Passados dois dias desde a divulgação do relatório da Polícia Federal com as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue sem se pronunciar publicamente — mas o silêncio nos discursos não significa inércia nos bastidores.
A campanha já prepara peças de marketing para responder à crise, com foco em defender “reformas profundas” nos sistemas político e judicial, sob o mote “ninguém está acima da lei”.
Os vídeos devem trazer um locutor defendendo as mudanças no Judiciário — sem a presença do próprio Lula nas peças. A ideia é que o material entre no horário eleitoral gratuito da TV ainda nesta semana, a depender de como a repercussão evoluir nas redes.
Pesquisas qualitativas vão guiar o próximo passo
A campanha também encomendou pesquisas qualitativas para medir a percepção do eleitorado sobre a crise que envolve Moraes desde a divulgação das mensagens com Vorcaro. Os levantamentos devem orientar tanto o discurso do presidente quanto a produção das próximas peças eleitorais pelo marqueteiro Raul Rabelo.
Na prática, a estratégia tenta responder a uma pergunta ainda em aberto dentro do próprio Planalto: até que ponto as revelações sobre Moraes podem contaminar a candidatura de Lula à reeleição.
Enquanto o presidente evita comentar o caso, aliados próximos assumiram a linha de frente. O ex-ministro Fernando Haddad, hoje candidato ao governo de São Paulo, e a ex-ministra Gleisi Hoffmann, candidata ao Senado pelo Paraná, já saíram em defesa da continuidade das investigações. A ex-ministra Simone Tebet (PSB), que disputa uma vaga no Senado por São Paulo, também segue o mesmo discurso.
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Flávio Bolsonaro intensifica a associação Lula-Moraes
Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, segue tentando amarrar publicamente a imagem de Lula à de Moraes. Em Porto Alegre, um dia depois de o nome do ministro ser citado nas investigações do Banco Master, Flávio acusou o magistrado de sabotar o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na ocasião, Flávio disparou: “Não sei se quem governa o Brasil hoje é o Lula ou Alexandre de Moraes”.
O risco de o silêncio virar prova
A avaliação nos bastidores é que a pressão por uma manifestação direta de Lula só tende a crescer. O temor entre estrategistas da própria campanha é que o silêncio prolongado seja explorado pelos adversários e interpretado de forma negativa justamente pelo eleitor indeciso — o público mais suscetível a ler a ausência de posicionamento como confirmação de uma ligação direta entre o presidente e o ministro sob suspeita. É esse cálculo, mais do que qualquer resposta pronta, que hoje ocupa o centro das atenções da campanha de Lula.