Moradores fazem abaixo-assinado contra falta de água que afeta bairro e escola em Uiramutã

Problema se arrasta há anos e piorou após o único poço que abastecia a região secar; mais de 50 famílias e cerca de 500 alunos são afetados.
Redação NC News
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Moradores do bairro Baixada, em Uiramutã, no Norte de Roraima, fizeram um abaixo-assinado para cobrar uma solução definitiva para a falta de água na região. O problema, que segundo os moradores se arrasta há anos, afeta mais de 50 famílias e também a Escola Estadual Joaquim Nabuco, onde estudam cerca de 500 alunos.

A situação piorou em 21 de agosto, quando a bomba do único poço responsável pelo abastecimento do bairro apresentou problema. Técnicos da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) fizeram um primeiro reparo, mas constataram depois que o problema era mais grave: o poço havia secado.

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Moradores cobram novo poço

Diante da falta de uma solução definitiva, os moradores organizaram um abaixo-assinado. 167 assinaturas foram formalizadas e encaminhadas, na quarta-feira (2), à Caer, ao Governo de Roraima, à Prefeitura de Uiramutã e à Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed).

O pedido principal é pela avaliação imediata da situação e construção de um novo poço artesiano para atender o bairro e a escola.

O representante dos moradores, Fábio de Souza e Souza, afirma que a falta de água chegou a durar quase uma semana e que a população precisou buscar alternativas para conseguir o recurso.

Segundo ele, mesmo quando o poço funciona, a pressão da água é insuficiente.

 “Moro a menos de 50 metros do poço e, mesmo quando ele funciona, preciso ligar um motor elétrico em casa para puxar a água de tão fraca que é a pressão.”

Caminhões-pipa são usados como medida emergencial

Enquanto o problema não é resolvido, o abastecimento passou a ser feito com caminhões-pipa. A medida, porém, não consegue atender todas as famílias e parte das casas sequer possui caixas-d’água para armazenar o volume recebido.

Alguns moradores precisam recorrer ao abastecimento particular e chegam a pagar até R$ 80 pela água.

A Prefeitura de Uiramutã informou que a estiagem tem prejudicado o abastecimento no bairro Baixada e na Escola Estadual Joaquim Nabuco. Segundo a gestão municipal, o caminhão-pipa disponibilizado pela Caer atende a região de forma emergencial.

A prefeitura também disse ter solicitado ao Governo de Roraima a perfuração de novos poços artesianos.

Falta de água também prejudica aulas

A crise chegou à Escola Estadual Joaquim Nabuco. Com a cisterna principal vazia, a unidade recebeu duas caixas-d’água emprestadas para tentar manter o funcionamento.

Moradores que possuem caminhonetes ajudam a transportar água para a escola, enquanto famílias também fazem vaquinhas para pagar abastecimentos particulares.

Um pai de dois alunos, que não quis ser identificado, afirmou que a falta de água pode comprometer o calendário escolar.

“Num dia que não tem água, não tem aula. Queria que as lideranças tomassem alguma providência para acabar com isso.”

Governo afirma que estuda novo poço

Questionado sobre a situação, o Governo de Roraima informou que a Caer reforçou o abastecimento de Uiramutã por meio de medidas emergenciais devido à estiagem.

A companhia disse que um caminhão-pipa foi enviado para atender tanto os moradores quanto a Escola Joaquim Nabuco, enquanto uma equipe técnica realiza estudos para a perfuração de um novo poço.

A Caer também informou que uma licitação para construir 35 novos poços em Roraima está suspensa por uma decisão judicial, após uma empresa participante da disputa entrar com um mandado de segurança.

Já a Seed informou que emprestou contêineres e caixas-d’água para ajudar no abastecimento da escola.

Problema já havia sido comunicado

A falta de água no bairro Baixada não é uma situação recente. Documentos mostram que, em abril de 2025, a direção da Escola Estadual Joaquim Nabuco já havia solicitado a perfuração de um poço próprio.

Na época, a escola alertou que o crescimento da população da região poderia tornar insuficiente o sistema de abastecimento existente.

O pedido passou pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), pela Seed e chegou à presidência da Caer. Até agora, porém, a obra não foi executada.

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Entenda o contexto

A falta de água em Uiramutã ocorre em meio ao período de estiagem em Roraima, que tem dificultado o abastecimento em diferentes pontos do estado.

No bairro Baixada, a situação ganhou uma dimensão maior porque o único poço que atendia a região secou, deixando moradores e uma escola estadual dependentes de medidas emergenciais.

A comunidade agora cobra a construção de um novo poço para garantir um abastecimento regular e evitar que famílias e estudantes continuem dependendo de caminhões-pipa e de soluções improvisadas.

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