Celso de Mello diz que STF não pode ser escudo para desvios individuais

Ex-ministro defendeu apuração rigorosa de episódios recentes e afirmou que nenhuma autoridade deve escapar do escrutínio público
Redação NC News
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O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou que a Corte não pode ser transformada em um “escudo protetor de desvios individuais”. A declaração foi divulgada nesta segunda-feira (7), em meio à crise que envolve integrantes do Judiciário.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Celso de Mello e outros ex-ministros do Supremo divulgaram uma carta de apoio ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, defendendo uma apuração “imediata e rigorosa” dos episódios recentes envolvendo integrantes do Poder Judiciário.

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Apesar do contexto, Celso de Mello não citou nominalmente Alexandre de Moraes ou André Mendonça em sua manifestação. Os dois ministros são alvo de pedidos de investigação no Supremo.

Ex-ministro cobra transparência

Na manifestação, Celso de Mello afirmou que os episódios recentes provocaram perda de confiança social na integridade, imparcialidade e independência dos ministros do STF, além de desgaste da autoridade da Corte.

O ex-ministro defendeu que situações que envolvam o interesse da sociedade e a integridade das instituições sejam submetidas ao escrutínio público.

Segundo Celso, “nenhuma autoridade está acima da lei” e a dignidade do cargo não pode ser utilizada para impedir a fiscalização da sociedade.

Carta reúne 13 ex-ministros

A carta de apoio a Fachin foi assinada por 13 ex-ministros do STF, entre eles Carlos Velloso, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.

Os aposentados afirmaram ter “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin para conduzir a Corte diante do atual cenário.

STF enfrenta pressão em diferentes frentes

A manifestação ocorre em um momento de forte pressão sobre o Supremo. Entre os episódios recentes estão pedidos de investigação envolvendo ministros da Corte e discussões sobre a atuação de integrantes do tribunal.

Na avaliação de Celso de Mello, a preservação da credibilidade do Supremo depende também de transparência e controle democrático.

O ex-ministro afirmou ainda que o STF é maior do que cada um de seus integrantes e, por isso, não deve ser utilizado para proteger eventuais condutas individuais.

Entenda o contexto

Celso de Mello foi ministro do STF por mais de três décadas e ocupou a presidência da Corte entre 1997 e 1999. Aposentou-se em 2020.

A manifestação ocorre enquanto o Supremo lida com questionamentos públicos sobre decisões e condutas de integrantes da Corte. Ao defender uma apuração rigorosa e pública, o ex-ministro reforça a ideia de que eventuais irregularidades devem ser investigadas dentro do devido processo legal, sem que a instituição seja utilizada para impedir a responsabilização individual.

A declaração também acompanha o posicionamento de outros ex-integrantes do tribunal em defesa de Fachin e da preservação da autoridade institucional do Supremo.

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