O JPMorgan reduziu a recomendação para as ações brasileiras de “overweight”, equivalente a uma exposição acima da média, para “neutra”, aumentando a cautela dos investidores com o mercado nacional. A decisão ocorreu em meio às incertezas sobre os juros, a desaceleração da atividade econômica e a proximidade das eleições presidenciais.
A mudança teve reflexos no mercado financeiro. Na sessão de 11 de agosto, quando o relatório ganhou repercussão, o dólar fechou a R$ 5,16, com alta de 0,98%, enquanto o Ibovespa recuou 2,50%, aos 167.874 pontos. O movimento também ocorreu em meio à repercussão de pesquisas eleitorais e à redução do fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.
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Entenda o que aconteceu
O JPMorgan decidiu diminuir a exposição recomendada ao mercado acionário brasileiro dentro de seu portfólio para a América Latina. Na prática, a classificação “neutra” indica uma postura mais cautelosa em relação às ações do país, depois de o Brasil ter recomendação “overweight”.
Entre os motivos apresentados estão a expectativa de que o ciclo de redução da Selic tenha espaço limitado para continuar, a desaceleração da economia e sinais de deterioração do crédito. Esses fatores podem dificultar o desempenho dos resultados corporativos nos próximos trimestres.
Eleições entram no radar dos investidores
A corrida presidencial também pesa na avaliação. O JPMorgan considera que a eleição de outubro será um importante fator para a precificação dos ativos brasileiros e destacou que períodos anteriores às eleições costumam elevar a volatilidade no mercado.
A instituição avalia ainda que as perspectivas para a política econômica permanecem incertas. Independentemente do resultado eleitoral, o próximo governo terá de lidar com desafios como juros reais elevados e a situação fiscal do país.
Juros elevados preocupam o mercado
Outro ponto central é a trajetória da Selic. O JPMorgan projetou mais um corte de 0,25 ponto percentual em setembro, seguido por um período prolongado de estabilidade dos juros.
Juros elevados tendem a afetar principalmente empresas mais dependentes do consumo e do crédito. Por isso, o banco indicou preferência por companhias ligadas a commodities, com maior exposição internacional e menor sensibilidade às condições domésticas de financiamento.
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Dólar e Bolsa sentiram o impacto
No dia da divulgação do rebaixamento, o real ficou entre as moedas de pior desempenho, enquanto a Bolsa brasileira registrou forte queda. O dólar chegou à máxima de R$ 5,1778 e terminou negociado a R$ 5,1608.
O Ibovespa, por sua vez, encerrou aquela sessão em baixa de 2,50%. Além da avaliação do JPMorgan, o mercado acompanhava pesquisas eleitorais, inflação, política monetária e o fluxo de capital estrangeiro.
O cenário, porém, mudou nas semanas seguintes. Nesta terça-feira (8), por exemplo, o dólar terminou em R$ 5,086, enquanto o Ibovespa avançou 1,24%, aos 187.451 pontos, mostrando que a recomendação do banco é apenas um dos vários fatores que influenciam diariamente os preços dos ativos.
Entenda o contexto
O rebaixamento do JPMorgan não representa um rebaixamento da nota de crédito ou da classificação de risco soberano do Brasil. A decisão se refere especificamente à recomendação de exposição às ações brasileiras dentro do portfólio latino-americano do banco.
Na América Latina, o JPMorgan manteve recomendação “overweight” para o Chile, elevou o Peru de “underweight” para “overweight”, manteve o México neutro e reiterou “underweight” para a Colômbia.
Para o investidor, a decisão sinaliza uma avaliação mais cautelosa sobre o Brasil diante da combinação de juros ainda elevados, desaceleração econômica, crédito mais difícil e incertezas eleitorais. Isso não significa, porém, uma recomendação automática para abandonar o mercado brasileiro.
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