Uma megaoperação de segurança nos Estados Unidos terminou com a localização de 79 crianças desaparecidas ou consideradas em situação de risco no estado de Ohio. A ação, chamada Operação Meridian, foi realizada durante o mês de agosto e envolveu forças policiais federais, estaduais e municipais.
As crianças tinham entre 6 e 17 anos e estavam envolvidas em diferentes situações de vulnerabilidade, incluindo suspeitas de tráfico sexual, violência física e emocional, negligência, fugas de casa e outras formas de perigo.
O balanço da operação foi divulgado pelo Serviço de Delegados dos Estados Unidos (U.S. Marshals) na terça-feira (8). Segundo a corporação, foi a maior operação de localização de crianças desaparecidas já realizada em Ohio.
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Afinal, foram 79 ou 163 crianças?
Os dois números estão corretos, mas não fazem parte da mesma operação.
Os 79 menores foram localizados especificamente em Ohio durante a Operação Meridian, liderada pelo U.S. Marshals.
Já o número de 163 crianças corresponde a outra ação, a Operação Statewide Shield, conduzida na Flórida e anunciada no fim de agosto. Essa força-tarefa durou cinco dias e alcançou diferentes regiões dos Estados Unidos, Porto Rico e 12 países, entre eles o Brasil.
Assim, os números não devem ser apresentados como se fossem um único balanço nacional americano.
Como funcionou a Operação Meridian
A força-tarefa em Ohio reuniu o U.S. Marshals, FBI, Investigação de Segurança Interna (HSI), órgão de fiscalização do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA (HUD-OIG) e dezenas de departamentos de polícia.
Os investigadores trabalharam de forma integrada e cruzaram diferentes jurisdições para localizar crianças que poderiam ter sido levadas para outras regiões.
As buscas chegaram a outros estados, incluindo Geórgia e Michigan.
A estratégia permitiu acompanhar pistas que ultrapassavam os limites de Ohio e identificar possíveis locais onde os menores poderiam estar.

Casos de duas irmãs chamaram atenção
Entre os casos investigados estavam duas irmãs, de 13 e 16 anos, desaparecidas desde julho de 2024 e abril de 2026.
A menina de 13 anos foi encontrada escondida em um espaço sob o piso de um quarto, dentro de um armário, em uma residência em Lockbourne.
A mãe das adolescentes foi presa por causa de um mandado relacionado a uma violação das condições de liberdade condicional.
Durante a ação, os investigadores conseguiram novas informações que ajudaram a localizar a irmã de 16 anos posteriormente, em um restaurante de Columbus.
Adolescente era considerada vítima de tráfico humano
Outro caso ocorreu em Toledo. Uma adolescente de 16 anos havia sido dada como desaparecida em 18 de agosto e já era considerada pelas autoridades uma possível vítima de tráfico humano.
Os investigadores acompanharam pistas em Toledo e também em Michigan até identificar um homem que poderia estar com a jovem.
A polícia conseguiu localizar os dois em um endereço em Toledo. A adolescente recebeu atendimento médico e foi levada a um hospital para avaliação.
As autoridades continuam investigando a possível participação do homem em crimes relacionados ao caso.
Crianças recebem atendimento após localização
O trabalho das autoridades não terminou no momento em que os menores foram encontrados.
Segundo o U.S. Marshals, as crianças foram encaminhadas para serviços de proteção à infância e à família e passaram a receber atendimento médico, psicológico e social.
As equipes avaliam individualmente cada situação. Em alguns casos, a reunião com familiares pode ser possível. Em outros, a permanência no ambiente familiar pode representar risco, exigindo outras medidas de proteção.
O objetivo é garantir acompanhamento de longo prazo, incluindo tratamento de traumas, assistência social e eventual reunificação familiar segura.
Outra operação encontrou 163 crianças
A Operação Meridian não deve ser confundida com a Statewide Shield, realizada na Flórida.
Nesta segunda operação, autoridades americanas anunciaram a localização de 163 crianças e adolescentes desaparecidos, com idades entre 2 meses e 17 anos.
A ação foi coordenada pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida e ocorreu durante cinco dias. As equipes utilizaram informações de inteligência e operações de campo para localizar menores em diferentes pontos.
Além da Flórida e de outros estados americanos, a investigação alcançou Porto Rico e 12 países, incluindo o Brasil.
Os menores estavam envolvidos em situações de abuso, negligência, exploração e outras formas de vulnerabilidade.
Operações reacendem preocupação no Brasil
A dimensão internacional da Statewide Shield chamou a atenção de famílias brasileiras que ainda procuram crianças desaparecidas.
Um dos casos envolve José Arthur Sousa Barros, de 2 anos, desaparecido desde março no Pará. A família pediu que as autoridades brasileiras verifiquem se o menino poderia estar entre os menores localizados nos Estados Unidos. Até o momento, não existe confirmação de que ele esteja entre as crianças resgatadas.
Outro caso envolve os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão.
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A família recebeu recentemente apoio para ampliar a busca internacional. Segundo a advogada, a Interpol colocou ferramentas de cooperação internacional à disposição do caso.
Isso permite ampliar a investigação caso surjam informações de que os irmãos possam ter sido levados para fora do Brasil.
Até o momento, porém, não existe qualquer confirmação de que Ágatha e Allan estejam entre as 163 crianças localizadas na operação americana.
Interpol entra nas buscas por irmãos no Maranhão
Ágatha Isabelly e Allan Michael desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. O desaparecimento já dura oito meses.
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, deve se reunir com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal para entender como as ferramentas oferecidas pela Interpol poderão ser utilizadas.
A cooperação internacional pode ser importante caso apareçam pistas de que as crianças tenham deixado o país ou estejam em outro território.
Amanda Berry ajudou a preparar equipes
A Operação Meridian também contou com a participação de Amanda Berry, uma das sobreviventes do caso de sequestro que chocou os Estados Unidos.
Berry desapareceu em Cleveland e permaneceu em cativeiro durante anos antes de conseguir escapar, em 2013.
Antes da operação em Ohio, ela conversou com as equipes responsáveis pelas buscas e compartilhou sua experiência para ajudar os agentes a reconhecer sinais de controle, manipulação e vulnerabilidade.
Para o U.S. Marshals, a participação de sobreviventes ajudou a reforçar a necessidade de tratar cada caso individualmente.
O que os números mostram
Os 79 casos de Ohio e os 163 casos da operação liderada pela Flórida revelam a dimensão do problema, mas precisam ser analisados separadamente.
A primeira ação foi concentrada em Ohio e durou todo o mês de agosto. A segunda teve duração de cinco dias e apresentou alcance internacional. O ponto em comum é a integração entre forças policiais e serviços de proteção infantil.
As operações mostram ainda que uma criança registrada como desaparecida pode estar em diferentes situações: algumas fogem de ambientes violentos, outras são vítimas de negligência ou abuso e algumas podem estar submetidas a exploração ou tráfico.
Por isso, localizar o menor é apenas a primeira etapa. A proteção posterior e a reconstrução da vida da vítima também fazem parte da resposta das autoridades.
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Entenda O Contexto
Duas grandes operações realizadas nos Estados Unidos em agosto colocaram o desaparecimento e a exploração de crianças novamente no centro das atenções. A Operação Meridian encontrou 79 crianças desaparecidas ou em situação de risco em Ohio, enquanto a Operação Statewide Shield localizou 163 menores em uma ação liderada pela Flórida que alcançou outros estados, Porto Rico e 12 países, incluindo o Brasil.
Os números são de operações diferentes e não devem ser somados como se representassem um único balanço. A repercussão internacional também chegou ao Brasil porque famílias de crianças desaparecidas passaram a buscar informações sobre os resgates. No Maranhão, a Interpol colocou ferramentas de cooperação internacional à disposição das buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos desde janeiro.
Até agora, porém, não há confirmação de que os irmãos estejam entre as crianças encontradas nos Estados Unidos. O caso reforça a importância da cooperação entre países quando existem suspeitas de deslocamento internacional de menores desaparecidos.
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