Anvisa aprova Aquipta, novo medicamento oral para prevenir crises de enxaqueca

Remédio à base de atogepant atua no bloqueio do receptor de CGRP e amplia as opções de tratamento preventivo para adultos com enxaqueca
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Só quem sofre de enxaqueca crônica entende a importância de ter mais opções para aliviar a dor. Muitas vezes o desconforto é tão grande que a pessoa não consegue sair da cama e precisa se manter no escuro.

A boa notícia para esse público é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Aquipta, novo medicamento oral destinado à prevenção da enxaqueca em adultos. A decisão amplia as opções disponíveis para pacientes que sofrem com crises recorrentes e buscam reduzir a frequência dos episódios.

O princípio ativo do medicamento é o atogepant, substância que pertence à classe dos antagonistas do receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido pela sigla CGRP. O mecanismo de ação é diferente dos medicamentos usados apenas para aliviar uma crise já instalada.

VEJA TAMBÉM:

Ex-secretário da Saúde do Tocantins é transferido para hospital em Brasília

Manaus oferece mais de 5 mil atendimentos gratuitos em saúde e cidadania

Saúde do DF transfere R$ 461 mil para construção de novo CAPS

Entenda o que aconteceu

A aprovação do Aquipta coloca no mercado brasileiro uma nova alternativa de tratamento preventivo da enxaqueca. O medicamento é administrado por via oral e foi desenvolvido para reduzir a ocorrência das crises ao longo do tempo.

O atogepant age sobre o receptor de CGRP, uma molécula envolvida nos mecanismos associados à enxaqueca. Ao bloquear essa via, o medicamento busca diminuir a frequência dos dias em que o paciente apresenta crises.

A substância já havia recebido aprovação em outros países. Na Europa, por exemplo, o atogepant foi autorizado para prevenção da enxaqueca episódica e crônica em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês.

Como o medicamento funciona

O CGRP está envolvido na transmissão da dor e em processos relacionados às crises de enxaqueca. Os chamados gepantes atuam justamente nessa via, bloqueando o receptor da substância.

Na prática, o Aquipta não foi desenvolvido para funcionar como um analgésico convencional tomado depois que a dor começa. A proposta é prevenir as crises e diminuir sua frequência.

Esse tipo de tratamento pode ser especialmente relevante para pessoas que apresentam episódios frequentes e têm impacto significativo da doença na rotina.

Estudos apontaram redução das crises

A eficácia do atogepant foi avaliada em estudos clínicos de fase 3, incluindo os trabalhos ADVANCE e PROGRESS.

No estudo ADVANCE, que avaliou pacientes com enxaqueca episódica, participantes tratados com 60 mg de atogepant uma vez ao dia apresentaram redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo que recebeu placebo. Cerca de 59% dos pacientes tratados com a dose de 60 mg alcançaram redução de pelo menos 50% na média mensal de dias com enxaqueca, ante 29% no grupo placebo.

Já no estudo PROGRESS, voltado a pacientes com enxaqueca crônica, a redução média foi de 6,8 dias por mês entre os participantes que receberam 60 mg do medicamento, contra 5,1 dias no grupo placebo.

Quais efeitos colaterais foram observados

Entre as reações adversas mais frequentes associadas ao atogepant estão náusea, constipação e fadiga.

Nos estudos citados pela fabricante, constipação ocorreu em cerca de 8% dos pacientes, náusea em 9% e fadiga em 5% entre aqueles que receberam 60 mg uma vez ao dia.

A indicação e a forma de utilização do medicamento devem seguir a avaliação e a prescrição de um profissional de saúde.

LEIA TAMBÉM:

Saúde mental: “As pessoas acabam perdendo a oportunidade de melhorar porque não procuram ajuda”, alerta psiquiatra

Vistoria aponta remédios vencidos e falta de insumos na saúde pública do Tocantins

Operação da PM em Senador Camará fecha escolas e afeta serviços de saúde no Rio

O que é a enxaqueca

A enxaqueca é uma doença neurológica que pode provocar episódios de dor de cabeça moderada a intensa, acompanhados de sintomas como náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao som.

As crises podem durar horas ou até dias e, quando são frequentes, podem comprometer atividades profissionais, estudos, lazer e outras tarefas do cotidiano.

Em maio de 2026, a própria Anvisa havia aprovado outro medicamento da classe dos tratamentos voltados à enxaqueca, o Nurtec ODT, à base de rimegepanto, indicado tanto para o tratamento agudo quanto para a prevenção da enxaqueca episódica em adultos com pelo menos quatro crises por mês.

[H4] Entenda o contexto

A aprovação do Aquipta ocorre em um cenário de ampliação das alternativas terapêuticas contra a enxaqueca. Os chamados antagonistas de CGRP representam uma classe mais recente de medicamentos desenvolvidos especificamente para interferir em mecanismos relacionados à doença.

O atogepant é administrado por via oral e foi desenvolvido especificamente para a prevenção da enxaqueca. A aprovação europeia do medicamento foi baseada nos estudos ADVANCE e PROGRESS, que demonstraram redução estatisticamente significativa dos dias de enxaqueca em comparação ao placebo.

A chegada de uma nova opção, porém, não significa que o medicamento seja indicado para todos os pacientes. A escolha do tratamento depende do quadro clínico, frequência das crises, histórico do paciente, tratamentos anteriores e avaliação médica.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS

Quaest: Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro, 29%, a menos de um mês do 1º turno

Mulher de PM é encontrada morta com tiro em casa, e polícia investiga caso em SP

Bioestimuladores de colágeno: especialista explica como funcionam, riscos e cuidados antes da aplicação

 

Carregar Comentários