Wall Street iniciou a semana sob forte pressão nesta segunda-feira (14), com os investidores reagindo simultaneamente às incertezas sobre o futuro do setor de inteligência artificial e à disparada dos preços do petróleo em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio.
Os contratos futuros dos principais índices americanos apontavam para uma abertura negativa, com o Nasdaq-100 recuando mais de 1,5% no início dos negócios. O S&P 500 também registrava queda nos contratos futuros, enquanto o Dow Jones apresentava uma retração mais moderada.
O movimento coloca novamente as ações de tecnologia no centro das preocupações dos investidores e ameaça interromper a recuperação registrada na sexta-feira, quando as bolsas americanas fecharam em alta.
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Temor com inteligência artificial pesa sobre as ações
A principal pressão sobre o mercado nesta segunda-feira veio do próprio setor que impulsionou boa parte da valorização das bolsas americanas nos últimos anos: a inteligência artificial.
Declarações recentes de importantes executivos da indústria aumentaram a preocupação de investidores com o ritmo dos investimentos e com os riscos associados ao avanço acelerado da tecnologia.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial diante dos riscos associados à evolução dos sistemas. A posição recebeu apoio de nomes como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk.
O temor dos mercados é que uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento também diminua a demanda por infraestrutura relacionada à IA, incluindo chips, servidores e equipamentos utilizados na construção dos grandes centros de processamento de dados.
O impacto foi particularmente forte sobre empresas de semicondutores. Nvidia, Intel e Marvell Technology apareceram entre os papéis pressionados antes da abertura dos mercados americanos. No exterior, fabricantes como SK Hynix, Samsung Electronics e ASML também sofreram com a onda de vendas.
A reação, porém, não atingiu todas as empresas de tecnologia da mesma maneira. Companhias ligadas a segurança digital e softwares corporativos, como CrowdStrike, Palo Alto Networks e Workday, avançaram no pré-mercado diante da possibilidade de que determinadas áreas da tecnologia sejam beneficiadas por uma eventual mudança na percepção dos investidores sobre a inteligência artificial.
Petróleo dispara e aumenta pressão sobre inflação
Ao mesmo tempo em que as ações de tecnologia enfrentam uma onda de cautela, o petróleo adiciona um segundo problema ao cenário financeiro.
O Brent ultrapassou a marca de US$ 108 por barril, enquanto o petróleo americano também avançava acima dos US$ 100. A alta ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e a preocupações com possíveis interrupções no fornecimento mundial.
A Arábia Saudita informou que interrompeu o funcionamento de seu oleoduto East-West depois de ataques com drones. A estrutura é importante para o escoamento da produção saudita sem depender diretamente do Estreito de Ormuz.
Além disso, uma reunião prevista entre países do Golfo e o Irã foi adiada, reduzindo as expectativas de uma solução diplomática imediata para as tensões na região.
Para Wall Street, o problema vai além do preço dos combustíveis. Petróleo mais caro pode elevar os custos de transporte, produção e energia e, consequentemente, alimentar novamente a inflação.
Isso pode dificultar o trabalho do Federal Reserve, o banco central americano, justamente em uma semana decisiva para a política monetária dos Estados Unidos.
Fed entra novamente no centro das atenções
A reunião do Federal Reserve prevista para esta semana é outro fator de peso sobre os mercados.
Os investidores trabalham com a possibilidade de uma elevação dos juros na decisão de quarta-feira. A combinação entre petróleo mais caro, inflação persistente e rendimentos elevados dos títulos americanos aumenta a cautela antes da decisão.
O rendimento do Treasury de dez anos estava próximo de 4,97% nesta segunda-feira, depois de ter encerrado a sessão anterior perto do maior nível em aproximadamente três anos.
Juros mais elevados tendem a pressionar ações porque aumentam o retorno oferecido por investimentos considerados mais seguros e elevam o custo de financiamento para empresas e consumidores.
O efeito costuma ser ainda mais significativo sobre empresas de tecnologia com expectativas de crescimento muito elevadas, já que parte importante do valor dessas companhias está baseada em resultados esperados para os próximos anos.
Mercado ainda tenta recuperar perdas da semana passada
A pressão desta segunda-feira ocorre depois de uma semana difícil para Wall Street.
Na sexta-feira (11), os três principais índices americanos conseguiram fechar no positivo. O Dow Jones avançou 0,98%, para 52.573,29 pontos. O S&P 500 subiu 0,86%, para 7.656,98 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 0,96%, encerrando aos 26.333,04 pontos.
Mesmo com a recuperação no último pregão, os índices terminaram a semana acumulando perdas. O Dow Jones recuou 1,57%, o S&P 500 caiu 0,79% e o Nasdaq perdeu 0,65%.
Agora, o mercado começa uma nova semana com uma combinação particularmente delicada: tecnologia sob pressão, petróleo em alta, inflação no radar e uma decisão importante do Federal Reserve pela frente.
Empresas de energia ganham espaço
Enquanto as ações ligadas à inteligência artificial enfrentam vendas, o movimento do petróleo beneficia empresas do setor de energia.
Exxon Mobil e Chevron apareciam entre as companhias favorecidas pela alta das commodities no pré-mercado americano.
A rotação mostra uma mudança momentânea na preferência dos investidores. Em vez de apostar exclusivamente nas empresas associadas ao crescimento tecnológico, o mercado passa a buscar proteção em setores que podem se beneficiar diretamente de um cenário de petróleo mais caro.
O movimento, contudo, dependerá da duração da crise no Oriente Médio e da trajetória dos preços da energia.
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Entenda O Contexto
Wall Street começa a semana diante de dois choques simultâneos. De um lado, declarações de executivos do setor de inteligência artificial reacenderam o debate sobre a velocidade de desenvolvimento da tecnologia e levantaram dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em chips, infraestrutura e centros de dados.
De outro, a escalada das tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, aumentando o risco de uma nova pressão inflacionária. O cenário se torna especialmente relevante porque o Federal Reserve se reúne nesta semana para definir os próximos passos da política monetária americana.
Com petróleo mais caro e juros elevados, empresas de tecnologia ficam mais vulneráveis a uma reprecificação, enquanto companhias ligadas à energia podem ganhar força.
O mercado, portanto, começa a semana tentando equilibrar três grandes dúvidas: até onde irá a correção das ações de tecnologia, quanto tempo o petróleo permanecerá acima dos US$ 100 e qual será a resposta do banco central americano diante desse novo cenário.
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