Crise no STF expõe disputa entre Moraes e Mendonça às vésperas do primeiro turno

Sessão interrompida por pedido de vista de Flávio Dino levou ao plenário divergências sobre a condução do caso Vorcaro e ampliou a pressão política sobre a Corte
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O STF que não consegue se julgar. A guerra entre Mendonça e Moraes em torno do caso Vorcaro escancarou o que os bastidores já sabiam: a Suprema Corte entrou na campanha eleitoral e não como árbitro.

Havia, nos bastidores, um consenso tácito de que a crise do STF iria estourar em algum momento. O que não se calculava era que isso aconteceria a menos de três semanas do primeiro turno. O caso Daniel Vorcaro expôs fraturas que a Corte vinha costurando com discrição desde o escândalo do Banco Master, e o que se viu nesta terça-feira foi a conta chegando.

 

A disputa entre Mendonça e Moraes

Flávio Dino pediu vista e travou o julgamento. Na superfície, um procedimento regimental. Nos bastidores, a leitura é mais densa: o pedido de vista evitou um confronto aberto no plenário num momento em que nenhum ministro com qualquer proximidade com Vorcaro tinha condição política de votar sem custo.

Quem teve envolvimento direto ou indireto com o caso, e não é segredo que esse círculo é largo, não deveria sequer assumir a relatoria de um processo dessa magnitude. O problema é que assumiu.

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A condução de Mendonça e a reação de Moraes

A condução de André Mendonça como relator foi, desde o início, de alto risco. Ao levantar o sigilo das conversas entre Vorcaro e um contato atribuído a Alexandre de Moraes, Mendonça colocou o colega de toga numa berlinda pública e levou a disputa interna para as páginas dos jornais no pior momento possível.

O episódio produziu um efeito que talvez não tenha sido calculado com precisão: tornou o STF personagem central da campanha eleitoral num ciclo em que a Corte precisaria, no mínimo, transmitir serenidade institucional.

Moraes, por sua vez, não encontrou na condução da sessão a contenção que a circunstância exigia. Fontes ouvidas apontam que faltou ao comando da mesa a mão firme necessária para aplainar o debate antes que ele saísse do protocolo.

O resultado foi uma sessão acalorada, de tom incomum para o rito de uma Suprema Corte, e que ficará gravada nas memórias políticas deste ciclo.

 

Uma Corte sob pressão

Edson Fachin, presidente do STF, tenta arbitrar um duelo entre dois ministros com trajetórias e lealdades distintas, num tribunal que acumula processos sensíveis envolvendo autoridades com foro privilegiado. Não é uma equação simples.

O prazo que ele mesmo estabeleceu para esclarecimentos vai se encerrar sem que o cenário esteja pacificado.

 

O impacto eleitoral da crise

O ponto central, e os bastidores são enfáticos nisso, é o impacto eleitoral. A 19 dias do primeiro turno, a crise do STF tirou o oxigênio das propostas de campanha e colocou a Corte no centro de um debate que não é jurídico: é político.

A imagem de uma instituição que não consegue resolver internamente as próprias contradições vai alimentar narrativas nos dois extremos do espectro. E quem ganhar em outubro vai herdar esse imbróglio.

O julgamento que importa, por ora, não é o de Mendonça nem o de Moraes. É o que o eleitorado fará com essa imagem nas próximas semanas.

 

 

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