A Coreia do Norte voltou a rejeitar nesta quinta-feira (17) os apelos internacionais pela desnuclearização e afirmou que seu status como Estado com armas nucleares é irreversível. A declaração ocorreu durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, enquanto Pyongyang também endureceu o discurso contra a cooperação militar entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.
Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un e uma das principais autoridades do regime, classificou as discussões sobre a desnuclearização como uma repetição sem efeito sobre a política de Pyongyang. Segundo ela, a posição nuclear do país estaria consolidada “fisicamente e legalmente” e não poderia ser revertida.
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Sobre a reação de Pyongyang
A declaração de Kim Yo Jong foi divulgada pela agência estatal KCNA enquanto representantes internacionais discutem o programa nuclear norte-coreano em Viena.
A conferência da AIEA manifestou preocupação com a expansão das capacidades nucleares da Coreia do Norte e voltou a defender que Pyongyang abandone seu programa de armas nucleares de maneira completa, verificável e irreversível, em conformidade com o regime internacional de não proliferação.
A irmã de Kim Jong-un, porém, afirmou que reuniões periódicas da AIEA e de países ocidentais não terão efeito sobre a disposição do governo norte-coreano de manter sua capacidade nuclear.
O posicionamento ocorre depois de um relatório de salvaguardas da própria AIEA apontar aumento significativo da capacidade de enriquecimento de urânio da Coreia do Norte e expansão de instalações consideradas centrais para o programa nuclear do país.

Vice-ministro fala em expansão do arsenal
O discurso de Kim Yo Jong foi acompanhado por uma declaração do vice-ministro da Defesa norte-coreano, Kim Kang Il. Durante o Fórum Xiangshan, em Pequim, ele afirmou que o fortalecimento militar liderado pelos Estados Unidos e o que Pyongyang considera uma crescente aliança nuclear entre Washington, Seul e Tóquio justificariam a ampliação do arsenal norte-coreano.
Segundo Kim Kang Il, a Coreia do Norte continuará fortalecendo suas forças nucleares. Ele também afirmou que o status do país como Estado com armas nucleares é irreversível.
O representante norte-coreano apresentou a expansão militar dos países adversários como justificativa para o desenvolvimento de uma capacidade de dissuasão nuclear ainda maior. Pyongyang afirma que suas armas nucleares são necessárias para responder ao que considera uma ameaça militar dos Estados Unidos e de seus aliados.
Washington, Seul e Tóquio, por outro lado, mantêm mecanismos de cooperação e exercícios militares conjuntos diante dos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte.

O que está por trás da tensão
A disputa envolve duas posições diretamente opostas. De um lado, a comunidade internacional, representada em parte pelas discussões da AIEA, defende a redução e eventual eliminação do arsenal nuclear norte-coreano. Do outro, Pyongyang sustenta que suas armas nucleares são parte permanente de sua estratégia de segurança.
O governo norte-coreano também criticou recentemente conversas entre Estados Unidos e Coreia do Sul sobre planejamento de resposta a armas de destruição em massa. Segundo Pyongyang, essas iniciativas representariam uma escalada de confronto e poderiam levar o país a recorrer a dispositivos de sua legislação sobre forças nucleares.
As declarações desta quinta-feira reforçam uma posição que vem sendo repetida pelo regime de Kim Jong-un: a Coreia do Norte não pretende colocar sua capacidade nuclear na mesa de negociações nas condições atualmente defendidas pelos países ocidentais e pela AIEA.

Possibilidade de diálogo ainda existe
Apesar do endurecimento do discurso, a questão diplomática não está completamente afastada.
Stephen Biegun, ex-representante especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, afirmou que não seria surpreendente uma eventual proposta de encontro entre o presidente Donald Trump e Kim Jong-un depois da cúpula da APEC, prevista para novembro, na China. Segundo ele, uma reunião poderia até ocorrer em Pyongyang.
Não há, entretanto, confirmação de uma nova cúpula entre os dois líderes. As declarações norte-coreanas desta quinta-feira também não representam, por si só, o anúncio de uma nova ação militar.
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Entenda O Contexto
A Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear em 2006 e, desde então, desenvolveu um programa que inclui armas nucleares e diferentes tipos de mísseis. O governo de Kim Jong-un apresenta esse arsenal como instrumento de dissuasão diante da presença militar dos Estados Unidos na região e das alianças de Washington com Coreia do Sul e Japão.
A AIEA acompanha o programa norte-coreano, mas não possui acesso regular às instalações do país para realizar inspeções presenciais. Por isso, informações sobre a evolução das estruturas nucleares também são obtidas por meio de imagens de satélite e outras fontes de monitoramento.
A tensão desta quinta-feira ocorre em duas frentes simultâneas: enquanto a AIEA debate a desnuclearização em Viena, autoridades norte-coreanas reafirmam que o país pretende preservar e ampliar sua capacidade nuclear. O vice-ministro da Defesa vinculou diretamente essa expansão ao fortalecimento da cooperação militar entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.
O cenário mantém aberta uma combinação de pressão diplomática, desenvolvimento militar e possibilidade de diálogo. Por enquanto, Pyongyang mantém publicamente a posição de que seu status nuclear é permanente, enquanto a comunidade internacional continua defendendo a desnuclearização da península.
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