivo precisa ser analisada e aprovada pelo Congresso antes de entrar em vigor.

Para 2027, o governo estabeleceu como objetivo alcançar um resultado primário positivo equivalente a 0,5% do PIB, o que corresponde a aproximadamente R$ 73,2 bilhões. O valor de R$ 83,4 bilhões projetado para o cumprimento da meta representa uma margem de cerca de R$ 10,2 bilhões acima desse objetivo.

O resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas do governo sem incluir os juros da dívida pública.

Por Que O Superávit É De R$ 83,4 Bilhões

A diferença entre os R$ 83,4 bilhões e os R$ 18,6 bilhões está relacionada às regras do arcabouço fiscal.

O governo pode excluir determinadas despesas do cálculo utilizado para verificar o cumprimento da meta. No projeto de 2027, R$ 64,8 bilhões em gastos são retirados dessa conta, o que eleva o resultado considerado para a meta fiscal de R$ 18,6 bilhões para R$ 83,4 bilhões.

Entre as despesas que podem ficar fora desse cálculo estão valores relacionados a precatórios e outras despesas que possuem previsão legal para exclusão da meta.

Assim, os dois números não representam necessariamente cálculos conflitantes: eles mostram resultados diferentes conforme a metodologia utilizada.

 Meta Fiscal É De R$ 73,2 Bilhões

A meta estabelecida para 2027 é de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB.

Com a estimativa de R$ 83,4 bilhões após as exclusões permitidas, o governo projeta uma folga de aproximadamente R$ 10,2 bilhões em relação ao centro da meta.

O arcabouço fiscal também prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos. Essa banda permite alguma variação no resultado sem que o governo descumpra automaticamente a meta estabelecida.

 Gatilhos Do Arcabouço Fiscal Reduzem Despesas

O governo também considera que mecanismos previstos no arcabouço fiscal ajudarão a controlar o crescimento das despesas obrigatórias.

Um dos dispositivos limita o crescimento real das despesas com pessoal a 0,6% acima da inflação, com exceções previstas na legislação. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, essa regra deverá gerar uma economia de aproximadamente R$ 9 bilhões em 2027.

Outro mecanismo limita o crescimento de determinadas despesas vinculadas a receitas a 2,5% acima da inflação. A estimativa do governo é de uma economia adicional de aproximadamente R$ 8,9 bilhões com esse dispositivo.

Além disso, está prevista para 2027 a proibição de criação ou ampliação de benefícios fiscais em razão do déficit registrado em 2025.

Receitas E Despesas Bilionárias

A proposta prevê R$ 2,849 trilhões em receitas líquidas, equivalentes a 19,27% do PIB. Esse cálculo já considera a retirada das transferências obrigatórias da União para estados e municípios.

As despesas totais estão estimadas em cerca de R$ 2,83 trilhões, o equivalente a 19,14% do PIB.

O limite para as despesas primárias foi fixado em R$ 2,576 trilhões, um aumento de R$ 183,8 bilhões, ou 7,7%, em relação ao limite estabelecido para 2026.

 Governo Diz Que Orçamento Será Equilibrado

Ao apresentar a proposta, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que uma das mensagens centrais do projeto é a previsão de equilíbrio das contas públicas em 2027.

A avaliação do governo considera os efeitos das regras fiscais sobre as despesas obrigatórias e a capacidade de manter o crescimento dos gastos dentro dos limites estabelecidos pelo arcabouço.

O resultado, entretanto, ainda é uma projeção. A execução efetiva do Orçamento dependerá do comportamento das receitas, das despesas e das condições econômicas ao longo de 2027.

 Orçamento Ainda Será Analisado Pelo Congresso

O projeto apresentado pelo governo ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional.

Durante a tramitação, deputados e senadores poderão apresentar emendas e discutir os valores destinados às diferentes áreas do governo. A versão final do Orçamento poderá, portanto, ser diferente da proposta enviada pelo Executivo.

A aprovação do texto será necessária para definir oficialmente a programação de receitas e despesas da União para 2027.

 Entenda O Contexto

O Orçamento de 2027 foi apresentado em um momento de atenção às contas públicas e à trajetória da dívida federal.

A proposta trabalha com dois números principais para o resultado primário: R$ 18,6 bilhões de superávit efetivo, quando consideradas todas as despesas, e R$ 83,4 bilhões no cálculo utilizado para o cumprimento da meta após as exclusões permitidas pela legislação.

A meta fiscal estabelecida para o próximo ano é de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB. Dessa forma, o resultado de R$ 83,4 bilhões projetado para a meta representa uma folga de aproximadamente R$ 10,2 bilhões.

O desafio para o governo será transformar as projeções em resultado efetivo ao longo do próximo ano, mantendo as despesas dentro dos limites do arcabouço fiscal e garantindo receitas suficientes para cumprir as metas estabelecidas.

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