Lula tenta blindar acordos no Congresso para reduzir dependência do Centrão após eleições

Com Câmara e Senado esvaziados pela campanha eleitoral, Planalto tenta preservar entendimentos com Hugo Motta e Davi Alcolumbre sobre pautas como fim da escala 6x1, PEC da Segurança e Orçamento de 2027.
Redação NC News
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Com o Congresso entrando em um período de baixa atividade por causa das eleições de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para manter de pé os acordos políticos construídos antes do esvaziamento da Câmara e do Senado. A estratégia é chegar à retomada das votações com parte das prioridades já encaminhada e diminuir a necessidade de uma nova negociação com o Centrão.

O movimento ganhou força após Lula se reunir, em 26 de agosto, com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro tratou de propostas consideradas estratégicas pelo Planalto, entre elas o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, a medida provisória sobre compras internacionais de até US$ 50, o marco dos minerais críticos e o Redata, voltado a data centers.

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Entenda o que aconteceu

Parte da agenda avançou durante o esforço concentrado realizado antes da pausa eleitoral, mas duas das principais bandeiras defendidas pelo governo ficaram pendentes. A proposta sobre o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública não tiveram a tramitação concluída e deverão voltar ao centro das negociações depois das eleições.

No caso da escala 6×1, o texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não seguiu imediatamente para votação no plenário. Por se tratar de uma PEC, são necessários 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos. O próprio governo avaliou que não tinha segurança sobre a quantidade necessária de votos naquele momento.

Planalto tenta preservar acordos

A preocupação do governo está no cenário que surgirá após as urnas. Deputados e senadores estarão diante de uma nova configuração política, com parlamentares reeleitos, derrotados ou escolhidos para outros cargos. Ao mesmo tempo, partidos já deverão intensificar as discussões sobre a próxima legislatura e a distribuição de espaços de poder.

Para o Planalto, deixar os principais entendimentos encaminhados com Motta, Alcolumbre e lideranças partidárias pode reduzir a necessidade de renegociar cada pauta do zero — e, consequentemente, diminuir o espaço para novas cobranças políticas.

Orçamento também entra na conta

Outro ponto sensível é a agenda econômica. O Congresso ainda precisa avançar sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Orçamento de 2027. Como a proposta orçamentária já foi encaminhada pelo Executivo, as discussões das duas matérias devem ocorrer praticamente em paralelo quando os trabalhos forem retomados.

Além da pauta orçamentária, o governo terá de acompanhar o avanço das propostas que ficaram pelo caminho. Alcolumbre afirmou que o Senado voltará a concentrar votações após o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, incluindo a discussão sobre o fim da escala 6×1.

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Fim da escala 6×1 vira ponto de pressão

A proposta tornou-se uma das principais bandeiras políticas de Lula durante o período eleitoral. O presidente criticou a atuação de integrantes da oposição contrários ao avanço da medida, enquanto governistas passaram a defender publicamente sua aprovação.

Apesar da pressão política, a decisão de não levar imediatamente a PEC ao plenário também envolveu uma avaliação matemática. Segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), a base não tinha segurança de que conseguiria reunir os votos necessários para aprovar a mudança constitucional.

A relação com Alcolumbre também é considerada estratégica. Depois de um período de tensão entre o presidente do Senado e o Planalto, o diálogo foi retomado e ajudou a destravar tanto a proposta da escala 6×1 quanto a PEC da Segurança Pública.

Entenda o contexto

O desafio do Planalto é evitar que a retomada dos trabalhos legislativos exija uma reconstrução completa de sua base de negociação. Depois das eleições, o Congresso estará ainda mais concentrado na disputa por influência na próxima legislatura, além das discussões envolvendo emendas, Orçamento e espaços políticos.

Nesse cenário, quanto mais propostas permanecerem sem entendimento prévio, maior poderá ser a necessidade de o governo negociar com partidos do centro para formar maiorias. Por isso, preservar os acordos construídos antes das eleições tornou-se parte importante da estratégia do Planalto para tentar avançar sua agenda no fim de 2026.

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