China e Irã estão entre países que usaram inteligência artificial para espionagem, diz Anthropic

Relatório da empresa responsável pelo Claude aponta uso da IA para vigilância, análise de redes sociais e identificação de alvos; operações também foram associadas a outros países.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A inteligência artificial Claude, desenvolvida pela empresa americana Anthropic, foi utilizada em operações de espionagem, vigilância e monitoramento de pessoas ligadas a diferentes países, segundo um relatório divulgado pela companhia.

Entre os casos identificados estão operações associadas a China e Irã, além de atividades envolvendo outros atores estatais, empresas de vigilância e grupos ligados a governos. A Anthropic afirma que detectou e interrompeu as operações e utilizou as informações obtidas para reforçar os sistemas de segurança do Claude.

O relatório analisou atividades realizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026 e descreve diferentes formas de uso da IA, desde a análise automatizada de grandes volumes de informações até a criação de ferramentas utilizadas em operações de vigilância.

VEJA TAMBÉM

Dell lança novo Alienware 15 com preço mais baixo em meio à alta dos componentes

Como a China utilizou o Claude

Segundo a Anthropic, organizações alinhadas ao governo chinês utilizaram o Claude para automatizar tarefas relacionadas à vigilância e à coleta de informações.

Em um dos casos, uma unidade de inteligência ligada a assuntos religiosos teria reduzido significativamente a quantidade de analistas necessários para produzir investigações. Com auxílio da IA, o grupo conseguiu processar grandes volumes de informações e gerar relatórios.

A empresa também identificou operações voltadas ao monitoramento de comunidades consideradas sensíveis pelo governo chinês, incluindo dissidentes e grupos de minorias que vivem fora da China.

IA passou a analisar grandes volumes de dados

O relatório aponta que a inteligência artificial não foi utilizada apenas para escrever textos ou organizar informações.

Em determinados casos, o Claude recebeu grandes conjuntos de publicações de redes sociais e foi orientado a organizar informações sobre possíveis alvos, incluindo localização, características demográficas e posicionamentos políticos.

A ferramenta também foi utilizada para classificar conteúdos de acordo com seu grau de sensibilidade política e auxiliar na seleção de pessoas que poderiam ser monitoradas.

Para a Anthropic, esse tipo de uso demonstra uma mudança importante: a IA passou de uma ferramenta de consulta para uma espécie de assistente operacional dentro de estruturas de vigilância.

Caso envolvendo a comunidade uigur

Um dos exemplos descritos pela Anthropic envolve um ator alinhado à China que teria utilizado o Claude para conduzir uma operação direcionada a uigures na Síria.

Segundo a empresa, a IA foi usada para auxiliar na comunicação em árabe, adaptar mensagens ao contexto regional e organizar informações obtidas durante a operação.

A Anthropic avalia que o caso mostra como modelos de inteligência artificial podem reduzir barreiras linguísticas e facilitar operações que anteriormente exigiriam equipes especializadas.

LEIA TAMBÉM

Grupo no Iêmen usou inteligência artificial da Anthropic para desenvolver armas teleguiadas

Irã também utilizou IA em operações de vigilância

A Anthropic identificou diversas contas associadas a organizações de segurança iranianas utilizando o Claude.

Em um dos casos, uma estrutura ligada a órgãos de segurança teria usado a ferramenta para auxiliar na construção e administração de um sistema centralizado de monitoramento.

A empresa afirma que o sistema estava relacionado à coleta e organização de informações sobre cidadãos iranianos e à análise de atividades em redes sociais.

Outro grupo iraniano teria utilizado a IA para analisar grandes volumes de publicações e identificar contas consideradas relevantes para monitoramento.

A Anthropic afirma ter bloqueado as contas associadas às operações.

IA também foi usada para propaganda e influência

O relatório não trata apenas de espionagem.

A Anthropic identificou três operações associadas a organizações estatais iranianas que utilizaram o Claude para desenvolver campanhas de influência e propaganda.

A IA teria auxiliado na elaboração de estratégias, produção de conteúdo, criação de perfis e adaptação de mensagens para diferentes idiomas.

Segundo a empresa, os grupos planejavam campanhas destinadas a influenciar a opinião pública dentro e fora do Irã, em uma estratégia descrita pelos próprios operadores como uma espécie de “guerra cognitiva”.

Outros países também aparecem no relatório

A Anthropic afirma que os casos não estão restritos à China e ao Irã.

O relatório identifica operações envolvendo Rússia e países da África Ocidental, além de empresas privadas especializadas em vigilância.

Em outro caso, operadores ligados à Rússia utilizaram inteligência artificial em atividades de espionagem cibernética. A companhia também identificou tentativas de usar o Claude para pesquisas relacionadas a armas, operações de influência e outras atividades consideradas proibidas.

Anthropic bloqueou as contas

Depois de identificar as atividades, a empresa afirma ter banido as contas envolvidas e criado novos mecanismos para reconhecer padrões semelhantes.

A Anthropic também compartilhou informações com autoridades e outras empresas do setor quando considerou necessário.

A companhia afirma que seu objetivo é utilizar os casos identificados para melhorar continuamente os mecanismos de segurança dos modelos de inteligência artificial.

Entenda o contexto

O relatório surge em um momento em que governos e empresas de tecnologia discutem como impedir que sistemas de inteligência artificial sejam usados para espionagem, ataques cibernéticos, propaganda, desenvolvimento de armas e outras atividades de risco.

O caso chama atenção porque mostra que a IA não precisa necessariamente ser utilizada para produzir um ataque diretamente. Ela também pode funcionar como uma ferramenta para acelerar tarefas que já fazem parte de operações de inteligência, como análise de informações, tradução, organização de dados e identificação de possíveis alvos.

Para a Anthropic, o avanço das capacidades dos modelos aumenta a necessidade de mecanismos de proteção mais sofisticados.

O desafio é ainda maior porque ferramentas de IA podem ser integradas a sistemas e fluxos de trabalho já utilizados por organizações estatais, permitindo que atividades que antes dependiam de grandes equipes sejam realizadas com menos recursos.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS

Petrobras recua de aumento da gasolina após fim de desconto; veja como ficam os preços

Presidente da OAB-DF que abriu apuração contra escritório ligado a Moraes é sócio de cunhada de Dino

Lula sanciona lei que acaba com a “taxa das blusinhas”

Carregar Comentários