Polícia Civil abre inquérito contra Haddad após queixa de Nunes por supostos ataques

Prefeito de São Paulo acusa candidato ao governo de calúnia e difamação por declarações feitas durante debate; Haddad afirma que investigação da PF pode esclarecer as suspeitas citadas.
Redação NC News
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A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar declarações feitas por Fernando Haddad (PT) contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante um debate entre candidatos ao governo de São Paulo. A investigação foi aberta após Nunes apresentar uma queixa-crime contra o petista por suspeitas de calúnia e difamação.

Durante o debate da Band, realizado em 9 de agosto, Haddad afirmou que Nunes deixaria a Prefeitura de São Paulo com uma dívida de R$ 50 bilhões e também associou recursos destinados a serviços de wi-fi na capital a supostos desvios para o PCC e para o financiamento do filme Dark Horse.

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Entenda o que aconteceu

A investigação começou depois que Nunes procurou a polícia para contestar as declarações feitas por Haddad durante o debate eleitoral.

Na queixa-crime, a defesa do prefeito afirma que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e atingiram a honra e a imagem de Nunes. O prefeito também contesta o valor da dívida citado pelo adversário.

Segundo dados apresentados pela defesa, a dívida do município estava em R$ 14,4 bilhões, equivalente a 14% das receitas, conforme relatório de gestão fiscal referente ao período de janeiro a abril deste ano.

Nunes contesta valor da dívida

O principal ponto de divergência entre os dois políticos é o valor da dívida da Prefeitura de São Paulo.

Haddad afirmou durante o debate que Nunes deixaria a administração municipal com uma dívida de R$ 50 bilhões. A defesa do prefeito contesta o número e sustenta que o valor oficial era de R$ 14,4 bilhões no período citado.

Para os advogados de Nunes, a declaração transmitiu ao público a ideia de que a gestão municipal estaria conduzindo as contas públicas de maneira irresponsável.

Haddad também citou contrato de wi-fi

Durante o debate, Haddad também relacionou o prefeito às suspeitas envolvendo contratos para instalação de pontos de wi-fi em comunidades de São Paulo.

O petista citou uma investigação sobre a Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, e afirmou que recursos relacionados ao serviço de internet teriam sido desviados para o crime organizado e para financiar a produção cinematográfica.

A Prefeitura de São Paulo tem um contrato de R$ 108 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que também está ligada à produtora investigada.

PF investiga suspeitas relacionadas ao contrato

A discussão ganhou novo elemento nesta semana depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados à produção do filme Dark Horse.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama. A PF apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

A investigação também identificou conexões com empresas envolvidas em contratos de wi-fi em São Paulo. A Prefeitura afirma que não identificou irregularidades na execução do contrato com o ICB e diz colaborar com as investigações.

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Haddad diz que investigação pode esclarecer fatos

Após a operação da Polícia Federal, Haddad afirmou que as novas medidas podem ajudar a esclarecer as suspeitas que ele havia mencionado no debate.

Em resposta à queixa apresentada por Nunes, o petista citou a própria investigação da PF e afirmou que eventuais prisões e delações poderiam contribuir para esclarecer os fatos.

A investigação da Polícia Civil, porém, tem outro objetivo: apurar se as declarações feitas por Haddad configuram os crimes apontados na queixa apresentada pelo prefeito.

Entenda o contexto

O episódio acontece em meio à disputa eleitoral pelo governo de São Paulo em 2026 e coloca dois dos principais nomes da corrida em uma nova frente de confronto, desta vez no campo policial e judicial.

De um lado, Nunes acusa Haddad de ter feito afirmações criminosas contra sua honra durante o debate. Do outro, Haddad sustenta que as suspeitas mencionadas por ele precisam ser esclarecidas pelas investigações em andamento.

A abertura do inquérito não significa que Haddad tenha sido condenado ou que a acusação feita por Nunes tenha sido comprovada. A investigação deverá apurar as declarações e as circunstâncias em que foram feitas.

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