Ex-secretário da Fazenda de SP falou em comprar sauna para lavar dinheiro, aponta áudio obtido pelo MP

Gravação atribuída a André Weiss foi encontrada no celular de um dos investigados em esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Secretaria da Fazenda de São Paulo
Redação NC News
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Um áudio obtido pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e revelado neste domingo (6) mostra o ex-diretor-geral da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda de São Paulo, André Weiss, falando sobre a possibilidade de comprar uma sauna para lavar dinheiro. A gravação faz parte das investigações da Operação Ícaro, que apura um esquema de corrupção envolvendo a liberação irregular de créditos tributários no estado.

Segundo os investigadores, a conversa ocorreu durante um almoço entre auditores fiscais em julho de 2023 e foi encontrada no celular do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais envolvidos no esquema investigado. O material passou por perícia, que atestou sua autenticidade.

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Entenda o que aconteceu

De acordo com a investigação, em um dos trechos da gravação, Weiss relata que cogitou adquirir uma sauna porque o estabelecimento receberia grande volume de pagamentos em dinheiro vivo.

“Eu pensei em pegar dinheiro e comprar uma sauna em São Paulo. Vamos juntar uma grana e pegar uma sauna. E para lavar também é bom.”

A fala é citada pelo Ministério Público como um indício de discussão sobre possíveis mecanismos de ocultação de recursos de origem ilícita. Até o momento, não há evidências de que a compra da sauna tenha sido efetivamente realizada.

Áudio foi gravado por ‘Rei Artur’

Segundo a apuração, a conversa foi registrada por Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”. Ele foi preso em 2025 durante a Operação Ícaro e é apontado pelos promotores como um dos articuladores de um esquema que favorecia empresas em processos de ressarcimento de créditos tributários mediante pagamento de propina.

O áudio permaneceu armazenado em seu celular e foi recuperado pelos investigadores durante a análise do material apreendido. A gravação tem mais de duas horas de duração e serviu como uma das peças utilizadas pelo Ministério Público na investigação.

Conversa também menciona patrimônio e propinas

Em outros trechos da conversa, Weiss demonstra preocupação com a possibilidade de chamar a atenção das autoridades ao adquirir bens de alto valor, como veículos de luxo. Segundo o Ministério Público, as falas reforçam a suspeita de que os participantes discutiam a origem e a movimentação de recursos obtidos ilegalmente.

A investigação aponta que Weiss teria recebido cerca de R$ 4,5 milhões em propinas enquanto ocupava cargos de destaque na Secretaria da Fazenda paulista. A suspeita é de que o grupo favorecesse empresas interessadas na liberação acelerada de créditos de ICMS em troca de vantagens financeiras.

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O que acontece agora

As investigações seguem sob responsabilidade do Ministério Público de São Paulo. Os promotores apuram a participação de servidores públicos, empresários e intermediários em um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro ligado à liberação de créditos tributários.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, caso as suspeitas sejam confirmadas ao fim do processo. Até o momento, as apurações ainda estão em andamento e não há condenações definitivas relacionadas ao caso.

Entenda o contexto

A Operação Ícaro investiga um esquema que teria funcionado dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo para acelerar processos de ressarcimento de créditos tributários mediante pagamento de propinas. Segundo o Ministério Público, servidores públicos e operadores privados atuariam para beneficiar determinadas empresas em troca de vantagens indevidas.

A investigação ganhou força após acordos de colaboração e análise de documentos, movimentações financeiras e aparelhos eletrônicos apreendidos. O caso provocou exonerações, afastamentos de servidores e novas frentes de apuração sobre possíveis irregularidades na administração tributária paulista.

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