Onze diretores da Polícia Federal colocaram os próprios cargos à disposição nesta terça-feira (8), em apoio ao diretor-geral afastado Andrei Rodrigues e ao diretor de Inteligência, Leandro Almada.
A manifestação ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento dos dois delegados. A medida provocou reação dentro da cúpula da corporação, que classificou as acusações contra os servidores como infundadas.
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Em uma nota conjunta, os diretores afirmaram prestar apoio integral a Rodrigues e Almada e defenderam a trajetória profissional dos dois. Ao final do documento, colocaram os cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Murad, que assumiu interinamente o comando da PF.
Diretores contestam acusações
A cúpula da PF afirmou que repudia qualquer tentativa de atribuir a Rodrigues, Almada ou à própria instituição uma atuação considerada não republicana.
Os diretores também defenderam que os dois delegados têm trajetória marcada por atuação técnica, isenta e responsável. Segundo a manifestação, críticas à direção da corporação estariam sendo influenciadas por interesses políticos e eleitorais.
A nota também afirma que o objetivo da manifestação é preservar a independência e a credibilidade da Polícia Federal, além de impedir interferências que, na avaliação dos diretores, possam comprometer a atuação da instituição.
Onze diretores assinam manifestação
Entre os nomes que colocaram os cargos à disposição estão Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção; Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; e Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico.
Também assinaram o documento diretores das áreas de Administração e Logística, Gestão de Pessoas, Ensino da Academia Nacional de Polícia, Proteção à Pessoa, Tecnologia da Informação e Inovação e Amazônia e Meio Ambiente.
A Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção é uma das áreas que concentram investigações relacionadas ao caso Banco Master.
William Murad assume comando da PF
Com o afastamento de Andrei Rodrigues, William Murad, que ocupava a Diretoria Executiva da PF, assumiu interinamente a direção-geral da corporação.
Murad era considerado o número 2 da instituição e braço direito de Rodrigues. Delegado de carreira, ingressou na Polícia Federal em 2002 e já ocupou funções de chefia em diferentes áreas, incluindo a inteligência.
Durante um evento da corporação nesta terça-feira, Murad manifestou confiança em Rodrigues e defendeu a continuidade dos trabalhos da Polícia Federal em meio à crise.
Afastamento ainda é analisado pelo STF
A decisão de André Mendonça foi submetida à análise da Segunda Turma do STF, que formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues.
O julgamento foi interrompido depois que o ministro Gilmar Mendes pediu vista. A decisão, portanto, ainda não teve análise concluída pela Turma, embora o afastamento permaneça válido.
Mendonça justificou a medida com base em relatórios de inteligência produzidos pela PF que, segundo ele, teriam sido utilizados para monitorá-lo e também o advogado-geral da União, Jorge Messias. O ministro determinou ainda uma investigação da Corregedoria da própria Polícia Federal.
Entenda o contexto
A crise envolve uma disputa institucional que passou a atingir diretamente a relação entre Supremo Tribunal Federal e Polícia Federal.
O conflito ganhou força depois que um relatório produzido pela inteligência da PF foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra Mendonça. O ministro afastou Rodrigues e Almada sob a alegação de que houve irregularidades na produção dos documentos e possível monitoramento ilegal.
A reação dos 11 diretores amplia a dimensão da crise. Além de defenderem os colegas afastados, os integrantes da cúpula colocaram os próprios cargos à disposição, enquanto William Murad permanece no comando interino da PF.