Três furacões estão ativos simultaneamente no Pacífico nesta quinta-feira (3), em um cenário considerado excepcional pela combinação de tempestades tropicais e águas muito mais quentes do que o normal.
Lowell, Karina e Marie são monitorados pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), com sistemas espalhados pelo Pacífico oriental e central. Lowell está ao sul do Havaí, Karina avança pelo Pacífico oriental e Marie se encontra a sudoeste da Baixa Califórnia.
O cenário ocorre justamente enquanto um forte El Niño ganha intensidade. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou nesta quinta que existe uma probabilidade de quase 100% de o fenômeno persistir até fevereiro de 2027.
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Três furacões estão ativos simultaneamente
O NHC informa que Lowell, Karina e Marie estão sendo acompanhados ao mesmo tempo. A situação chama atenção pela concentração de sistemas tropicais sobre águas favoráveis ao desenvolvimento de tempestades.
Lowell está localizado a várias centenas de quilômetros ao sul das ilhas do Havaí. No boletim mais recente, apresentava ventos sustentados de 140 mph, equivalentes a cerca de 225 km/h, e pressão central de 945 milibares. O sistema continua classificado como um grande furacão e deve permanecer forte nos próximos dias.
Karina, por sua vez, seguia pelo Pacífico oriental. O sistema apresentava ventos sustentados de aproximadamente 120 mph, cerca de 195 km/h, e avançava para oeste. O NHC indicava que o furacão deveria continuar se deslocando para oeste-noroeste nos próximos dias.
Marie estava mais próxima da costa oeste do México, a sudoeste da ponta sul da península da Baixa Califórnia. O furacão apresentava ventos sustentados de 90 mph, aproximadamente 145 km/h, e também era acompanhado pelo NHC.
O que torna o cenário incomum não é apenas a existência dos três sistemas, mas o fato de eles estarem ativos simultaneamente em diferentes áreas do mesmo oceano.
El Niño deixa o oceano mais favorável
A formação e o fortalecimento das tempestades acontecem em meio ao avanço de um El Niño considerado muito forte.
O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico equatorial ficam anormalmente aquecidas. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.
A OMM informou nesta quinta que o El Niño está estabelecido e deve se fortalecer ainda mais nos próximos meses. Segundo a organização, as temperaturas excepcionalmente elevadas do Pacífico tropical são um dos fatores que sustentam essa intensificação.
A NOAA também projeta um cenário extremo. Para o período entre outubro e dezembro de 2026, há 69% de probabilidade de que o fenômeno alcance uma intensidade histórica, superando eventos anteriores registrados desde 1950 dentro do critério utilizado pela agência.
El Niño não significa, sozinho, que haverá mais furacões em todos os lugares. Seus efeitos dependem da região e das condições atmosféricas. No Pacífico, porém, a combinação entre águas quentes e outros fatores meteorológicos pode favorecer a manutenção e a intensificação de ciclones tropicais.
Havaí entra no radar por causa de Lowell
Entre os três sistemas, Lowell representa uma preocupação particular para o Havaí.
O furacão está localizado ao sul do arquipélago e o NHC recomenda que os moradores e autoridades acompanhem sua evolução. Mesmo quando o centro do sistema não passa diretamente sobre as ilhas, um furacão dessa intensidade pode provocar mar agitado, ondas fortes e correntes de retorno perigosas.
O próprio NHC alerta para o risco de condições marítimas perigosas associadas às ondulações produzidas por Lowell em partes do Havaí.
A trajetória, entretanto, ainda precisa ser acompanhada. Pequenas mudanças no caminho de um furacão podem alterar significativamente seus efeitos sobre áreas costeiras e marítimas.
México também monitora Karina e Marie
A costa oeste do México permanece entre as regiões que precisam acompanhar a evolução dos sistemas.
Marie está localizada a algumas centenas de quilômetros a sudoeste da extremidade sul da Baixa Califórnia, enquanto Karina segue mais distante no Pacífico oriental. O NHC mantém boletins específicos para os dois furacões.
Até o momento, o fato de os sistemas estarem sobre o oceano não significa que todos tenham impacto direto sobre áreas habitadas. A intensidade e a trajetória podem mudar ao longo dos próximos dias.
Por isso, autoridades meteorológicas utilizam satélites, observações oceânicas e modelos de previsão para acompanhar a evolução das tempestades e estimar possíveis impactos.
O risco vai além dos furacões
O El Niño preocupa os meteorologistas não apenas pela possibilidade de favorecer determinados eventos extremos, mas também pela capacidade de alterar padrões climáticos em escala global.
De acordo com a OMM, um El Niño muito forte pode provocar mudanças importantes nos regimes de chuva e temperatura, aumentando os riscos de enchentes, secas e ondas de calor em diferentes regiões.
Isso significa que os efeitos do fenômeno podem aparecer milhares de quilômetros distante do Pacífico.
Em algumas áreas, a mudança na circulação atmosférica pode aumentar a ocorrência de chuva. Em outras, pode favorecer períodos mais secos e quentes. Agricultura, abastecimento de água, energia e planejamento urbano estão entre os setores que podem sentir os efeitos.
A organização também destaca que os impactos climáticos do fenômeno podem continuar mesmo depois do pico de intensidade do El Niño.
El Niño deve persistir até 2027
A atualização divulgada pela OMM nesta quinta-feira reforça que o fenômeno não deve desaparecer rapidamente.
Os modelos analisados pela organização indicam probabilidade de quase 100% de persistência do El Niño até fevereiro de 2027. A previsão é que o fenômeno se fortaleça ainda mais durante os próximos meses e atinja intensidade muito elevada antes de começar a perder força.
A NOAA, por sua vez, aponta mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27.
Isso coloca os próximos meses sob atenção especial de centros meteorológicos e órgãos de defesa civil.
O trio formado por Lowell, Karina e Marie não significa que o planeta esteja diante de uma sequência inevitável de desastres. Cada furacão possui trajetória e comportamento próprios, e os impactos dependem principalmente de onde os sistemas vão se deslocar.
Mas a presença simultânea de três furacões, combinada ao aquecimento excepcional do Pacífico e ao fortalecimento do El Niño, coloca o oceano no centro das atenções meteorológicas desta semana.
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Entenda o contexto
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial e capaz de alterar padrões de circulação atmosférica, chuva e temperatura em diversas partes do planeta. Em setembro de 2026, o fenômeno está estabelecido e deve se fortalecer nos próximos meses.
A Organização Meteorológica Mundial estima quase 100% de probabilidade de persistência até fevereiro de 2027, enquanto a NOAA aponta 69% de chance de um evento histórico no período de outubro a dezembro. Ao mesmo tempo, três furacões — Lowell, Karina e Marie — estão sendo monitorados simultaneamente pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Lowell está ao sul do Havaí, Karina no Pacífico oriental e Marie próximo à região da Baixa Califórnia.
A presença dos três sistemas não significa que todos provocarão impactos diretos em áreas habitadas, mas exige acompanhamento devido à possibilidade de mudanças nas trajetórias e intensidades. O cenário também reforça a importância dos sistemas de alerta meteorológico, já que os efeitos de um El Niño muito forte podem ultrapassar a região do Pacífico e alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes continentes.
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