A Trocafone, uma das principais plataformas brasileiras de venda de celulares usados e recondicionados, foi alvo da Operação Frankmobile, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo o Gaeco, a empresa teria ocupado uma posição central em uma estrutura investigada por furto, roubo, receptação, adulteração e revenda de aparelhos.
A investigação, que durou cerca de dois anos, busca desmontar uma cadeia que, de acordo com os promotores, levava celulares roubados ou furtados de volta ao mercado formal. A Trocafone nega envolvimento com a comercialização de produtos de origem ilícita e afirma que está colaborando com as autoridades.
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Entenda o que aconteceu
A Operação Frankmobile foi realizada na quinta-feira (10) e mobilizou forças de segurança para atingir diferentes etapas do mercado ilegal de celulares.
Foram expedidos 84 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária. A ação também envolveu bloqueios de valores e apreensão de milhares de aparelhos eletrônicos. A investigação identificou núcleos responsáveis pelo roubo, desbloqueio, revenda e desmontagem dos celulares.
Por que a Trocafone entrou na investigação
De acordo com o Ministério Público, a Trocafone seria um dos principais elos comerciais da estrutura investigada.
O Gaeco afirma que a plataforma estaria no “topo da cadeia de comercialização” e funcionaria como um elo financeiro para dar aparência regular a aparelhos que teriam origem criminosa.
A suspeita é baseada, entre outros elementos, no cruzamento de informações fiscais e dos códigos IMEI, número de identificação individual de cada celular.
Investigação encontrou 759,3 mil celulares sem registro de entrada
Um dos principais pontos da investigação envolve 759,3 mil aparelhos.
Segundo o Ministério Público, a análise realizada pela Fazenda de São Paulo identificou celulares comercializados pela empresa cujos códigos IMEI não apareciam nas respectivas notas fiscais de entrada.
Para a Promotoria, a inconsistência pode indicar que os aparelhos entraram na cadeia comercial sem comprovação regular de origem e poderiam estar relacionados a produtos furtados ou roubados.
A ausência de registro fiscal, porém, é apresentada pela investigação como elemento de suspeita e ainda deverá ser analisada no decorrer do processo.
Relatórios do Coaf também aparecem na apuração
Outro elemento citado pelo Gaeco são 18 relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produzidos entre 2018 e 2024.
Segundo a investigação, os documentos apontaram movimentações consideradas atípicas que somaram R$ 95,8 milhões.
Entre os registros estão 1.299 depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática que, segundo os investigadores, pode ser utilizada para dificultar o rastreamento de movimentações financeiras.
O Ministério Público pediu o bloqueio de valores relacionados às empresas investigadas.
O que a Trocafone diz
A Trocafone nega envolvimento com a comercialização de aparelhos de origem ilícita.
Em manifestação divulgada após a operação, a empresa afirmou que repudia esse tipo de prática e que tem interesse no combate ao comércio de celulares roubados, que prejudica o mercado de aparelhos recondicionados.
A companhia também informou que entregou documentos e informações solicitados pelas autoridades e que analisa os elementos relacionados ao caso com seus assessores jurídicos.
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Investigação também aponta uso de peças de aparelhos roubados
Outro elemento citado pelo Ministério Público é o depoimento de um gerente de operações da Trocafone prestado em 2024.
Segundo o Gaeco, o funcionário teria relatado que peças provenientes de celulares de origem ilícita eram reaproveitadas no processo de recondicionamento desde 2014.
A informação faz parte dos elementos reunidos pelos investigadores e ainda está no âmbito da apuração.
Operação investiga toda a cadeia dos celulares roubados
A investigação não se limita à Trocafone. O Ministério Público identificou diferentes grupos e empresas que, segundo a apuração, atuariam em etapas distintas do esquema.
O modelo investigado envolve desde o furto ou roubo dos aparelhos até procedimentos de desbloqueio, alteração de identificadores, desmontagem e posterior comercialização.
A operação também atingiu empresas localizadas em regiões conhecidas pelo comércio de eletrônicos no centro de São Paulo, incluindo áreas como Santa Ifigênia, 25 de Março e Shopping Mundo Oriental.
Entenda o contexto
O comércio ilegal de celulares representa um problema que envolve tanto segurança pública quanto o mercado de tecnologia. Aparelhos roubados podem ser desbloqueados, ter seus identificadores adulterados ou ser desmontados para que as peças sejam revendidas separadamente.
A investigação da Operação Frankmobile tenta justamente identificar como esses produtos conseguem retornar ao mercado e quais empresas ou pessoas participam das diferentes etapas.
No caso da Trocafone, as acusações do Ministério Público ainda fazem parte de uma investigação. A empresa nega ter participado conscientemente da comercialização de aparelhos de origem ilícita e afirma colaborar com as autoridades.
Por isso, os elementos apresentados pelo Gaeco devem ser tratados como parte da apuração, sem antecipar eventual responsabilidade criminal. A definição sobre responsabilidades dependerá do avanço das investigações e das decisões judiciais.
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