A Petrobras recebeu autorização do Ibama para perfurar três novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A decisão amplia a campanha da estatal no bloco FZA-M-59, onde já foram encontrados indícios de petróleo durante a perfuração do primeiro poço, chamado Morpho.
Com a retificação da licença ambiental, a companhia poderá concluir a perfuração de Morpho e avançar posteriormente para os poços Manga, Crotalus e Morpho Extensão, também identificado em documentos como PAD Morpho. O objetivo é obter informações suficientes para dimensionar a descoberta e determinar se existe viabilidade comercial para uma futura produção de petróleo na área.
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Entenda o que aconteceu
A autorização foi concedida por meio de uma retificação da Licença de Operação nº 1684, que inicialmente permitia a perfuração do poço Morpho.
A Petrobras havia solicitado ao órgão ambiental, em agosto, autorização para ampliar a campanha. Agora, com a liberação, a estatal poderá planejar a sequência das novas perfurações no bloco localizado em águas profundas da costa do Amapá.
A autorização determina ainda que a Petrobras apresente ao Ibama um cronograma atualizado do projeto em até 30 dias.
Novos poços vão mostrar tamanho da descoberta
A perfuração de Manga, Crotalus e Morpho Extensão tem uma função importante para os planos da Petrobras: ajudar a companhia a descobrir qual é a dimensão do reservatório e se existe petróleo em quantidade comercialmente viável.
Encontrar indícios de petróleo em um poço exploratório não significa automaticamente que a área será transformada em um campo produtor.
É necessário realizar novas perfurações, analisar as características geológicas do reservatório e avaliar fatores técnicos e econômicos antes de uma decisão sobre eventual desenvolvimento da produção.
Petrobras já encontrou indícios de petróleo
O interesse nos novos poços aumentou depois que a Petrobras anunciou, em agosto, a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, primeira perfuração realizada pela estatal no bloco FZA-M-59.
A descoberta reforçou a expectativa da companhia sobre o potencial da região, mas ainda não comprovou a viabilidade comercial da área.
É justamente essa resposta que a nova etapa da campanha exploratória deverá ajudar a fornecer.
Produção ainda pode levar anos
Mesmo que os próximos poços confirmem uma descoberta comercialmente viável, uma eventual produção de petróleo na Foz do Amazonas não começaria imediatamente.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que, caso a exploração seja considerada viável, a produção poderá começar em até sete anos.
Antes disso, ainda seriam necessárias diferentes etapas técnicas, regulatórias, ambientais e de desenvolvimento da infraestrutura necessária para produzir petróleo em águas profundas.
Licença impõe condições à Petrobras
A autorização não permite que a companhia realize todas as operações sem restrições.
Entre as condições estabelecidas está a proibição de operar duas sondas simultaneamente na região.
A unidade Amaralina Star, prevista para as próximas perfurações, também precisará passar por vistoria prévia do Ibamae comprovar que foram realizadas adaptações específicas exigidas para as operações.
A Petrobras ainda terá de atualizar aspectos relacionados à análise de riscos ambientais antes do avanço da campanha.
MPF questiona ampliação das perfurações
A ampliação da campanha também é alvo de questionamentos do Ministério Público Federal.
Antes da nova autorização, o MPF havia cobrado explicações do Ibama sobre o pedido da Petrobras para incluir três poços em uma licença que originalmente previa apenas a perfuração de Morpho.
Segundo os procuradores, uma campanha com várias perfurações pode gerar impactos cumulativos diferentes daqueles avaliados para apenas um poço.
O MPF também apontou divergências entre informações apresentadas durante o processo de licenciamento. Em manifestações anteriores, a atividade havia sido descrita como uma perfuração pontual, com duração aproximada de cinco a seis meses. Documentos posteriores, segundo o órgão, indicaram uma campanha de quatro poços com atividades entre 2025 e 2029.
Impactos ambientais estão no centro da discussão
A Bacia da Foz do Amazonas integra a Margem Equatorial, região considerada estratégica pela indústria de petróleo e, ao mesmo tempo, ambientalmente sensível.
Entre as preocupações apresentadas pelo MPF estão possíveis impactos sobre a fauna marinha, pesca artesanal e comunidades tradicionais, incluindo indígenas, quilombolas, extrativistas e pescadores.
O órgão defende que a ampliação das perfurações seja acompanhada de análise integrada dos impactos cumulativos e sinérgicos provocados pela campanha.
A autorização do Ibama, portanto, representa um avanço para os planos exploratórios da Petrobras, mas não encerra os debates ambientais e jurídicos envolvendo a região.
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Petrobras prevê oito poços na bacia
A estratégia da companhia na Foz do Amazonas vai além das quatro perfurações atualmente associadas ao bloco FZA-M-59.
A Petrobras prevê, ao todo, oito poços exploratórios nos sete blocos que opera na Bacia da Foz do Amazonas.
A região é considerada uma das principais apostas da estatal para encontrar novas reservas capazes de sustentar a produção brasileira de petróleo nas próximas décadas.
Entenda o contexto
A exploração de petróleo na Margem Equatorial é alvo de um longo debate entre governo, Petrobras, ambientalistas, Ministério Público e comunidades potencialmente afetadas.
A região brasileira possui características geológicas associadas às áreas produtoras da Guiana e do Suriname, onde grandes descobertas transformaram o setor petrolífero nos últimos anos. Esse potencial aumentou o interesse econômico pela costa Norte brasileira.
Por outro lado, a proximidade de ecossistemas sensíveis e comunidades tradicionais mantém os possíveis impactos ambientais no centro da discussão.
No bloco FZA-M-59, a primeira perfuração começou em outubro de 2025 e sofreu atraso após um incidente envolvendo vazamento de fluido de perfuração em janeiro. Agora, com a autorização dos três novos poços e os indícios de petróleo encontrados em Morpho, a Petrobras entra em uma etapa decisiva para descobrir se a área possui reservas suficientes para justificar uma futura produção comercial.
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