O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que realizou sete transferências bancárias a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro para o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.
Segundo o relato, os pagamentos realizados ao longo de 2025 somaram US$ 12,3 milhões, valor que correspondia a cerca de R$ 69 milhões nas cotações da época. O fundo está relacionado ao financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Havengate é administrado pelo advogado Paulo Calixto, que mantém ligação profissional com Eduardo Bolsonaro (PL). A Polícia Federal e a PGR investigam o caminho percorrido pelos recursos e se todo o dinheiro foi efetivamente utilizado na produção do filme.
VEJA TAMBÉM
Moraes silencia, Mendonça reage e Fachin vira fiador da Corte
Delação amplia investigação sobre o dinheiro
Freixo Júnior é apontado nas investigações como um dos operadores utilizados por Vorcaro para movimentações financeiras. Dono da Entre Investimentos e Participações, ele teria atuado como intermediário em transferências destinadas ao fundo nos Estados Unidos.
Em sua colaboração, o empresário confirmou os sete pagamentos ao Havengate. Ele também relatou aos investigadores que realizou outras operações a pedido de Vorcaro, incluindo entregas de dinheiro em espécie transportado em malas.
Segundo o delator, porém, ele não saberia qual era a destinação final de parte desses valores. A defesa de Freixo não comentou o conteúdo da colaboração sob a justificativa de que a investigação tramita sob sigilo.
Último pagamento ocorreu em setembro de 2025
Um dos pontos que ganhou atenção dos investigadores é a existência de um pagamento realizado em 16 de setembro de 2025, no valor de aproximadamente US$ 1,66 milhão.
A transferência já havia sido identificada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Com ela, o total conhecido de recursos enviados ao Havengate chegou a US$ 12,3 milhões.
A data também chama atenção porque ocorreu meses depois de maio de 2025, período que havia sido apontado anteriormente por Flávio Bolsonaro como o momento em que os repasses de Vorcaro para o projeto teriam terminado.
PF investiga possível uso dos recursos
A principal questão agora é determinar qual foi o destino efetivo dos milhões enviados ao fundo.
As investigações procuram esclarecer se os valores foram integralmente direcionados à produção de “Dark Horse” ou se parte do dinheiro poderia ter sido utilizada para outras finalidades. Entre as hipóteses analisadas está a possibilidade de recursos terem custeado despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Até o momento, porém, não há conclusão pública de que isso tenha ocorrido.
O fundo Havengate aparece no centro dessa apuração justamente por ter recebido os recursos e estar relacionado à estrutura financeira utilizada para a produção do longa.
Delação ainda precisa passar pelo STF
O acordo firmado entre Freixo Júnior e a PGR ainda depende das etapas de validação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, que deverá analisar aspectos como a regularidade e a legalidade da colaboração antes de eventual homologação. A defesa do empresário tinha reunião prevista com o gabinete do ministro nesta terça-feira (8).
A colaboração pode fornecer aos investigadores novos elementos para rastrear as operações financeiras envolvendo Vorcaro, o Havengate e a produção de “Dark Horse”.
O que já foi identificado
Antes da nova delação, documentos financeiros já haviam apontado que empresas ligadas a Vorcaro transferiram milhões de dólares para o Havengate. O relatório do Coaf revelou, por exemplo, o pagamento de aproximadamente US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, elevando o total conhecido para US$ 12,3 milhões.
A nova informação acrescenta um elemento importante à investigação: agora, o operador que teria participado diretamente das movimentações afirma, em colaboração com a PGR, que foram sete pagamentos realizados a pedido de Vorcaro.
LEIA TAMBÉM
URGENTE: Mendonça afasta chefe da PF e aprofunda crise entre STF e corporação
Entenda O Contexto
O caso “Dark Horse” passou a integrar a investigação mais ampla sobre as relações financeiras de Daniel Vorcaro e as operações envolvendo o Banco Master.
O filme retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e recebeu recursos que passaram pelo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. A nova delação de Antonio Carlos Freixo Júnior acrescenta detalhes sobre a movimentação desses valores e reforça a necessidade de identificar o destino final do dinheiro.
As autoridades ainda investigam se os recursos foram integralmente utilizados na produção do filme ou se houve utilização para outras despesas. Até o momento, as suspeitas permanecem sob apuração e não representam, por si só, comprovação de irregularidades por parte de Eduardo Bolsonaro ou de qualquer outro citado no caso.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Flávio Bolsonaro mobiliza direita na Paulista em ato contra Lula e Moraes