O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (5) que pretende defender o Pix diante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um encontro na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Em tom de provocação, Lula convidou o norte-americano a experimentar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
A declaração foi feita durante um comício em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Ao falar sobre a digitalização dos serviços brasileiros, Lula voltou a criticar os questionamentos feitos pelos Estados Unidos ao Pix e associou a ferramenta à capacidade tecnológica do país.
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Entenda o que aconteceu
Durante o discurso, Lula afirmou que o Brasil já possui um governo digital e citou o Pix como exemplo. Na sequência, disse que pretende conversar sobre o sistema com Trump quando estiver na ONU.
“Trump, faça um Pix, que você vai ver o quanto será bom.”
A fala ocorreu enquanto Lula defendia o avanço tecnológico brasileiro e uma maior independência do país em áreas estratégicas.
O presidente também abordou a inteligência artificial. Segundo ele, o Brasil não deve ficar dependente exclusivamente de tecnologias desenvolvidas pela China ou pelos Estados Unidos e precisa avançar na construção de soluções próprias.
Por que o Pix entrou na discussão com os Estados Unidos
O sistema brasileiro de pagamentos entrou no centro de uma disputa comercial entre os dois países.
O governo dos Estados Unidos questiona aspectos do funcionamento do Pix e considera que políticas adotadas pelo Brasil podem prejudicar empresas norte-americanas que oferecem serviços de pagamento eletrônico.
Entre os argumentos norte-americanos está o de que o papel desempenhado pelo Banco Central na operação e regulamentação do Pix cria vantagens para o sistema brasileiro diante de concorrentes privados.
O governo brasileiro e representantes do setor bancário contestam essa interpretação. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por exemplo, sustenta que o Pix funciona como uma infraestrutura de pagamento e contribui para ampliar a competição e a inclusão financeira.

Pix virou símbolo de uma disputa comercial
A discussão ganhou dimensão política à medida que as relações comerciais entre Brasília e Washington passaram por novos momentos de tensão.
Lula tem utilizado o Pix como exemplo de tecnologia desenvolvida no Brasil e passou a defender publicamente o sistema diante das críticas norte-americanas.
O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo de diferentes governos. O processo começou a ganhar estrutura em 2018, ainda durante o governo Michel Temer, enquanto a infraestrutura tecnológica avançou no governo Jair Bolsonaro. O sistema entrou oficialmente em operação em novembro de 2020.
Desde então, tornou-se uma das principais formas de pagamento utilizadas pelos brasileiros.
Lula também quer discutir inteligência artificial
No mesmo discurso, Lula defendeu que o Brasil desenvolva maior autonomia na área de inteligência artificial.
O presidente afirmou que não quer que o país fique dependente da China ou dos Estados Unidos e defendeu o desenvolvimento de uma “inteligência artificial em português”.
A declaração conecta o debate sobre o Pix a um discurso mais amplo do governo sobre soberania e desenvolvimento tecnológico.
A estratégia também ganhou espaço na campanha eleitoral de 2026, com Lula apresentando tecnologias e serviços digitais brasileiros como exemplos da capacidade do país de desenvolver soluções próprias.
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Encontro deve ocorrer durante Assembleia da ONU
Lula afirmou que encontrará Trump durante sua viagem a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU.
A abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas está prevista para 22 de setembro, quando tradicionalmente o presidente brasileiro faz o primeiro discurso entre os chefes de Estado.
A expectativa é de que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos esteja entre os assuntos relevantes no encontro entre os dois presidentes.
Entenda o contexto
Brasil e Estados Unidos vêm discutindo uma série de questões comerciais. O Pix passou a integrar esse debate por causa das críticas norte-americanas às condições de competição no mercado brasileiro de pagamentos eletrônicos.
O tema já havia aparecido em uma investigação comercial dos Estados Unidos sobre práticas brasileiras consideradas potencialmente prejudiciais a empresas norte-americanas.
O Brasil rejeita as acusações. Em agosto, Lula e Trump conversaram por telefone durante cerca de 1 hora e 20 minutos, segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro. Na ocasião, Lula classificou como infundadas as alegações envolvendo, entre outros temas, o Pix.
A declaração deste sábado mostra que o sistema de pagamentos deve continuar presente tanto nas discussões entre os dois governos quanto no discurso político de Lula durante a campanha eleitoral.
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