A trajetória política de Ken Paxton, atual procurador-geral do Texas e candidato republicano ao Senado dos Estados Unidos, voltou ao centro da campanha eleitoral no estado. O político enfrenta o democrata James Talarico em uma das disputas mais observadas das eleições de meio de mandato de 2026, enquanto adversários exploram um histórico marcado por acusações de corrupção, abuso de poder e processos judiciais.
Paxton chegou a ser impeachado pela Câmara dos Representantes do Texas em 2023, em um processo histórico contra um dos políticos mais influentes do Partido Republicano no estado. Ele negou as acusações e foi posteriormente absolvido pelo Senado estadual, controlado pelos republicanos.
O episódio, porém, não desapareceu da política texana. Em 2026, Talarico transformou o passado de Paxton em uma das principais armas de sua campanha, enquanto o republicano tenta manter o domínio do partido sobre uma cadeira considerada estratégica para o controle do Senado americano.
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Entenda o que aconteceu
O caso que levou ao impeachment começou a ganhar força depois que antigos funcionários do gabinete de Paxton o acusaram de usar o cargo para beneficiar o empresário Nate Paul, um doador político que enfrentava problemas financeiros e investigações.
As denúncias apresentadas pelos ex-funcionários incluíam suspeitas de abuso de poder, favorecimento e retaliação contra servidores que levaram as acusações às autoridades.
Em maio de 2023, a Câmara do Texas aprovou 20 artigos de impeachment contra Paxton. O processo foi então enviado ao Senado estadual, que realizou o julgamento a partir de setembro daquele ano.
Paxton se declarou inocente das acusações. Depois de um julgamento que expôs profundas divisões dentro do Partido Republicano, os senadores decidiram absolvê-lo de todas as acusações.
Com a decisão, Paxton permaneceu no cargo de procurador-geral do Texas.
Acusações continuam sendo exploradas na campanha
Apesar da absolvição no processo de impeachment, o histórico judicial de Paxton continua sendo utilizado por seus adversários.
Um dos principais personagens que voltaram ao debate eleitoral é David Maxwell, ex-diretor de fiscalização do gabinete do procurador-geral. Maxwell e outros funcionários denunciaram Paxton em 2020 ao FBI, alegando abuso do cargo para beneficiar um doador.
Os ex-funcionários também entraram em uma disputa judicial relacionada a uma suposta retaliação após as denúncias. Em 2025, um juiz determinou o pagamento de aproximadamente US$ 6,6 milhões a Maxwell e outros três ex-servidores.
Em setembro de 2026, Maxwell apareceu em uma propaganda de campanha apoiando Talarico e voltou a acusar Paxton de corrupção. As declarações fazem parte da estratégia democrata de apresentar o republicano como alguém marcado por escândalos mesmo depois de sua absolvição no impeachment.
Histórico também inclui acusação de fraude
O impeachment não foi o único problema judicial enfrentado por Paxton.
O republicano também foi acusado de fraude relacionada a valores mobiliários. O caso se arrastou por anos e acabou sendo encerrado sem que Paxton admitisse culpa. Ele concordou com o pagamento de restituição em um acordo com os promotores.
O histórico passou a fazer parte da disputa eleitoral porque Talarico tenta convencer eleitores de que os episódios revelam um padrão de comportamento incompatível com o cargo de senador.
Paxton, por sua vez, mantém apoio significativo entre a base republicana. Em maio de 2026, ele derrotou o senador John Cornyn nas primárias republicanas e garantiu a indicação do partido para a eleição ao Senado.
Trump mantém apoio ao republicano
A força política de Paxton também está ligada ao apoio de Donald Trump.
O ex-presidente declarou apoio ao republicano e voltou a defendê-lo durante a convenção republicana realizada no Texas em setembro. Apesar de fazer comentários provocativos sobre Paxton, Trump reforçou que considera o político um aliado importante para o partido.
O apoio é relevante porque a eleição texana ganhou importância nacional. Uma eventual vitória de Talarico poderia ajudar os democratas na disputa pelo controle do Senado, enquanto uma vitória de Paxton representaria a manutenção de uma das cadeiras mais importantes do Partido Republicano.
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Disputa pelo Senado ganhou força
Talarico e Paxton chegam à eleição com perfis políticos bastante diferentes.
O democrata tenta apresentar uma campanha centrada em temas econômicos, custo de vida e renovação política, enquanto também explora o histórico de controvérsias do adversário.
Paxton aposta na força da direita texana, no apoio de Trump e em uma agenda conservadora para manter o eleitorado republicano mobilizado.
Pesquisas recentes apontam uma disputa apertada, com Talarico aparecendo à frente ou tecnicamente empatado em alguns levantamentos. O cenário transformou o Texas em um dos principais campos de batalha das eleições de 2026.
Entenda o contexto
O caso de Ken Paxton ganhou uma dimensão maior do que o próprio processo de impeachment porque passou a simbolizar uma disputa interna sobre os rumos do Partido Republicano no Texas.
Em 2023, os parlamentares republicanos da Câmara estadual foram responsáveis por levar o então procurador-geral a julgamento. No Senado, também dominado pelo partido, Paxton foi absolvido.
Três anos depois, o mesmo histórico é utilizado como argumento eleitoral contra ele.
A situação mostra como uma absolvição política não necessariamente encerra o impacto eleitoral de uma acusação. No caso de Paxton, o impeachment continua sendo explorado por adversários justamente no momento em que ele tenta deixar a política estadual e conquistar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos.
O resultado da eleição poderá, portanto, definir não apenas o futuro político de Paxton, mas também ajudar a determinar o equilíbrio de forças no Congresso americano.
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