Encontrar novos amigos depois da vida adulta nem sempre é uma tarefa simples. Trabalho, estudos, relacionamentos, família e mudanças de cidade podem reduzir as oportunidades de convivência e tornar mais difícil manter ou ampliar o círculo social.
Nesse cenário, aplicativos que aproximam pessoas com interesses semelhantes estão ganhando espaço entre brasileiros que procuram novas amizades. A proposta é usar a tecnologia como uma espécie de ponte para facilitar encontros que, fora do ambiente digital, poderiam demorar muito mais para acontecer.
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Entenda o que aconteceu
A busca por novas conexões aparece principalmente entre pessoas que enfrentam uma rotina cada vez mais cheia. Mesmo quem mantém amizades antigas pode ter dificuldade para encontrar horários em comum para sair, conversar ou simplesmente passar algum tempo junto.
Foi o que aconteceu com Betina Alves, de 28 anos, que saiu de Porto Alegre para São Paulo por causa do trabalho. Em uma nova cidade e longe do círculo de amigos de origem, ela decidiu experimentar um aplicativo voltado à aproximação entre pessoas.
A experiência terminou em um jantar com outras mulheres da mesma faixa etária e com interesses semelhantes. Depois do encontro, o grupo continuou conversando e passou a marcar outros programas.
Por que fazer amigos na vida adulta pode ser tão difícil
Na infância e na adolescência, a convivência cotidiana favorece a formação de amizades. Escola, faculdade, cursos e outras atividades colocam pessoas em contato frequente, criando oportunidades naturais para a aproximação.
Na vida adulta, porém, esse cenário muda. As agendas ficam mais cheias e os encontros passam a depender de uma combinação de horários que nem sempre acontece.
O sociólogo Jair de Souza Ramos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), ouvido pela Veja, aponta justamente a dificuldade de conciliar a rotina como um dos fatores que ajudam a explicar o interesse por essas plataformas. Segundo ele, as comunidades digitais podem aproximar pessoas que estão vivendo fases semelhantes.
Aplicativo pode ser só o começo da amizade
Apesar da facilidade para encontrar pessoas com interesses em comum, criar uma amizade verdadeira não acontece necessariamente depois de uma única conversa ou encontro.
Uma pesquisa da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, citada pela reportagem, indica que são necessárias pelo menos 200 horas de interação mais profunda para que uma relação comece a avançar para um estágio mais próximo de amizade.
Isso significa que o aplicativo pode facilitar o primeiro contato, mas a construção do vínculo depende da disposição das pessoas para manter a convivência ao longo do tempo.
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Nem todos os encontros funcionam
Assim como acontece nas relações presenciais, as experiências nos aplicativos também podem gerar frustração.
Conversas que não avançam, interesses diferentes e encontros que não correspondem às expectativas fazem parte da experiência de quem tenta ampliar o círculo social pela internet.
A modelo Isadora Freitas, de 26 anos, contou à Veja que já passou por situações frustrantes em aplicativos de amizade, mas continua utilizando as plataformas. Para ela, a construção de uma conexão depende da disposição dos dois lados.
Plataformas mudam a forma de conhecer pessoas
O crescimento desse tipo de aplicativo acompanha uma transformação no modo como as pessoas estabelecem relações. Plataformas originalmente associadas a encontros românticos também passaram a explorar a possibilidade de conectar usuários interessados simplesmente em amizade.
Aplicativos como Bumble e Happn, além de plataformas com propostas específicas de encontros sociais, aparecem nesse movimento. O objetivo é reduzir a distância entre pessoas que talvez tenham interesses, idade ou momentos de vida semelhantes.
Há também serviços que apostam em encontros presenciais, como jantares entre desconhecidos, transformando o contato iniciado pela internet em uma experiência coletiva fora das telas.
Tecnologia ajuda, mas vínculo exige tempo
A tecnologia pode tornar mais fácil encontrar pessoas novas, principalmente para quem mudou de cidade ou sente que o círculo social ficou menor com o passar dos anos.
Mas o encontro virtual não substitui a construção da relação. Amizades duradouras dependem de convivência, confiança, reciprocidade e tempo, fatores que não podem ser resolvidos apenas por um algoritmo.
Por isso, os aplicativos funcionam melhor como uma porta de entrada: aproximam pessoas e criam oportunidades. A partir daí, cabe aos envolvidos transformar uma conversa casual em uma relação que faça sentido para os dois lados.
Entenda o contexto
A dificuldade de fazer e manter amizades na vida adulta não está restrita ao ambiente digital. Rotina profissional, responsabilidades familiares, distância geográfica e mudanças pessoais podem enfraquecer vínculos antigos e dificultar a criação de novos.
Nesse cenário, os aplicativos aparecem como mais uma ferramenta para diminuir essas barreiras. O desafio, porém, continua sendo transformar o primeiro contato em uma conexão real, algo que depende muito mais da convivência do que da tecnologia.
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